O governador Rui Costa e o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Ricardo Alban, devem se reunir nesta quarta-feira (10.11), em Brasília, com o ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga. Na pauta, a defesa de um acordo de longo prazo para a nafta.
“Vamos até o ministro pressionar por um contrato de longo prazo”, afirmou Rui Costa, em nota divulgada pela assessoria de imprensa. Alban embarcou nesta terça-feira para a capital federal, onde deve permanecer, pelo menos, até quinta-feira, para também participar da décima edição do Encontro Nacional da Indústria (Enai). A expectativa é que a questão também tome conta das discussões de bastidores do evento, sobretudo, entre os empresários do setor de químicos e petroquímicos de todo o país.
A nafta, produzida pela Petrobras, é um subproduto do refino do petróleo considerado essencial para a indústria nacional. O setor petroquímico e toda a cadeia produtiva derivada vivem em clima de incerteza desde 2013, quando a falta de consenso nas negociações entrea Petrobras e a Braskem acerca do preço do produto fizeram com que os contratos, até então de cinco anos, fossem firmados em curto prazo.
Desde então, foram três aditivos de seis meses, um de dois meses, firmado em agosto, e o último, de apenas 45 dias, fechado em 31 de outubro. Na ocasião, o ministro Eduardo Braga falou da expectativa de um acordo definitivo entre a estatal e a empresa química até 15 de dezembro.
Camaçari -De acordo com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social (SDE), somente no Polo de Camaçari, a Braskem fornece os subprodutos da nafta diretamente para 35 das cerca de 90 indústrias instaladas no complexo, que por sua vez, abastecem indiretamente as demais.
“A petroquímica responde por quase metade (48%) do valor bruto da produção do setor químico local e suas exportações, agregadas às do conjunto deste setor, lideram a pauta de exportações baianas”, frisa a secretaria em nota.
O secretário Jorge Hereda também integra a comitiva baiana, liderada por Rui Costa. Senadores e deputados da bancada estadual também foram convocados para reforçar, junto ao ministro Eduardo Braga, o quanto a questão é importante para a economia baiana.
O estado vem perdendo em competitividade e em investimentos diretos, a exemplo do caso da empresa química alemã Styrolu-tion que adiou os projetos de instalação no Polo de Camaçari, por conta da indefinição em relação ao fornecimento da nafta para longo prazo.
No caso das empresas já instaladas, o insumo já é considerado fundamental para o Polo de Camaçari, maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul. Com faturamento anual de US$ 15 bilhões e geração de R$ 1 bilhão de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o complexo representa ativos de US$ 22 bilhões, gerando 15 mil empregos diretos.