Com o início da produção do Complexo Acrílico da Basf, ainda em fase pré-operacional, o Polo Industrial de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), ganha sobrefôlego para enfrentar os cenários até então nada animadores da economia nacional.
O empreendimento - o maior projeto em desenvolvimento no Polo e mais expressivo investimento da Basf fora da Alemanha (R$ 1,2 bilhão) - terá impacto significativo na balança comercial baiana, amenizando os efeitos da alta do dólar.
A nova perspectiva para o Polo e a indústria química nacional se dá justamente porque as principais matérias-primas do setor, já em fabricação pela Basf no complexo baiano, até então só eram produzidas fora do Brasil. "Ou seja, com o Polo Acrílico, tais itens deixarão ser importados e ainda passarão a ser exportados, o que faz com que esse projeto seja ainda mais importante no momento atual da economia brasileira", afirma o superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Mauro Pereira.
As previsões iniciais são de que o Polo Acrílico baiano favoreça a balança comercial em cerca de US$ 300 milhões: US$ 200 milhões da substituição de importações e US$ 100 milhões das exportações dos produtos.
Pelas estimativas do Cofic, o empreendimento deve dar início à produção em escala comercial até o início do segundo semestre. No momento, a empresa está na chamada fase de comissionamento da planta, quando são feitos testes de engenharia diversos, em processo produtivo crescente, até chegar a capacidade de produção em escala global: mais de 160 mil toneladas por ano.
Fábricas - O complexo reúne três fábricas, que vão produzir ácido acrílico, acrilato de butila e polímeros super absorventes. São matérias-primas usadas, por exemplo, em tintas, resinas, adesivos, fraldas descartáveis, absorventes íntimos, além da aplicação nas indústrias têxtil e de construção.
Para a economia local, o empreendimento representa a geração de 230 empregos diretos e 600 indiretos. Nacionalmente, destaca-se pelo efeito positivo em cadeia no setor químico e no comércio externo brasileiro, já que o complexo baiano fará com que o país deixe a condição de importador para passar a ser exportador dos produtos.
Ao contrário do pessimismo do mercado, a Basf tem boas projeções para 2015: "Será um ano extremamente importante, pois consolidaremos as operações do primeiro Complexo Acrílico da América do Sul", afirma Ralph Schweens, presidente da empresa para o subcontinente. "A planta teve investimento de cerca de 500 milhões de euros, maior aporte da Basf ao longo de sua história de mais de 100 anos na América do Sul, e trará mais inovação à indústria de Camaçari, possibilitando a vinda de outros investimentos na região, diversificando as atividades e atraindo novas empresas do Polo Industrial", completa.