Investimento em energias renováveis bate recorde

23/11/2015


No último dia 2 de novembro, a geração de energia eólica (a partir dos ventos) alcançou inéditos 10% de toda a eletricidade gerada no país, chegando a responder, inclusive, por cerca de 45% da carga na Região Nordeste, onde ultrapassou as hidrelétricas.Já a solar começa a dar seus primeiros passos, após dois leilões bem-sucedidos neste ano.


Em tempos de reservatórios vazios e questionamentos ambientais envolvendo a construção de usinas, as duas fontes renováveis projetam R$ 36 bilhões em investimentos até 2019. Um recorde. Mas, apesar dos investimentos crescentes, há o outro lado da moeda. Sob o efeito colateral das incertezas provocadas pela crise econômica e pelo aumento do dólar, os leilões de novos projetos eólicos e solares vêm se deparando com um avanço do preço do megawatt- hora (MWh) médio neste ano em relação a 2014.


Em alguns casos ,a alta chega a 38%, aumento que o consumidor vai sentir no bolso quando esses projetos começarem a gerar energia. Com base nos leilões de energia organizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a tarifa média das eólicas, por exemplo, atingiu há duas semanas R$ 203,46 por MWh, aumento de 38%, ante o certame de novembro de 2014 (R$ 147,49 por MWh). No caso da solar, o valor subiu 38,4%, de R$ 215,12 por MWh, no ano passado, para R$ 297,75 por MWh neste ano.


“Há um aumento claro da percepção de risco no Brasil. Os custos de financiamento estão mais altos. Há ainda a variação do preço do dólar. Mas, apesar desse avanço nos custos, as fontes renováveis vão continuar crescendo com força”, diz Thais Prandini, diretora executiva da Thymos.


Élbia Silva Gannoum, presidente executiva da Abeeólica, associação que reúne as empresas do setor, diz que, mesmo com as incertezas atuais da economia, o segmento parece uma “ilha de prosperidade”. A estimativa é chegar a 2019 com potencial para gerar 20% de toda a energia do sistema elétrico do Brasil, um total de 18.600 megawatts (GW) e R$ 24 bilhões de investimentos.


“O crescimento seria maior se houvesse mais linhas de transmissão no país, já que hoje só vão a leilão usinas eólicas que contam comas linhas prontas. A medida visa a evitar problemas como os que tínhamos antes, ao ter um parque eólico pronto sem poder jogar essa energia no sistema. Se não fosse a eólica, o Nordeste teria tido racionamento. Lá, geramos mais energia que as hidrelétricas”, diz Elbia.


Setor solar registra expansão -E o sol também promete brilhar forte. Rodrigo Sauaia, diretor executivo da Absolar, destaca que, apesar de o dólar alto ter influenciado o custo da geração da energia solar para o consumidor, o setor vive um divisor de águas em 2015.


Os dois leilões realizados neste ano vão adicionar 3.300 MW ao sistema já em 2018, gerando um investimento de cerca de R$ 12 bilhões. “Estamos dando a largada para a criação de um mercado solar. A crise econômica influencia um pouco. Mas o dólar alto é o principal fator, já que os equipamentos são importados. Agora, o trabalho é desenvolver uma cadeia de fornecedores para o Brasil, assim como já ocorre com a eólica”, explica Sauaia. Mercado maduro Michael Taylor, analista sênior da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), diz que o Brasil se beneficia, por desenvolver as fontes eólica e solar após o mercado mundial estar mais maduro, o que garante custos menores.


Além disso, há um atrativo a mais no Brasil. Segundo Taylor, o fator de aproveitamento solar no Brasil – ou seja, quanto do que é captado vira energia – varia entre 23% e 26% e o da eólica, oscila ente 32% e 55%, acima, afirma ele, do resto do mundo.


“As energias eólica e solar vêm crescendo muito porque estão ficando mais competitivas, e as economias estão buscando uma matriz mais limpa. Em 2015, no mundo, a solar vai adicionar 55.000 MW em nova capacidade, pouco menor que os 58.000 MW da eólica. Além de países como China e Índia, emergentes como o Brasil vêm se destacando”, diz.



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