Geração de empresas na Bahia supera média nacional

05/11/2013
A geração de empresas na Bahia, nos últimos três anos, está acima da média nacional, aponta levantamento que será divulgado amanhã pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).


Enquanto o número de empresas no Brasil cresceu 10% desde 2011, na Bahia esse percentual chega a 12%. Foram aproximadamente 173 mil novas empresas no Estado desde 2011.


A pesquisa do IBPT compreende o número total de empresas ativas na Bahia até o momento e não distingue o porte delas.


O levantamento considera desde Micro Empreendedores Individuais, que faturam até R$ 60 mil anuais, até grandes empresas, que faturam mais de R$ 50 milhões por ano.


Segundo o coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, a maior geração de empresas na Bahia é decorrente do aumento de investimentos industriais, crescimento da arrecadação tributária e também aumento da receita com o turismo e o agronegócio no Estado.


“A criação de empresas é um termômetro da economia. Se você tem mais geração de empresas, quer dizer que a economia está em expansão”, afirma Amaral.


Por setor


Outro sinal que aponta o aquecimento da economia baiana, segundo Amaral, é o crescimento nos setores de supermercados e alimentação, além de atividades ligadas à beleza, como salões de beleza, e demais cuidados pessoais.


“O crescimento dessas atividades é típico de economias em desenvolvimento. Significa que as pessoas têm dinheiro para gastar com supérfluos”, afirma o especialista.


Do total das empresas ativas no Estado, 82% estão inseridas nas categorias de micro, pequenas empresas e Micro Empreendedor Individual - pessoas que trabalham por conta própria e que se legalizam como pequeno empresário.


O alto número de Micro Empreendedores Individuais também chama atenção na pesquisa. Dos 82% citados anteriormente, 50% são empreendedores individuais. A categoria foi criada em 2008 para facilitar o registro deste tipo de negócio.


Já entre as médias empresas, o percentual fica em 11%. Somente 7% das empresas baianas podem ser consideradas de grande porte.


“A Bahia tem proporcionalmente mais MEI, micro e pequenas empresas do que os estados do Sul e Sudeste”, diz Amaral.


De acordo com o especialista do IBPT, o baixo número de grandes empresas reflete a falta de investimento expressivos em décadas anteriores, em toda a região.


Impasse


“O Nordeste durante muito tempo foi discriminado pelo setor financeiro e grandes indústrias”, conta Amaral. Ele aponta a logística como o principal impasse da Bahia no passado.


O levantamento também listou a quantidade de empresas presentes nos 200 municípios mais empreendedores da Bahia.


Os cinco municípios baianos com mais empresas - Salvador, Feira de Santana, Lauro de Freitas, Vitória da Conquista e Itabuna - concentram 42,31% de todas as empresas do Estado.


De acordo com a economista e coordenadora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Isabel Ribeiro, a atração de indústria para o interior do Estado pode impulsionar a economia local e aumentar também o número de micro e pequenas empresas.


“Geralmente esses empreendimentos precisam de uma cadeia de fornecedores ao seu redor, eles não são autônomos”, afirma Isabel Ribeiro. “Quando uma fábrica se instala surge uma série de conjuntos habitacionais. Com a habitação, chegam o comércio e os serviços. As pessoas recebem renda e precisam de habitar, comer, etc”, completa.


Há também destaque para Barreiras, que está entre os dez municípios mais empreendedores e gerou 11,5% mais empresas em 2012, quando comparado a 2011. Foram mais de 2,3 mil empresas novas desde então.




Mais de 30% dos empreendimentos ;; têm menos de 3 a anos de existência


Mais de 30% das empresas baianas têm menos de três ”, anos de idade. E apenas 16% têm de cinco a nove anos. a Segundo o coordenador de s estudos do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tribus tação (IBPT), Gilberto Luiz do o Amaral, o baixo número de empresas com menos de 10 anos ou mais (25%) aponta a grande mortalidade de empresas no Estado. A idade média das empresas é de oito anos.


“A primeira causa de morte das empresas é a falta de planejamento e profissionalização do empreendedor. A segunda causa é a questão da burocracia e alta carga tributária”, afirma Amaral.


O terceiro complicador para a baixa longevidade das empresas é a dificuldade de acesso ao crédito, aponta o pesquisador.


“Apesar do aumento nas linhas de crédito, a burocracia para o acesso ainda é relevante, principalmente para as pequenas empresas. Nós temos poucos agentes de crédito especializado nas micro e pequenas empresas”, diz o coordenador do IBPT.


Informatização


A quarta razão de mortalidade das empresas é a dificuldade de implementar sistemas informatizados de gestão para os negócios.


“Os software são muitos caros e complexos para as micro e pequenas empresas. Hoje você tem um volume de transações relevantes, se você não tiver um sistema de gestão que controle isso, o empreendedor perde tempo”, afirma Gilberto Luiz do Amaral.


Comércio é o setor que concentra o maior número de negócios


O setor que concentra o maior número de empresas na Bahia é o comércio. São mais de 435 mil empresas ativas, o que representa 47% do total. A realidade da Bahia difere do Brasil, que tem o setor de serviços como o principal gerador de empresas.


Para a economista e coordenadora do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Isabel Ribeiro, o alto número de empresas no setor se deve ao baixo capital necessário para iniciar um negócio.


“As pessoas gostam de investir no comércio do vestuário. É um tipo de atividade que tem mais facilidade de desovar, e possibilidade de não acumular estoque”, afirma Isabel Ribeiro.


Apesar do crescimento dos últimos anos, o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado da Bahia (Fecomércio), Carlos Amaral, afirma que o setor desaqueceu em 2013.


“Há muita expectativa e muita gente ainda tem medo de fazer novos investimentos. No principio deste ano, a movimentação foi muito baixa.


Atualmente ainda há um temor de que o crescimento não continue e tenha quebradeira das empresas”, afirma o presidente do Fecomércio.


Crescimento


Em termos de crescimento porcentual, o setor da indústria é o mais expressivo em criação de novas empresas.


Entre 2011 e 2012, o número de empresas ativas cresceu 15%. Já nos últimos três anos, foram mais de 11 mil novos estabelecimentos no setor.
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