28/09/2015
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) assinou esta semana um acordo para facilitar as parcerias com a SociedadeFraunhofer, da Alemanha,formada por 67 institutos deinovação. Agora, os pesquisadores dos 15 Intitutos Senai de Inovação operacionais, ou seja, que têm projetos contratados com a indústria nacional, podem acessar, de forma rápida, as inovações produzidas pelos institutos Fraunhofer, principalmente em tecnologias, que não estão disponíveis no Brasil.
Uma das áreas em que ospaíses podem atuar de formaconjunta é a de manufaturaaditiva – tecnologiade ponta que usa impressoras3D para fabricar peçasem camadas. As impressoras3D podem imprimir, porexemplo, peças para máquinasindustriais feitas deplásticosoude metais. A tecnologiaabre a possibilidadede o Brasil desenvolver produtosemparceria como setoraeronáutico para reduziro peso de estruturas de aeronaves,por exemplo, oucomo setor automotivo, paracriar peças mais complexase mais baratas, aumentandoa competitividade deempresas nacionais e alemãs.
A Alemanha foi o quartoprincipal parceiro comercialbrasileiro em 2014, mas62,7% das exportações brasileiraspara o país ainda sãocompostas por produtos básicos,comdestaque para café,minérios, farelo de soja esoja em grãos. No caso dasimportações, os produtosmanufaturados somaram95,6% do total em 2014, representadossobretudo por
máquinas mecânicas, automóveise produtos farmacêuticos.
O gerente de tecnologia einovação do Senai, MarceloPrim, disse que o acordo assinadodurante o 33º Encontro Econômico Brasil Alemanha(EEBA), em Joinville,Santa Catarina, é um memorandode entendimento quemuda o patamar da relaçãoentre os dois países nessesetor. Ele explica que os institutosbrasileiros passaramde contratantes de serviçospara parceiros comerciaisem projetos de tecnologia einovação. “A gente está aproximandoas redes de tal maneiraque, quando surgiremdemandas de inovação daindústria brasileira emáreas em que não temoscompetência técnica, a gentepossa rapidamente contratarm instituto da Fraunhofer para atuar lado a ladonesse projeto”.
Projetos contratados
Há quatro anos, o Senai contratouo Instituto FraunhoferIPK, de Berlim, especialistaem capital intelectual,para transferir o conhecimentoda instituição no planejamentoe criação de núcleosde inovação no Brasil.O custo dessa transferênciade conhecimento é de cercade 1 milhão de eurospor ano deve durar até 2019. Segundoa Confederação Nacionaldas Indústrias (CNI),os institutos Senai de Inovaçãoque foram criadostêm 122 projetos contratadoscom empresas no valortotal de R$ 142,5 milhões.
Marcelo Prim conta queinvestir em capital humanoé o ponto de partida para aestruturação da inovação,mas que ainda é desafioaproveitar o conhecimentoproduzido pelas universidadesbrasileiras para inovar aindústria nacional. Ele explicaque a Fraunhofer ajudouo Senai neste ponto, nadefinição de qual o capitalhumano é necessário paracada instituto. “Nos ajudarama estruturar os 26 institutos,passando por fasesde planejamento estratégico,implementação e monitoramento.Estão ensinandoa equipe na prática”.
Salvador é destaque
Para o especialista, a formaçãode capital humano altamentequalificado no Brasilé do interesse dos doisgovernos, sociedades, academiase indústrias. “Quantomais profissionais altamentequalificadostransitarementreBrasileAlemanha
e quanto mais pontes e pesquisadoresestiverem capacitadospara fazer transferênciatecnológica entre ospaíses, maior será o volumede negócios. Éumganha-ganha”,afirma.
Segundo o gerente, o Institutode Salvador é um doscasos de sucesso. O Instituto,voltado para automação, foiplanejado coma Fraunhofere desenvolve veículos autônomossubmarinos para reparoem dutos da exploração de petróleo em alto-mar.“O planejamento foi feitoem parceria e resultou nacriação do Instituto de Robótica Brasil-Alemanha,instaladodentrodo Senai deInovação de Salvador. A tecnologiafoi desenvolvida emconjunto por brasileiros ealemães para uma indústriamultinacional de exploraçãode petróleo no Brasil,que custeou as pesquisas”.