São 8,068 milhões de toneladas de grãos produzidos, um acréscimo de 5,1% em relação à safra passada, em meio a 3,137 milhões de hectares. De todo montante produzido pela Bahia, estima-se que 90% foram oriundos dos municípios que compõem o território do Matobipa, ou seja, aproximadamente 7,261 milhões de toneladas. A safra de grãos do Matopiba na Bahia confirma a força produtiva do agronegócio regional com a integração das fronteiras agrícolas formadas também por Maranhão, Tocantins e Piauí.
Ao todo, o Matopiba respondeu por cerca de 9,3% da produção da safra brasileira de grãos 2014/2015. Diante deste desempenho e com expectativas de expansão de área plantada, o Matopiba foi o centro das discussões durante a 12ª edição da Bahia Farm Show, no município de Luís Eduardo Magalhães. Durante quatro dias de evento, a feira de agronegócio e tecnologia reuniu produtores, poder público, fornecedores e instituições financeiras para mostrar a capacidade produtiva da fronteira agrícola. “Nós sabemos que a gente pode avançar e avançar muito. E isso só se faz com sustentabilidade e segurança. Precisamos unir forças para melhorar a logística da região e trazer desenvolvimento para todos”, defende o presidente da Bahia Farm Show e da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia, Júlio Busato.
Os números da Secretaria Estadual da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária do Estado da Bahia (Seagri) mostram o alto desempenho e o potencial de expansão do setor agrícola do estado junto ao Matopiba, como destaca o secretário da pasta, Vitor Bonfim. “Com o Matopiba, podemos promover conjuntamente com os outros estados o desenvolvimento de toda a região, melhorando o escoamento da produção, fortalecendo as defesas sanitárias, investindo em tecnologia e inovação, para tornar a agropecuária do Matopiba pujante, e servir de modelo para o restante do país”.
Cerrado
Segundo o engenheiro agrônomo e conselheiro da Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão, Antônio Santi, o mundo está de olho na região. “Existe um desafio mundial de se aumentar a produtividade e a oferta de alimentos e o Brasil é um dos países que vão ser um dos grandes responsáveis por isso”, projeta.
Para ele, vai ser necessário apostar em tecnologia e vencer os gargalos sociais e de infraestrutura que ainda seguram a expansão do Matopiba. “A tecnologia é a grande salvação para nós darmos esta resposta para o mundo”, assegura Santi. “Os agricultores da região têm total condição de aumentar este volume e produzir ainda mais com eficiência”, acrescenta.
Mais expansão agrícola
Estudos técnicos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostram que o potencial de ampliar a produção agrícola da região do Matopiba dependem não somente de pesquisa e inovação, mas também de fazer com que esta tecnologia chegue às grandes, médias e pequenas lavouras, como assegura o coordenador do Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (Gite) da Embrapa e chefe-geral da Embrapa Monitoramento por Satélite, Evaristo de Miranda. Durante sua passagem pela Bahia Farm Show, Miranda conversou com o CORREIO sobre a produção agrícola:
Quais são as oportunidades de desenvolvimento do Matopiba?
Essas oportunidades estão no desenvolvimento agropecuário no sentido amplo do termo. O território do Matopiba apresenta a expansão de uma agricultura baseada em tecnologias modernas de alta produtividade. O modelo público para o desenvolvimento regional deveria ter como prioridade reduzir as desigualdades na área rural, corrigir diversas imperfeições de mercado e promover maior equiparação no acesso às tecnologias agrícolas mais eficientes. Sem isso, não haverá ampliação da mobilidade no campo.
O que ainda é um desafio para que esta tecnologia chegue a todas as áreas da fronteira agrícola?
Para a agricultura moderna, existe um razoável acervo tecnológico, produzido em parte pelo setor público e privado. O desafio é atender à demanda dos agricultores não tecnificados e pobres. Para aumentar a mobilidade social com base na agropecuária, o desenvolvimento econômico demanda uma infraestrutura adequada para todos: ampliação da eletrificação rural e da capacidade de armazenagem, melhoria das estradas e terminais portuários. Isso aumentará a competitividade dos grãos para a exportação e para a produção de ração de frangos e suínos, principalmente no Nordeste. A produção local de rações permitirá o surgimento e a expansão da criação de suínos e aves, integrada com a carcinocultura e a piscicultura, no caso do Maranhão e do Tocantins, por exemplo.
Quais são as projeções futuras para o crescimento da região?
O Matopiba já representa quase 10% da produção de grãos do Brasil. Esse crescimento prosseguirá, mas com realidades diferenciadas no território de toda essa região, mas sempre baseado no uso sustentável de tecnologias modernas. A ampliação da irrigação e do uso de águas subterrâneas permitirão uma diversificação na produção, uma maior integração entre diferentes sistemas produtivos, bem como sua verticalização. Além da expansão da produção de celulose no Maranhão e da intensificação da pecuária no Tocantins, por exemplo.