Decreto autoriza privatização do aeroporto de Salvador

14/09/2015

Joyce de Sousa


Mesmo com redução das ex­pectativas dos investidores internacionais quanto à eco­nomia brasileira, o governo baiano aposta em um leilão concorrido para a privatiza­ção do aeroporto de Salva­dor. “Os projetos das empre­sas interessadas não são fo­cados na conjuntura atual do país, mas num retorno de longo prazo, com base no po­tencial turístico do estado”, afirmou o secretário de Infraestrutura, Marcus Caval­canti.


O gestor comemorou a pu­blicação, ontem, no Diário Oficial da União, do decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff, que inclui o aeroporto da capital baiana no Programa Nacional de Desestatização (PND) – jun­tamente com os equipa­mentos de Florianópolis (SC), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS).


Na prática, a me­dida apenas oficializa a con­cessão que já havia sido anunciada pelo governo fe­deral como parte da segun­da etapa do Programa de In­vestimentos em Logística (PIL).


Embora a gestão dos ae­roportos de Salvador e Ilhéus, no sul do estado, se­jam, atualmente, de respon­sabilidade da Infraero, em­presa vinculada à Secretaria de Aviação Civil (SAC), o se­cretário estadual revela que vem acompanhando o inte­resse de empresários em participar do certame.


“Cla­ro que ainda há uma expec­tativa quanto às taxas de re­torno a serem fixadas nos editais, mas os investidores estão cientes do potencial de crescimento do aeroporto baiano, inclusive para a am­pliação de voos internacio­nais, sobretudo, para a Ásia, incluindo toda a região do Oriente Médio”, disse.


Investimentos -Com a privatização, a Infraero passaria a ser sócia das empresas que vencerem o leilão de concessão. Para participar do certame, pre­visto para o primeiro tri­mestre do ano que vem, será preciso apresentar projetos, orçados pela SAC em R$ 3 bilhões, para as interven­ções mínimas exigidas: am­pliação do terminal de pas­sageiros e construção de uma segunda pista para pouso e decolagens.


“A pri­vatização tem sido um mo­delo acertado para a melho­ria da infraestrutura de ae­roportos em todo o país, a exemplo do que já vem ocor­rendo em Brasília e Guarulhos (SP)”, afirmou Caval­canti.“Apenas a construção da segunda pista, por exemplo, já representa um bom atra­tivo para a captação de voosinternacionais para Salva­dor”, frisou Cavalcanti.


Ele ressalta que o equipamento baiano já opera acima da ca­pacidade e sem condições de atender os horários de pico: de manhã, meio dia e finalda tarde/início da noite.


Dentre os problemas desta­cados pelo secretário estão: poucos fingers(túneis para embarque e desembarque direto dos passageiros), áreas restritas para estacio­namento das aeronaves, além da única pista da pouso e decolagens. “Hoje, quando a pista precisa fazer manu­tenção ou há qualquer obs­trução, é preciso redirecio­nar as aeronaves para outros aeroportos”.


Governo baiano deve seguir modelo federal


O governo baiano deve se­guir o mesmo caminho do governo federal, apostando na privatização para melho­rar as condições dos aero­portos no estado. De acordo com o secretário de Infraes-trutura, Marcus Cavalcanti, já estão em fase de conclu­são na Secretaria da Aviação Civil as análises técnicas en­caminhadas pelo governo estadual para também pro­mover leilões e privatizar ae­roportos regionais.


Os equipamentos de Bar­reiras, Teixeira de Freitas, Lençóis e Comandatuba se­riam os primeiros a serem concedidos para gestão pela iniciativa privada, seguindo o modelo federal.“A nossa intenção é que esses aeroportos já estejam operando pela iniciativa pri­vada até o final do primeiro semestre do ano que vem”, disse Cavalcanti.


Barreiras -Em junho, o secretário já ha­via antecipado ao A TARDE a previsão de obras para os equipamentos, a serem con­tratadas até o final do ano que vem.Para Barreiras, os inves­timentos previstos são da ordem de R$ 60 milhões. Já para Lençóis, R$ 25 mi­lhões; e, Teixeira de Freitas,


Aeroporto de Feira registrou no primeiro semestre deste ano fluxo de 12 mil passageiros


Já operando comercial­mente desde o segundo se­mestredo ano passado, o ae­roporto de Feira de Santana também deve passar por melhorias orçadas em R$ 150 milhões. Para o equi­pamento, está prevista até a construção de um terminal de cargas.


Segundo levantamento feito pela Seinfra, o aeropor­to de Feira registrou, no primeiro semestre deste ano, fluxo de 12 mil passa­geiros, e Teixeira de Freitas, 13 mil, números apontados como exemplos da viabili­dade econômica para os in­vestimentos da iniciativa privada.


Além de Feira de Santana, apenas outros três equipa­mentos do total de 82 ae­roportos e aeródromos re­gionais,são hoje geridos por empresas privadas na Bahia. São os de Porto Se­guro, Valença e Vitória da Conquista.



Tags
destaque 2