Metrô de Salvador: novas linhas, novos negócios

07/12/2016

O Metrô de Salvador abre perspectivas de grandes mudanças e benefícios para a mobilidade urbana da terceira maior cidade do país. Por outro lado, a implantação do sistema metroviário, pelo Governo do Estado, também gera expectativas quanto à abertura de muitas oportunidades de emprego e renda, sobretudo para potenciais empreendedores que desejam montar um negócio em uma das estações.



“O estado da Bahia depende muito do segmento de comércio e serviços, e o metrô traz novas oportunidades de negócios, principalmente para os pequenos e médios empreendedores, gerando mais emprego e renda na região metropolitana de Salvador”, afirma Paulo Ferraro, superintendente de Desenvolvimento de Empreendimentos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado.



Com a operação da linha 1, o Metrô passou a oferecer espaços para implantação de quiosques, estandes ou lojas nas estações. E agora com o funcionamento da linha 2, inaugurado nesta segunda-feira (05/12), novos espaços para comercialização vão surgir. Segundo o diretor-presidente da CCR Metrô Bahia, Luís Valença, somente na linha 1, estão sendo oferecidos 576 metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL) nas primeiras oito estações.



Valença lembra que o negócio tem que ser pensado em um modelo diferenciado de comércio ou serviço, pois o passageiro – potencial consumidor – vai ficar pouco tempo na estação, já que, em media, cada trem passará entre três a quatro minutos. Este é o tempo estimável quando o sistema estiver em total operação. Com a experiência de já ter liderado a Linha 4/Amarela do Metrô de São Paulo, ele explica que a estação não é um local para onde as pessoas vão se deslocar para comprar. É um formato diferente de um centro comercial, ou mesmo de rodoviária e aeroporto.



De qualquer forma, o passageiro poderá encontrar opções de produtos e serviços durante o tempo em que estiver nos equipamentos. “O empreendedor que quer adquirir um espaço para comércio ou serviço tem que pensar desta forma. Não pode pensar na forma clássica de comércio ou shopping center. Nossa pretensão é oferecer comodidade aos usuários que diariamente passam pelas estações, satisfazendo suas necessidades. Buscamos agregar serviços como alimentação, conserto de roupas e calcados, lavanderia, acessórios e presentes, entre outros negócios”, enfatizou.



A rede baiana Torre de Pizza é uma das empresas que pretendem implantar quiosques nas estações do metrô. Acreditando no novo nicho, o empresário Flávio Barbosa aposta na refeição rápida para os passageiros com o sistema express de pizza feita na hora. A primeira unidade será instalada na estação do Campo da Pólvora, depois será a vez da estação Acesso Norte. “Nosso plano e expandir para todas as estações”, disse o empresário.



Numa primeira etapa, o projeto da Torre de Pizza é chegar a 12 estações. Com elas, segundo Barbosa, a empresa deve gerar mais de 100 empregos diretos, já que pelo menos oito pessoas trabalharão em cada quiosque. “Acreditamos no negócio, em função do grande fluxo esperado para as estações e a necessidade que haverá pela alimentação rápida e pratica”, afirmou o empreendedor.



A WD Machine foi uma das primeiras a apostar no metrô. O empreendedor Waldney Oliveira implantou máquinas de venda de sucos, refrigerantes, snacks, frutas e iogurtes nas estações da Lapa, Campo da Pólvora, Brotas, Bonocô, Acesso Norte, Retiro, Bom Juá e Pirajá. “Pretendemos colocar em todas as estações, com um total estimado de 114 máquinas em todo o metrô”, afirmou.



Mesmo as máquinas realizando as vendas em autoatendimento, Oliveira explica que a logística demanda mão de obra. Sua expectativa é criar pelo menos 20 empregos para ampliar o negócio, incluindo pessoal de estoque, logística e manutenção das máquinas. “Temos certeza que os resultados serão muito positivos”, afirmou.



No projeto de expansão dos negócios no metrô, Oliveira e seu sócio Eduardo Castro pensam em incluir novos produtos, como venda de chocolate, café e até acessórios de celular e cosméticos através das máquinas. Ele informou que a WD está montando uma parceria com a indústria de cosméticos Natura para oferecer os produtos da marca. “Será a primeira operação da Natura neste tipo de máquina”, informou.



Fluxo - Com todo o sistema em operação, no próximo ano, a expectativa da CCR é que o número de passageiros ultrapasse de 500 mil por dia. São oito estações na Linha 1 e outras 12 estações na linha 2, sem contar as adicionais Brasilgás e Águas Claras, na primeira, e Lauro de Freitas na segunda, que ainda dependem de licitação complementar. No total, serão 23. No primeiro dia de operação da Linha 2, a CCR identificou um acréscimo de 30% na quantidade de passageiros transportados, saindo de 50 mil em média, para 69 mil pessoas.





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