Chega ao mercado brasileiro, no início de 2014, a água de coco produzida pela Aurantiaca. empresa baiana que comercializa produtos feitos a partir do fruto. Com um investimento de R$ 25 milhões no município do Conde, a empresa quer entrar no mercado fazendo a diferença, ao propor um novo modo de industrializar a água e trazendo sustentabilidade para a produção e para a comunidade.
A holding, criada em 2008 por um investidor holandês em sociedade com uma empresa americana, e composta pela Aurantiaca Agrícola e a Frysk Industrial, que produz óleo, água e fibra do fruto.
Em um município de pouco mais de 23 mil habitantes, de baixo índice de Desenvolvimento Humano (IDH), esses empreendimentos significam a geração de mil empregos com segurança e benefícios, um diferencial no meio rural.
Água de coco - A empresa desenvolveu um método que elimina a exposição do liquido ao oxigênio, como acontece no sistema tradicional, de corte, que precisa de aditivos para a correção do sabor e da cor. "Faremos a extração sem abrir o fruto, injetando nitrogênio -que é um gás inerte, não interfere - e retirando água. Seremos os primeiros no Brasil a vender água de coco em pet asséptico, sem conservantes ou congelamento", diz o gerente de Alimentos e Bebidas, Fausto Ferraz.
Essa linha de produção da Frysk será o seu carro-chefe. Potencial para crescer no mercado de água de coco existe, afirma o vice-presidente Roberto Lessa. ?São consumidos, por ano, 98 milhões de litros da bebida. Isso é pouco para o Brasil, que gosta de água de coco como também gosta de suco de laranja?.
A empresa pretende exportar para a Europa e os EUA em dez anos. Lessa se entusiasma com o crescimento do faturamento desse mercado na América, que, nos últimos cinco anos. aumentou em 10.000%. Se tudo der certo com a água, a fábrica pretende produzir, também, achocolatados com coco.
Fábrica - A parte industrial está em uma área de 38 mil m2. A primeira linha de produção, de fibra de coco, comercializada com a marca Fibraztech, começou a funcionar em janeiro e. já atingiu acapacidade de 18 mil m2 de fibra por dia.
A partir desse material são fabricados biorolos, usados em sistemas de contenção nas estradas e em terrenos inclinado e biomantas, utilizadas na bioengenharia, na indústria automobilística, no agronegócio e mineração.
A última linha da fábrica a entrar em funcionamento é a de óleo, no início de 2015.
Lessa diz que a fábrica dispõe dos mais modernos processos de produção e equipamentos. Cada uma das linhas conta, por exemplo, com um laboratório de controle de qualidade.
Maior parte da matéria-prima virá de fazendas da companhia
A médio prazo, a Aurantiaca vai consumir cerca de 800 mil cocos por dia, 600 mil deles do tipo verde e o resrante seco. A meta é que ate 2020, 70% dessa demanda seja produzida nas próprias fazendas da empresa.
Por enquanto, o Conde e região (formada por municípios como Esplanada, Entre Rios e outros em um raio de 100 km) vão fornecer 25% da necessidade de matéria-prima. Além da maioria da produção ser de coco verde, boa parte dos plantios está debilitada pela seca.
Até as fazendas da empresa começarem a produzir a maioria dessa demanda, vai ser necessário buscar fornecedores em regiões vizinhas, em um raio de 550 km. Um dos meios de conhecer esses fornecedores tem sido a promoção de Dias de Campo. O primeiro aconteceu no sábado. com agricultores de Rodelas, município a 480 km do Conde. Esses eventos devem se repetir bimestralmente.
Aproveitamento total - Até agora a empresa possui três propriedades: Fazenda Bu; Fazenda São Bento da Barra; e a Fazenda Fundão, recém adquirida. Juntas somam cinco mil hectares de área. A ideia é que 30% disso seja destinado ao plantio irrigado e o restante preservado.
O aproveitamento dos frutos vai ser total. Do coco verde vão ser produzidas a água de coco e a água saborizada. O seco vai servir para fazer óleo, leite, farinha e fibra
Para garantir o bom desenvolvimento dos plantios, a Aurantiaca aposta na relação dos homens do campo com os coqueiros. Os aristas, responsáveis por cada 20 hectares das fazendas, terão um papel fundamental. Eles vão registrar detalhes do desenvolvimento das plantas, identificadas com códigos de barra.
Ê esperado desses homens o desenvolvimento de um conhecimento profundo sobre as plantas, de produção e controle fitossanitãrio. "Há assim uma relação de intimidade com a plantação, o que possibilita descobrir coisas, ao contrário de um sistema de mutirão, onde se está em uma área diferente a cada hora. Isso estabelece uma paixão pela terra e pelo que está fazendo', afirma Lessa.
Meta da empresa é ampliar em 760% a produtividade do fruto - Conde, município da Linha Verde a ]8y km de Salvador, produz mais coco que muitos estados, a exemplo do vizinho Ceará. São 76 mil hectares desse cultivo, com uma produção anual de 623 milhões de frutos. Mas, apesar disso, o potencial da cultura tem sido pouco explorado.
A empresa quer aumentara produtividade da região em 760%, ou seja, passar dos atuais 30 cocos por coqueiro, ao ano, para 230 frutos em cada um deles
O sistema de acompanhamento das plantas identificadas por códigos de barras vai ser imprescindível por criar um mapa das fazendas no qual serão detectados os coqueiros mais produtivos e aqueles que estão com problemas que precisam ser corrigidos, como pragas e faltade nutrientes no solo.
A meta da Aurantiaca é obter um milhão de coqueiros em 1,5 mil hectares de área plantada nas fazendas.
Futuro - Alem dos tres centros de resultado, de produção agrícola, a holding tem projeto para criar mais dois deles nos próximos anos.
O quarto centro de resultado deve ser inaugurado até 2015. Esse espaço será destinado ao melhoramento genético dos coqueiros, com o desenvolvimento de mudas e sementes.
O quinto centro de resultado vai ser destinado à prestação de serviço O objetivo da empresa vai ser repassar a experiencia que for adquirida no empreendimento de beneficiamento de coco para outros similares que surgirem depois.