Fábrica de charuto pode virar rota turística

13/02/2017

A tradicional produção de charutos no Recôncavo baiano está caminhando para ser oficializada como rota turística no estado. A análise da inclusão das visitas às fazendas produtoras de tabaco e fábricas de charutos já está sendo feita pela Secretaria de Agricultura (Seagri).


O objetivo é valorizar o aspecto cultural da cadeia produtiva, que gera milhares de empregos no Recôncavo baiano e impulsiona o desenvolvimento socioeconômico regional, desde o cultivo até o beneficiamento do produto.


Com cerca de 80% de mão-de-obra integrada por mulheres, grande parte delas na faixa etária acima dos 50 anos, a forma de produção de tabaco no estado é considerada única no mundo, com o Recôncavo oferecendo condições de clima e solo diferenciados para o cultivo do produto, envolvendo cerca de 23 municípios da região.


“Além de ser um motor da economia na região, representativo na geração de emprego e renda, se constitui também como mais uma opção para atrair visitantes para a Bahia, que além das belezas litorâneas em outras regiões, possui suas riquezas culturais e a beleza do Recôncavo”, declarou o secretário da Agricultura, Vitor Bonfim. Na semana passada, ele percorreu o roteiro sugerido no projeto, nos municípios de São Gonçalo dos Campos, São Félix e Cachoeira.


“O passeio pelas fazendas e fábricas de tabaco preenche um dia, e ver de perto todo o processo minucioso e peculiar de beneficiamento é encantador”, ponderou o secretário Bonfim, que esteve na região, acompanhado pelo senador baiano Roberto Muniz.


Durante a visita, também foram discutidos os entraves encontrados para exportar o charuto da Bahia, diante da concorrência desleal com os produtos importados, a exemplo dos originários de Cuba, em relação aos preços, já que os impostos pagos para exportação no Brasil encarecem o produto final.


Menendez Amerino


As visitas foram iniciadas na Menendez Amerino, fábrica de charutos instalada em São Gonçalo dos Campos. A unidade possui cerca de 71 funcionários atuando na fabricação artesanal, e produz mais de 3.000 charutos por dia.


Os proprietários cubanos Joaquim Menendez, Arturo Torano e Félix Menendez, vieram se instalar no Brasil atraídos pela qualidade do tabaco produzido especialmente na Bahia.


Dentre a equipe de funcionários, está Rute Silva (61), que há mais de 40 anos se dedica à fabricação dos charutos na Menendez: “Tudo o que tenho hoje agradeço ao charuto. Com metade de uma vida dedicada ao tabaco, criei os meus filhos com o dinheiro que ganho aqui”.


A agilidade, coordenação com as mãos, atenção e concentração, elementos fundamentais para a fabricação artesanal dos charutos, justificam a predominância feminina na atividade.


Histórias como a de Rute e o dia-a-dia de centenas de trabalhadores que atuam de forma quase que artesanal na produção é que são a aposta do sucesso do roteiro já batizado de “ Tesouros do Recôncavo”.


Dannemann e Leite Alves também estão no projeto


As visitas de análise do projeto de roteiro turístico da produção de charutos na Bahia também incluem a empresa de origem suíça Dannemann, instalada no município de São Félix.


Foi observado todo o processo de fabricação, desde o plantio na fazenda, que possui 800 hectares, sendo 280 irrigados, até o processo de preparação da folha, fermentação e transformação em charuto, com posterior embalagem do produto.


A fazenda produz uma safra irrigada por ano, e possui 900 trabalhadores no campo e 100 atuando no beneficiamento, compondo-se 70% por mulheres.


“O tabaco deve ser enxergado como parte do processo cultural do Recôncavo. A cadeia possui grande potencial, requer grande quantidade de mão-de-obra, sendo é gerador de emprego na região, desde a base, na plantação, até passar por todo o processo de beneficiamento, diferente da produção do cigarro, altamente industrial e produzido em larga escala”, enfatizou o senador Roberto Muniz, que já foi secretário de Agricultura.


A visita se estendeu ao Centro Dannemann, instituto da empresa localizado no centro de São Félix, em prédio colonial do século XIX. Na parte da frente do prédio são realizados eventos culturais, e de educação e lazer para as crianças da cidade. Na parte de trás, são produzidos charutos à mão, pelas charuteiras, e está aberto para que os visitantes conheçam todas as fases de fabricação.


A presidente do Sinditabaco, Ana Cláudia Mercês, acompanhou a visita nas fazendas de tabaco e fábricas de charuto, finalizadas na empresa Leite Alves, do empresário Renato Madeiro.
Tags
destaque 2