Consolidação da Ford dá estímulo a novos players

11/07/2013








Há 12 anos a vida da camaçariense Fernanda Silva, de 32 anos, analista industrial sênior da Ford, ganhou nova dimensão, como ela mesma conta, por telefone, da Alemanha, onde passa uma temporada para se aprimorar após finalizar o tão sonhado mestrado.


"Comecei no chão de fábrica, como operadora, e foi assim que paguei meus estudos", diz. "Venho de uma família humilde, como a maioria da população de Camaçari, que deu um salto com a chegada da montadora à cidade."


A chegada da Ford a Camaçari impactou a economia do município. Foram mais de 9,6 mil empregos diretos criados, dos quais 90% formados por mão de obra local, 23% por mulheres e 60% de jovens no primeiro emprego, como foi o caso de Fernanda. A Ford sozinha responde por 50% dos empregos diretos gerados pelo polo.


A montadora marca, segundo Fernanda, a segunda fase do Polo de Camaçari. A avaliação é corroborada pelo economista Oswaldo Guerra, professor de Economia Industrial da Universidade Federal da Bahia (UFBA). "Com a oferta de transporte gratuito pelas empresas instaladas no polo, Camaçari havia se tornado uma cidade puramente industrial e a chegada do chamado Complexo Ford começa a mudar esse cenário", diz.


A maior oferta de emprego provocou a melhora de renda na região e, consequentemente, resultou no aquecimento do comércio e no surgimento de novos empreendimentos, como hotéis e pousadas, postos de gasolina, e instituições de ensino, além da atração, por sinergia, de diversas empresas, principalmente fornecedores da cadeia automotiva, como Bridgestone/Firestone e Pirelli.


Ambas anunciaram ampliação de fábricas em Feira de Santana e Camaçari, respectivamente.


Segue pelo mesmo caminho a Columbian Chemicals, fornecedora de matéria-prima da indústria de pneus, que também anunciou novos investimentos.


Após a implantação da Ford foi necessário ainda criar um terminal de cargas multimodal no polo, que contempla ferrovia, rodovia e transporte marítimo, com movimentação de 100 mil contêineres por ano.


Em sua implantação foram investidos U$ 1,9 bilhão, dos quais U$ 1,2 bilhão da própria montadora e U$ 700 milhões dos parceiros do sistema. No ano passado, um EcoSport criado na Bahia foi lançado mundialmente com status de primeiro carro global feito na América do Sul.


A investida da Ford não é o único movimento de consolidação no polo. A indústria avança agora com a chegada das fábricas chinesas JAC Motors e Foton Motors.


Com investimento de US$ 300 milhões, a unidade fabril da Foton será erguida em uma área de um milhão de metros quadrados. Inicialmente, irá trabalhar com duas linhas de produção paralelas, lançando dois modelos de veículos comerciais no mercado. A previsão é de que a produção seja iniciada no fim de 2013, com produção de 30 mil veículos por ano até 2017.


Segundo o diretor-executivo da Foton Motors do Brasil, Osmar Hidalgo, a fábrica irá gerar, até 2017, mil empregos diretos e seis mil indiretos. Ele afirma que diversos fatores contribuíram para a escolha da cidade baiana como o crescimento do polo automotivo local e a presença de fornecedores especializados. Ele cita ainda a proximidade de portos, que agregam conveniência logística.


Liderada pelo empresário Sérgio Habib, a JAC Motors vai colocar R$ 1 bilhão no projeto de Camaçari. Segundo o cronograma, a fábrica da JAC na Bahia deve começar as operações em 2014 e vai criar cerca de 3,5 mil empregos na região. A JAC fará na Bahia as versões hatch e sedã da próxima geração do J3.


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