Banco do Brasil prevê liberar R$ 3,1 bi para o setor automotivo

20/08/2015


Um dia após a Caixa Econômica Federal divulgar a liberação de cerca de R$ 5 bilhões para o setor automotivo, foi a vez de o Banco do Brasil anunciar, nesta quarta-feira (20.08), medidas de apoio à cadeia produtiva do setor.


A primeira etapa do protocolo assinado entre o BB, a Anfavea (associação dos fabricantes de veículos) e o Sindipeças (indústria de autopeças) terá acordos envolvendo 26 empresas-âncora. Essas empresas “emprestarão” sua maior capacidade financeira como garantia para a oferta de crédito aos fornecedores de sua cadeia.


Ou seja, com compromissos firmados por parte das âncoras, os riscos de crédito das operações são reduzidos, e as empresas do início da cadeia produtiva ganham acesso a condições e taxas semelhantes às de empresas de maior porte, ou seja, melhores.


A estimativa é que o Banco do Brasil antecipe R$ 3,1 bilhões para fornecedores estratégicos dessas empresas até o fim do ano, para produtos entregues ou não.


O banco receberá das empresas-âncora uma programação de encomendas para um grupo de fornecedores, ao longo de certo período, e antecipará aos fornecedoresos valores que seriam recebidospelo total das entregas. “Não é subsídio, as taxas são de mercado, mesmo porque precisamos dar retorno aos acionistas, mas aprimoramos nossa análise de crédito para as empresas da cadeia automotiva”, diz Alexandre Correa Abreu, presidente do Banco do Brasil.


As medidas integram um programa maior do governo de ajuda a grandes setores industriais do país, articulado por Aloizio Mercadante (Casa Civil) comas pastas da Fazenda, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. “O espírito é o mesmo das medidas da Caixa e está alinhado com os ajustes macroeconômicos promovidos pelo governo, que consideramos fundamentais”, Luiz Moan Yabiku Júnior, presidente da Anfavea.


O BB tem mais 500 grupos na mira para ações do gênero, como incorporadoras e grandes exportadoras, e prevê o desembolso de R$ 9 bilhões. O banco já elevou em R$ 15 bilhões o limite sistêmico de crédito de 354empresas líderes, para o adiantamento a fornecedores.


Ministro -O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, garantiu que a decisão de liberar crédito em condições mais favoráveis a alguns setores via bancos públicos não compromete o ajuste fiscal, pois as operações são “comerciais”.


As linhas, que são voltadas para capital de giro e investimentos, são algo “absolutamente.normal”, argumentou o ministro, que participou da cerimônia de abertura do 34º Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), no Rio.


“A linha mais especial é para o transporte público, que é importante, é uma prioridade, é eficiente e sustentável para o meio ambiente. O resto é uma operação mais comercial, na qual a gente apoia os fornecedores usando o próprio valor (de contratos) como qualidade de crédito das montadoras”, disse.


Em seu discurso, Levy bateu algumas vezes na tecla da “horizontalidade”, ou seja, da formulação de políticas que não privilegiem um ou outro setor da economia.


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