Joyce de Sousa
Mesmo com redução das expectativas dos investidores internacionais quanto à economia brasileira, o governo baiano aposta em um leilão concorrido para a privatização do aeroporto de Salvador. “Os projetos das empresas interessadas não são focados na conjuntura atual do país, mas num retorno de longo prazo, com base no potencial turístico do estado”, afirmou o secretário de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti.
O gestor comemorou a publicação, ontem, no Diário Oficial da União, do decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff, que inclui o aeroporto da capital baiana no Programa Nacional de Desestatização (PND) – juntamente com os equipamentos de Florianópolis (SC), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS).
Na prática, a medida apenas oficializa a concessão que já havia sido anunciada pelo governo federal como parte da segunda etapa do Programa de Investimentos em Logística (PIL).
Embora a gestão dos aeroportos de Salvador e Ilhéus, no sul do estado, sejam, atualmente, de responsabilidade da Infraero, empresa vinculada à Secretaria de Aviação Civil (SAC), o secretário estadual revela que vem acompanhando o interesse de empresários em participar do certame.
“Claro que ainda há uma expectativa quanto às taxas de retorno a serem fixadas nos editais, mas os investidores estão cientes do potencial de crescimento do aeroporto baiano, inclusive para a ampliação de voos internacionais, sobretudo, para a Ásia, incluindo toda a região do Oriente Médio”, disse.
Investimentos -Com a privatização, a Infraero passaria a ser sócia das empresas que vencerem o leilão de concessão. Para participar do certame, previsto para o primeiro trimestre do ano que vem, será preciso apresentar projetos, orçados pela SAC em R$ 3 bilhões, para as intervenções mínimas exigidas: ampliação do terminal de passageiros e construção de uma segunda pista para pouso e decolagens.
“A privatização tem sido um modelo acertado para a melhoria da infraestrutura de aeroportos em todo o país, a exemplo do que já vem ocorrendo em Brasília e Guarulhos (SP)”, afirmou Cavalcanti.“Apenas a construção da segunda pista, por exemplo, já representa um bom atrativo para a captação de voosinternacionais para Salvador”, frisou Cavalcanti.
Ele ressalta que o equipamento baiano já opera acima da capacidade e sem condições de atender os horários de pico: de manhã, meio dia e finalda tarde/início da noite.
Dentre os problemas destacados pelo secretário estão: poucos fingers(túneis para embarque e desembarque direto dos passageiros), áreas restritas para estacionamento das aeronaves, além da única pista da pouso e decolagens. “Hoje, quando a pista precisa fazer manutenção ou há qualquer obstrução, é preciso redirecionar as aeronaves para outros aeroportos”.
Governo baiano deve seguir modelo federal
O governo baiano deve seguir o mesmo caminho do governo federal, apostando na privatização para melhorar as condições dos aeroportos no estado. De acordo com o secretário de Infraes-trutura, Marcus Cavalcanti, já estão em fase de conclusão na Secretaria da Aviação Civil as análises técnicas encaminhadas pelo governo estadual para também promover leilões e privatizar aeroportos regionais.
Os equipamentos de Barreiras, Teixeira de Freitas, Lençóis e Comandatuba seriam os primeiros a serem concedidos para gestão pela iniciativa privada, seguindo o modelo federal.“A nossa intenção é que esses aeroportos já estejam operando pela iniciativa privada até o final do primeiro semestre do ano que vem”, disse Cavalcanti.
Barreiras -Em junho, o secretário já havia antecipado ao A TARDE a previsão de obras para os equipamentos, a serem contratadas até o final do ano que vem.Para Barreiras, os investimentos previstos são da ordem de R$ 60 milhões. Já para Lençóis, R$ 25 milhões; e, Teixeira de Freitas,
Aeroporto de Feira registrou no primeiro semestre deste ano fluxo de 12 mil passageiros
Já operando comercialmente desde o segundo semestredo ano passado, o aeroporto de Feira de Santana também deve passar por melhorias orçadas em R$ 150 milhões. Para o equipamento, está prevista até a construção de um terminal de cargas.
Segundo levantamento feito pela Seinfra, o aeroporto de Feira registrou, no primeiro semestre deste ano, fluxo de 12 mil passageiros, e Teixeira de Freitas, 13 mil, números apontados como exemplos da viabilidade econômica para os investimentos da iniciativa privada.
Além de Feira de Santana, apenas outros três equipamentos do total de 82 aeroportos e aeródromos regionais,são hoje geridos por empresas privadas na Bahia. São os de Porto Seguro, Valença e Vitória da Conquista.