KLEYZER SEIXAS
No mapa de negócios elaborado pelo Sebrae em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a Copa do Mundo, em 2014, nove setores da economia foram destacados como os de maior oportunidade para os empreendedores brasileiros. Há cerca de quatro anos, era a construção civil quem liderava o ranking de oportunidades, com a construção e reforma de estádios, além de todas as obras de infraestrutura realizadas no País, mas, agora, faltando um ano para o campeonato, os setores de serviço, turismo e comércio varejista é que são a bola da vez. Juntos, somam 309
Oportunidades de negócios
A expectativa, no entanto, é que o turismo seja o mais beneficiado no período. "E quando se fala em turismo, estamos também falando de bares, restaurantes e pequenos hotéis", afirma a coordenadora da Regional Metropolitana do Sebrae Bahia, Madalena Seixas. No setor, as oportunidades são muitas para hotéis, pousadas, agências de viagens e para o trabalho de guias de turismo, dentre outros. No comércio varejista, mercados, armazéns e lojas de conveniência estão entre os negócios com mais destaque.
E quando o assunto é serviço, as áreas de comunicação, marketing, produção audiovisual e as atividades ligadas ao transporte e armazenagem de carga são as mais beneficiadas. Toda a movimentação nesses negócios deve gerar, somente neste ano, mais de três milhões de novos postos de trabalho diretos e indiretos em todo o País, segundo estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas.
Experiência
Na Copa das Confederações, já foi possível perceber o aquecimento dos três setores. Embora o movimento de turistas estrangeiros tenha sido pequeno na Bahia (5% dos visitantes em Salvador), a ocupação hoteleira passou de 70% em alguns dias. No hotel Fiesta, todos os 244
apartamentos ficaram ocupados, segundo o gerente Carlos Pugliese. O tempo de permanência desses visitantes, a maioria de estados como Sergipe e Pará, foi de três dias, segundo Sílvio Pessoa, presidente do Sindicato de Hotéis. Para 2014, a expectativa é que os turistas fiquem por mais tempo.
"A Copa das Confederações não tem o mesmo apelo que a do Mundo, então, haverá um movimento muito mais intenso no fluxo, mas é preciso se espelhar no que não deu certo neste ano para acertar no próximo. É importante uma agenda positiva para não repercutir negativamente no evento, como aconteceu neste ano devido aos protestos", afirma Pessoa.
No restaurante A Porteira, localizado nas imediações da Arena Fonte Nova, o movimento de clientes também foi intenso nos dias das partidas realizadas em Salvador, chegando a ter um aumento de 30% de clientes na casa. Para atender à demanda no próximo ano, o restaurante será ampliado, passando de um espaço com 250 lugares, para 300, e serão contratados mais funcionários, segundo o gerente da unidade, Airan Neto.
Quem também já percebeu que terá de reforçar o time para dar conta dos trabalhos que devem dobrar em 2014 é o jornalista Karlo Dias. Sócio de uma empresa de comunicação integrada, produz conteúdo informativo para um site sobre assuntos da Copa, o Portal 2014, além da produção de eventos com uma equipe de sete funcionários. Para o próximo ano, aumentará em 80% o número de freelancers. "Vamos nos preparar melhor para atender às demandas porque não soubemos aproveitar todas. Agora, temos um ano inteiro para nos preparar e atuar de uma forma mais estratégica", afirma.
Dono da empresa Shalom Turismo, Luiz Augusto Leão é outro que destaca o planejamento para aproveitar a passagem de visitantes. O empresário oferecerá pacotes para destinos como Itacaré, Ilhéus e Chapada Diamantina de acordo com o tempo de permanência e dos jogos realizados em Salvador. "Apesar do movimento menor, a Copa das Confederações serve como parâmetro para a do Mundo, não resta dúvida", diz.