Bridgestone vai dar foco a vendas aos EUA em 2015

20/11/2014

Deslocar sua principal rota de exportação da Argentina para os Estados Unidos, reforçando, paralelamente, a atuação no mercado local de reposição, onde as vendas estão em alta. Essa será a estratégia da fabricante de pneus Bridgestone para contornar a tendência de estagnação nas encomendas das montadoras no ano que vem.


A direção da empresa avalia que a escalada do dólar - que tem rondado a casa de R$ 2,60 nos últimos dias - mais os investimentos em curso na modernização de suas fábricas no Brasil abrem o caminho para a retomada das exportações ao mercado americano. Hoje, a Argentina representa cerca de 70% das exportações feitas pela Bridgestone a partir do Brasil, enquanto os Estados Unidos ficam com 10% do total. O objetivo é inverter essa relação a partir de 2015, com o mercado americano passando a responder por quase dois terços dos embarques da multinacional de origem japonesa.


Para os diretores da Bridgestone, os produtos brasileiros terão condições de brigar novamente por espaço nos Estados Unidos, que no passado chegou a absorver 25% das exportações da filial. A valorização do dólar, avaliam eles, colocou a moeda americana em patamar mais favorável a exportadores brasileiros. Ao mesmo tempo, o grupo conduz um plano de investimentos da ordem de US$ 120 milhões que vai aumentar a produtividade das fábricas de Santo André, no ABC paulista, e Camaçari, na Bahia - preparando também essas operações para atender aos mercados internacionais mais exigentes. Espera-se que os dois movimentos melhorem a competitividade dos pneus produzidos pela Bridgestone no Brasil.


Até maio, o grupo conclui a expansão de 25% da capacidade de produção de pneus de alto desempenho, os de menor resistência à rodagem, na fábrica baiana, que passará a ter potencial de montar cerca de 10 mil unidades por dia.


Já em Santo André, a fábrica está sendo modernizada com a instalação de equipamentos de alto desempenho, como quatro máquinas de montagem de pneus automatizada que reduzirem em 50% o desperdício de borracha no processo. No total, R$ 105,3 milhões estão sendo desembolsados na modernização da linha de pneus para carros de passeio na fábrica paulista. Outros R$ 34,3 milhões são investidos na mesma unidade para dobrar a produção dos pneus de tratores agrícolas, um projeto a ser concluído no primeiro semestre do ano que vem.


O deslocamento das exportações da Argentina para os Estados Unidos também tem motivos conjunturais. No país vizinho, além do mercado em baixa, o governo está restringindo a liberação de divisas para pagamento de importações. Os negócios no mercado de reposição estão entre os afetados, já que a prioridade da Casa Rosada é pagar as importações de componentes usados na produção de veículos.


Por outro lado, em alta, o consumo de veículos nos Estados Unidos está voltando aos níveis de antes da crise financeira de 2008, e a Bridgestone pode aproveitar a rede de distribuição da Firestone, comprada pelo grupo nipônico em 1988, para colocar seus produtos brasileiros no mercado americano.


O comando da subsidiária vive um momento de transição. Com a aposentadoria do argentino Ariel Depascuali após 15 anos no grupo, o executivo brasileiro Fabio Fossen deixou a Coca-Cola Femsa, onde era diretor comercial, para assumir no início deste mês a presidência da Bridgestone no Brasil.


Sua missão mais desafiadora será conduzir a empresa à liderança do mercado brasileiro de pneus. Maior fabricante desse produto no mundo, a Bridgestone, no Brasil, perde em vendas para Pirelli e Goodyear.


Em entrevista a jornalistas na fábrica da empresa em Santo André, Depascuali, que está deixando a Bridgestone, mas ainda participa da fase de transição da empresa, diz que é possível sonhar com o primeiro lugar nos próximos dez anos. Fossen, contudo, trabalha com um prazo mais apertado para esse objetivo.


"Gostaria que o Ariel fosse meu chefe. Meu chefe de verdade me deu uma missão mais agressiva", brincou o executivo, sem revelar, contudo, em quanto tempo pretende alcançar a liderança no Brasil.


Nos próximos anos, seu foco será reforçar a rede de distribuição de mais de 600 pontos de venda da companhia e fazer com que a Bridgestone seja uma marca mais conhecida no país, uma estratégia que inclui investimentos mais pesados em marketing e o patrocínio de grandes eventos esportivos, como a Copa Libertadores, de futebol, e os Jogos Olímpicos que serão realizados no Rio de Janeiro em 2016.
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