Os entraves gerados aos projetos eólicos na Bahia por conta do atraso nas obras das linhas de transmissão de energia já devem começar a ser revertidos, a partir de março. O governo federal espera repetir no leilão para novas obras de distribuição, previsto para o mês, o mesmo percentual de 92% de sucesso, obtido no certame realizado em outubro do ano passado.
É a expectativa do ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. A razão do otimismo está no novo modelo adotado pelo governo federal, com melhores taxas de retorno para os investidores, maior prazo para execução da obra e menor participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em visita a Salvador, na última sexta-feira, para o lançamento de um programa voltado para reativar a exploração de petróleo em campos maduros (Reate), Coelho Filho ainda descartou a hipótese de privatização da Eletrobras e da subsidiária Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), confirmando apenas a intenção de desmobilização de alguns dos ativos, "apesar dos problemas financeiros enfrentados pela Chesf que vêm tendo dificuldades até para pagar a folha de funcionários", como afirmou (veja texto ao lado).
Abengoa
Segundo Coelho Filho, no caso das linhas de transmissão, a reformulação dos leilões, com mais garantias, evita também que os projetos de energia renovável fiquem inviabilizados, a exemplo dos problemas gerados pela crise financeira enfrentada pela elétrica espanhola Abengoa, que havia arrematado lotes em certasmes anteriores, mas que não deu continuidade às obras.
Em relação à Abengoa, o governo, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), está tentando derrubar a liminar obtida pela companhia para decretar a caducidade das áreas concedidas e fazer um novo leilão.
"Os estados da Bahia, Rio Grande do Norte e Ceará são os mais prejudicados hoje com a questão das linhas de transmissão, mas estamos revendo isto, não apenas judicializando a questão da Abengoa, como também desenvolvendo e programando novos leilões, reformulados", explicou.
"Em outubro, chegamos a terlotes que tiveram mais de 50 lances", frisou o ministro, ressaltando que o novo modelo, inclusive sem a participação da própria Eletrobras, possibilitou uma maior competitividade entre o setor empresarial.
Bons números
“Então, agora, essas linhas vão entrar em operação", assegurou o ministro, tranquilizando os investidores em energia eólica, sobretudo, os que atuam na Bahia, estado que reúne o maior número de projetos na área.
"A média dos leilões anteriores era de 50% de sucesso, mas em outubro foi de 92%, sendo que o deságio médio, quando os empresários arrematavam os lances, antes era de 2% e alcançamos 12%”, frisou Coelho. “Antes se fazia dez lotes e só cinco eram ligados e os outros davam problemas com empresas que não entregavam", disse.