Daniela Castro
Em 2022, será possível ter em casa vinhos de alta qualidade feitos com uvas colhidas a cerca de 400 quilômetros de Salvador. Pelo menos é essa a perspectiva do Projeto de "Avaliação Técnica e Econômica de Videiras Viníferas e de Culturas de Clima Temperado em Morro do Chapéu", que já caminha a passos largos na Chapada Diamantina.
Implantada em 2009, com apoio da Embrapa, governo do Estado e prefeitura do município, a iniciativa conta com a cooperação técnica da Cave Coopérative Des Riceys, da região de Champagne, na França, para alcançar o topo na escala da qualidade.
No último sábado (08.08), dia em que a cidade esteve em festa por conta de seu 106° aniversário, o presidente da Riceys, Christian Jojot, foi conferir in loco os resultados alcançados pelo projeto, que já rendeu três safras.
Aposta no espumante - "Nós plantamos aqui 10 variedades de uvas da França, através de um importador de Minas Gerais. Das 10, dá para ver que algumas não se adaptaram. Mas outras, como Chardonay e Pinot Noir são interessantes para fazer espumante. Já a Syrah e Cabernet Sauvignon podem ser usadas para vinhos tintos", avaliou, enquanto saboreava uma taça de espumante produzido ainda de modo experimental.
"Está tudo no início, é tudo muito novo. A videira precisa de tempo. Mas o futuro é promissor. Essas variedades estão produzindo bem e o espumante permite dizer que tem um potencial muito grande para a região", acrescentou.
Para se comunicar com os baianos, Jojot contou com a ajuda de Giuliano Pereira, pesquisador da Embrapa de Pe-trolina, que explicou porque a instituição está otimista.
"É uma região tropical de altitude, estamos a 1.100 metros. O clima é interessante, não é tão quente quanto Petrolina, nem frio como em Bordeaux. E nos chamou atenção a amplitude térmica ao longo do ano. Faz frio à noite, calor durante o dia", enumera Pereira.
"O clima está sendo muito bom, o solo muito interessante e os vinhos estão apresentando tipicidade. Isso é que é importante. Os vinhos de Morro do Chapéu são diferentes dos de Petrolina, Bento Gonçalves ou Califórnia. Ou seja, estão apresentando uma identidade regional. É isso que se busca no mundo dos vinhos", diz o pesquisador.
Sete anos -O pesquisador aproveita para fazer suas contas. "Estamos no terceiro ano e na Europa se diz que vinho bom se faz a partir de dez, então faltam sete. O futuro é promissor para a produção de vinhos de alta gama. E esperamos que isso tenha repercussão no Brasil e também no exterior".
Enquanto aguarda a próxima colheita, programada para o mês que vem, o projeto de Morro do Chapéu já está sendo replicado para a iniciativa privada no município de Mucugê, em uma área de 30 mil hectares, mesmo tamanho da área plantada na região de Champagne, na França.