22/02/2016
Em tempos de crise, onde boa parte da população tem buscado, principalmente, a economia, os tradicionais mercadinhos de bairros podem ser solução para quem ter um dinheiro sobrando no final do mês.
Com alguns itens a preços mais atrativos do que nas grandes redes, esses estabelecimentos vem atraindo cada vez mais consumidores que querem pagar menos pelas compras.
De acordo com a Associação Baiana de Supermercados (Abase), estima-se que, das 600 empresas associadas a instituição, aproximadamente 98% delas são compostas por pequenos e médios supermercados.
Esse grupo movimenta, por ano, pouco mais de R$ 3 bilhões na economia, vendendo produtos a preços mais em conta. Em alguns lugares, a diferença de valores – se comparada aos grandes – fica de R$ 0,10 até mesmo R$ 0,50 mais barato.
“Eles são muito importantes por que geram riqueza no bairro e auxiliam a circular dinheiro por lá mesmo. Além disso, ajudam na questão da mobilidade, uma vez que os consumidores não precisam se dirigir a grandes estabelecimentos perdendo tempo com trânsito ou no gasto do combustível, por exemplo, Sem contar a contribuição do desenvolvimento social do bairro onde estão localizados, já que um comércio desses abre brecha para a abertura de outras ofertas de serviço”, comentou Rogério Machado, consultor de varejo da Abase.
Para se ter uma idéia, o preço da manteiga (200 g) em um grande supermercado que fica na região da Rótula do Abacaxi, custa a partir de R$ 4,49.
O mesmo produto, mas em um mercadinho que fica no bairro da Caixa D’Água tem o valor R$ 0,20 menor. Já o litro do leite que vale a partir de R$ 3,49 no primeiro estabelecimento, custa cerca de R$ 2,99 em um ponto de venda que fica no bairro do Pau Miúdo.
Outro item bastante consumido pelo soteropolitano e faz parte da cesta básica, a farinha é encontrada por até R$ 2,79 nos mercadinhos, contra quase R$ 5 no supermercado. Indispensável na primeira refeição do dia de muita gente, o café chega a custar R$ 2,79 nos pequenos estabelecimentos contra R$ 3,29 nos grandes. Para a limpeza da casa, a água sanitária tem o valor R$ 0,30 menor, assim como o desinfetante – diferença de R$ 0,40.
“Muitas pessoas que trabalham nesses lugares são pessoas da mesma família, o que baixa bastante o custo operacional, ao contrário dos grandes mercados em que há muitas pessoas realizando diversas funções e isso acaba encarecendo o preço final do produto.
Além disso, no mercado de bairro, caso perceba algo de errado, o cliente pode agir mais rápido junto ao gerente, ao contrário de uma rede maior. Contudo, os consumidores estão mais exigentes com relação aos serviços e os mercadinhos estão atentos a essa demanda”, analisou Machado.
Estratégias
E é justamente essa proximidade com o consumidor que acaba fazendo o diferencial. Além disso, os pequenos mercados adotam estratégias para manter o cliente cada vez mais fidelizado ao estabelecimento.
Em um mercadinho que fica no bairro da Caixa D’Água, há 15 anos, a cada R$ 200 em compras, as compras do cliente são levadas até em casa, sem que isso gere um custo a mais a ele.
Por lá, o número de caixas aumentou e a intenção é a de que mais ampliações possam ocorrer. “Fazemos também uma forte divulgação de propaganda e até chegamos a tirar a margem de lucro de um produto para chamar a atenção”, contou o gerente de um mercadinho que fica no bairro do Pau Miúdo, também há pouco mais de 15 anos.
Para a aposentada, Maria Angélica, moradora da região, a ida ao mercadinho do bairro compensa mesmo quando os preços de alguns itens são mais caros do que os encontrados nos grandes supermercados. “Acredito que o deslocamento não compensa e dá, sim, para economizar um dinheirinho no final do mês. Praticamente faço todas as minhas compras aqui, pertinho de casa”, disse.
Pesquisa é importante para fazer a melhor escolha
Contudo, antes de sair por aí de forma desenfreada e fazer as compras no primeiro mercadinho que aparecer pela frente, vale aquela dica de estar sempre fazendo pesquisas no intuito de verificar qual o melhor preço para caber no bolso. Confirmando o que já havia afirmado a aposentada Maria Angélica, alguns preços de produtos em mercadinhos também chegam a ser semelhantes aos vistos nas grandes redes ou até mesmo mais caros.
Alguns exemplos podem ser encontrados naqueles itens que fazem parte da cesta básica, como o feijão, que custa R$ 5,18 no supermercado e R$ 5,39 no mercadinho, arroz (R$ 2,35 contra R$ 2,39), óleo de cozinha (R$ 3,49 contra R$ 3,79) e açúcar (R$ 2,75 contra R$ 2,99). Com relação os produtos de limpeza, chamam a atenção o detergente (R$ 1,20 nos locais pesquisados) e o sabão em pó (R$ 3,99 contra R$ 4,09).
“Acredito que os dois mercados podem conviver de forma harmônica, uma vez que atinge a públicos distintos. Apesar de os preços serem mais em conta do que nos grandes supermercados, os pequenos estabelecimentos não possuem uma grande variedade de opções. Mas, a depender do nível financeiro de cada pessoa, os mercadinhos acabam tendo os preços mais acessíveis por justamente eles saberem que é seu público alvo”, pontuou o economista, Ivan Gargur.
Escolha feita, resta a dúvida: fazer a compra mensal, para estocar o produto, ou a semanal? O especialista defende a segunda opção. “Do jeito que está a inflação, estocar os itens não é uma coisa vantajosa. Aí só valeria para aquele que, de fato, não teria tempo de ir constantemente ao supermercado. Já fazer compras durante a semana permite que o consumidor acompanhe as variações no preço de cada produto”, finalizou.