A proximidade dos condomínios residenciais e as vagas grátis no estacionamento são alguns dos atrativos que empreendedores encontram nos shoppings de bairro. Uma receita de sucesso que parece infalível. Mas o que levaria então, em alguns casos, à alta rotatividade de lojas?
A Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) estima que os centros comerciais em todo o país trabalham comuma“taxadevacância”de 6,5%, em média. Ou seja, um shopping com 100 lojas teria constantemente pelo menos seis unidades fechadas.
Para o analista do Sebrae,Fabrício Barreto, no caso dospequenos centros de compra arotatividade pode estar ligadaà falta deumaloja-âncora, queatraia compradores, e à poucadivulgação. “Sem a mesmaverba de marketing dos grandesshoppings, os pequenostêm que se unir e desenvolverestratégias para atrair o público”,diz Barreto.
Ele cita comoexemplo o GaivotaShopping, no Imbuí, queatraiu um leque de comerciantesvoltados para o setor debeleza e estética, que acabouconsolidando o local comouma referência. “Estamos trabalhandocom outros shoppingspara pensar em comoatrair clientes”, disse.
Para o professor de matemáticae física Geilton Oliveira,a melhor forma de atrair osestudantes das aulas de reforçofoi adquirir uma sala do CaboatãShopping, no Imbuí.“Tenhoa vantagem de ter umaestrutura com segurança e naárea em que moro”, diz.
Nem sempre a escolha é autônoma.FranqueadodaCacauShow, Domingos Antunes recebeua indicação da empresa
de que a nova loja deveria serabertanoImbuí.“Demorei unsdois meses para achar o pontoideal e ainda estou aguardandopara avaliar”, diz Antunes,em sua primeira experiênciacomo empreendedor.
Dono de duas lojas em pequenosshoppings, uma noChame Chame e outra no Imbuí,Giorgio Bellodi enxerga nagratuidade do estacionamento um trunfo.Sempre tem genteparando o carro bem emfrente à sua porta. Mesmo como desaquecimento da economia,ele está se preparandopara ampliar, ainda este mês,a segunda unidade da Vila daFesta. “Se o rico viaja, a classemédia sempre faz uma festa,mesmo na crise”, diz Bellodi.
Linda Miguel, da Linda Lui,concorda que poder oferecerestacionamento grátis aosclientes é umganho para o seunegócio. “Minhas roupas precisamser provadas duas outrês vezes antes da venda final.Se a pessoa tiver de pagar peloestacionamento a cada visita,desiste”, diz Linda, que migrouemdezembrode umdos maioresshoppings da cidade para oPaseo Itaigara. “Meus custosfixos caíram 4,5 vezes”, comemora.
O estacionamento grátis,entretanto, pode jogar contraos comerciantes. “Tem genteque deixa o carro aqui, pega ocarimbo do estacionamento evai para outro lugar”, diz a empresáriaJamile Federicci, queinstalou há um ano e quatromeses seu Empório Federicci,no Paseo. Por ela, as vagasseriam cobradas. A decisão pelolocal teve o impulso do perfilda vizinhança. “O Itaigara temo maior IDH (índice de desenvolvimentohumano) de Salvador”,afirma.
O QUE LEVAR EM CONTA NO PONTO
PERFIL Centros com finalidades específicas, como atendimento médico e odontológico, tendem a atrair um público apressado. Há poucas chances de parar para escolher uma roupa após a consulta. O ideal é vender artigos de saúde e lanches.
MARKETING Com verba menor do que os grandes shoppings, os centros comerciais de bairro podem investir em divulgação conjunta, por meio de jornais de bairro e também das redes sociais.
ESTACIONAMENTO Ter onde parar o carro sem pagar pela vaga pode fazer a diferença entre comprar no bairro ou ir
para um grande shopping. E como as vagas são poucas não vale a pena usar local como fonte de renda para o condomínio.