22/12/2016
Em novembro de 2016, o Brasil completou dez anos do primeiro projeto de energia eólica comercial do pais. na cidade de Osório, no Rio Grande do Sul. e o setor cresceu expressivamente, completando ainda este ano 10 gigawatts de implantação eólica, que representam quase 10% da matriz elétrica do pais. E a Bahia, apesar de ser o mais recente entre os grandes Estados eólicos brasileiros, acompanhou esse desenvolvimento, alcançando o segundo lugar no ranking e sendo considerado o maior player do setor, atualmente. E as perspectivas para 2017 no setor energético, tanto na cadeia eólica quanto na solar, são animadoras.
Para o diretor da Renova Energia e coordenador do workshop de Energia realizado no IV Fórum de Oportunidades de Investimentos na Bahia Ney Maron, a Bahia está muito bem posicionada em ambas as cadeias. "Na cadeia eólica, que é mais madura, há uma ênfase na parte de operação e manutenção, e na implantação dos parques e toda a indústria que já está estabelecida no Estado. Já na cadeia solar, as maiores oportunidades estão na etapa de manutenção dos empreendimentos que ainda estão em implantação na Bahia", explica.
O evento criou um ambiente propicio para que os diversos elos das cadeias produtivas dos dois setores pudessem identificar as oportunidades de negócios para a Bahia, e contou com a participação de importantes representantes do setor eólico, como o consultor da Eolus Consultoria Rafael Valverde, que apresentou o tema Cadeia de Valor do Setor Eólico; o representante da Renova Energia, Carlos Roberto Carvalho, que trouxe aos participantes detalhes sobre a implantação de projetos de energia solar renovável e um case de projeto híbrido; e Ricardo Lira representante da Gamesa fabricante espanhola estabelecida no Estado, abordando as oportunidades na cadeia de O&M (operação e manutenção) de parques eólicos.
De acordo com o consultor Rafael Valverde, o setor eólico vive um momento bastante peculiar, de maturação, com processos, aquisições e fusão e perspectiva de largo crescimento, que, na próxima década, deve dobrar. "A Bahia já é hoje o Estado com o maior número de projetos contratados, e com certeza, deve liderar a expansão do setor eólico brasileiro nos próximos anos", afirma. Segundo o consultor, a bola da vez para se trabalhar no setor está na operação e manutenção. “Dentro de um horizonte de 30 anos, que é o ciclo completo de um projeto eólico, a maior parte do ciclo está na operação dos empreendimentos, e no Estado esse é o ciclo mais recente o projeto mais antigo em operação tem quatro anos ou seja temos, pelo menos mais 16 anos para o projeto mais antigo. Se considerarmos que esse movimento será constante ao longo dos próximos anos falamos de um mercado muito grande para ser trabalhado" explica.
Ao considerar os projetos que estão em implementação no setor, a Bahia lidera o ranking com mais do triplo do segundo colocado. Rio Grande do Norte, totalizando mais de 5 mil gigawatts entre projetos em operação e contratados que já estão em obras ou serão iniciados, quase um terço do total de 18 mil gigawatts previstos para o país em 2020.
Entretanto, mesmo com esta posição diferenciada, o Estado apresenta, hoje uma falta de linhas de distribuição que impediu a participação no único leilão realizado em 2016, pela falta de possibilidade de escoamento. Atualmente, a Bahia apresenta um grande estoque de projetos aptos para a participação em leilões, disponíveis para serem contratados. São 250 projetos eólicos e cerca de 6 mil megawatts de capacidade instalada, que atendem a todos os requisitos para a participação em leilões.
A segunda parte do workshop, destinada aos debates sobre a cadeia solar, contou com a participação de Márcio Trannin da Enel Green Power-EGP, apresentando detalhes do projeto de implantação na cidade de Tabocas do Brejo Velho, distante 790 quilômetros da capital baiana, fruto da comercialização do leilão do setor de 2014; Cláudio Muller, da OSI Soft que destacou a importância de uma infraestrutura de dados completa e eficiente para ampliar as oportunidades no segmento; e Hugo Lima da empresa francesa Exosun, instalada na Bahia desde 2015, para a produção de equipamentos específicos para o aumento de eficiência das placas solares.
"O grande marco da cadeia eólica foi no leilão de dezembro de 2009, quando o Estado da Bahia teve os seus primeiros empreendimentos de energia comercializados. Já na cadeia solar, o grande marco foi em 2014, com o primeiro leilão de fonte exclusiva solar. Assim, naturalmente, a cadeia eólica já está totalmente desenvolvida e a solar ainda encontra-se em um estágio mais embrionário, com um agravante do período conturbado de economia vivenciado pelo país", lembrou Ney Maron reafirmando que o período de desafios para os empreendedores também deve ser encarado como uma enorme oportunidade para a geração de negócios.