Produtos de uso industrial investem US$ 4 bi até 2019

18/12/2014

Por Domingos Zaparolli | De São Paulo


Os investimentos programados pelo segmento de produtos de uso industrial, responsável por 45% do faturamento do setor químico (US$ 69,7 bilhões em 2014), somam US$ 4 bilhões no período de 2015 a 2019. Em 2014 somaram US$ 1,8 bilhão. Esses produtos são a base da cadeia produtiva dos químicos de uso final, como perfumes, cosméticos, remédios, fertilizantes, defensivos agrícolas, tintas, vernizes e produtos de limpeza.


Um dos principais empreendimentos novos nesse segmento é o complexo acrílico que a Basf ergue em Camaçari, na Bahia, com investimentos de € 500 milhões. Será a primeira fábrica na América do Sul de ácido acrílico e superabsorventes, insumos utilizados em produtos de higiene pessoal, como fraldas, e em químicos para a construção civil, como resinas acrílicas para tintas e adesivos. A construção do complexo foi iniciada em 2012 e deve terminar em 2015.


Como observa Fernando Figueiredo, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), com exceção do novo complexo da Basf, os demais investimentos em curso não agregam novas opções significativas ao portfólio químico do país. Portanto, possuem baixo impacto sobre a balança comercial do setor. São importantes, porém, para o posicionamento estratégico das companhias em seus mercados.


A Solvay, controladora da Rhodia, está reformulando seus negócios globais, com impactos positivos em seus investimentos no Brasil. O grupo optou por se desfazer de suas fábricas de cloro-soda, matéria-prima do PVC, chegando a acertar a venda no fim de 2013 de suas unidades no Brasil e na Argentina para a Braskem, negócio que foi vetado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em novembro.


Enquanto procura um novo destino para o negócio de cloro-soda, a Solvay realizou em 2014 seu investimento mais significativo no país nos últimos anos, US$ 100 milhões, na aquisição de empreendimentos voltados para especialidades químicas para o agronegócio e para produtos de cuidado pessoal. Uma das compras foi a dos ativos industriais da Erca Química, produtora de surfactantes. Outra empresa adquirida foi a Dhaymers, fabricante de ésteres especiais, abrindo a possibilidade da Solvay de entrar no segmento de cuidados com a pele na América Latina.


"Agronegócio e personal care são mercados que vão bem no Brasil, com crescimento acima da média. Para 2015, programamos novos investimentos nesses segmentos", diz Denise Porcelli, presidente da Solvay na América Latina,


O grupo também fechou uma parceria com a GranBio, especializada em biotecnologia, para a construção de uma fábrica de bio n-butanol, insumo industrial de tintas e solventes. A parceria prevê a instalação de um laboratório de pesquisa para a bioquímica industrial, que vai ser inaugurado no primeiro trimestre de 2015, com foco no desenvolvimento de moléculas e rotas para moléculas existentes a partir da biomassa.


A Elekeiroz, fabricante de intermediários químicos do grupo Itaúsa, tem dois projetos em curso, segundo seu diretor presidente Marcos De Marchi. O mais avançado é um investimento de R$ 70 milhões, que inclui a aquisição, realizada em dezembro de 2013, da unidade de gás-oxo da Air Products no polo industrial de Camaçari e a interligação da unidade adquirida com as instalações da companhia no polo baiano, trabalho em fase de conclusão.


A aquisição amplia o acesso a insumos que permitirão à companhia ganhar competitividade em butanol e octanol, intermediários para a produção de plastificantes. "Ter escala e produtividade nesse segmento de mercado é importante, principalmente diante da forte concorrência apresentada por produtores asiáticos", diz De Marchi. O segundo projeto, ainda em estudo de engenharia, envolve a construção de uma unidade para transformar gás de síntese em alcoóis, outro intermediário para plastificantes. A tecnologia para isso já foi adquirida pela empresa brasileira nos Estados Unidos.
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