Produtos de 73 empresas baianas já estão presentes no exterior

06/03/2017

Potencializar e internaciona­lizar a marca é o sonho de qua­se toda a empresa. Na Bahia, o Centro Internacional de Ne­gócios da Federação das In­dústrias do Estado da Bahia (CIN/Fieb) tem apoiado em­presários e ajudado a colocar os produtos baianos em evi­dência no mundo. Desde o fi­nal de 2012, quando o centro foi criado, 73 grupos baianos já conseguiram levar seus servi­ços para outros países. De acordo com Patrícia Orrico, gerente do CIN, cerca de 500 empresas participam das ações e rodadas de negocia­ções oferecidas.



“Temos uma avaliação con­tínua e controle dos números. Esse programa foi iniciado no final 2012 e até o final de 2016 eram 466 empresas que aderi­ram a ele”, explica Patrícia. “Temos um número de35 mis­sões empresariais, 368 em­presas participaram do curso de capacitação, 78 estudos de inteligência comercial, 12 ro­dadas de negócios internacio­nais na Bahia e 1.200 encon­tros bilaterais entre empresas baianas e exportadores”, con­tinua. Ainda de acordo com a gerente, cerca de 48 grupos estrangeiros também são acompanhados no processo.


Entre as empresas que con­seguiram expandir o mercado de atuação está a Próton Siste­mas, especializada em desen­volvimento de softwares de gestão empresarial. O grupo iniciou a participação no cen­tro em 2013 e após um evento realizado no Panamá decidiu que era o momento de aumen­tar a participação no mercado internacional. “Eu não sabia nem o que fazer lá, não tinha o domínio da língua, mas decidi ir ver”, explica Adolfino Neto, diretor de negócios da Próton Sistemas. “Quando chegamos lá, ficamos surpresos porque tinha uma empresa que queria porque queria fechar negócio com a gente”, lembra.


Após o pontapé inicial, a empresa se especializou na língua espanhola e hoje faz negócios com grupos da Costa Rica, além de ter participado de encontros de gestão nos Es­tados Unidos. Este mês, a Próton representará o Brasil no 6° Foro Latino-Americano e do Caribe de Outsourcing e Offshoring, a convite do Ban­co Interamericano de Desen­volvimento (BID). “Se não fosse por isso (CIN), não sei quando a gente ia atacar o mercado externo”, conta Adolfino.


RUMO A US$1 MILHÃO


Quem também aproveitou o suporte da Fieb para atacar o mercado externo foi a empresa de aromatizadores Acqua Aroma. Com a inauguração da primeira loja em Orlando, na Flórida, nos Estados Unidos, o grupo espera atingir a meta de US$ 1 milhão em faturamento e alcançar 500 pontos de ven­das até o final deste ano. A es­colha pelos Estados Unidos aconteceu pelo fato de o país ser o maior mercado consu­midor do mundo para artigos de perfumaria para ambientes e pelos testes que indicaram a competitividade dos produtos da marca baiana.


“A dificuldade para levar os negócios para fora vem principalmente da escassez de informação. Mas quando com­preendemos a dinâmica, ve­mos que a velocidade é outra, tudo funciona”, explica Lua Serafim, que está à frente da operação no exterior. Ela con­ta que precisou adequar o portfólio ao novo país.


“Tivemos que adaptar nossa seleção à preferência do con­sumidor dos EUA pelas fragrâncias sazonais, algo incomum no Brasil, e mesmo eli­minar alguns itens do portfó­lio, como a água de passar roupa, já que o americano não tem esse hábito”, completa . Após a entrada no mercado ameri­cano, a Acqua Aroma mira o continente europeu, princi­palmente em países como Es­panha e Portugal.


Quem também está inves­tindo e levando a Bahia para o mundo é a Cachaça Limoeiro. Produzida na comunidade de Várzea da Cruz, no município de Feira da Mata, a bebida está inserida na Bélgica e Alema­nha. De acordo com Raimun­do Primo Macedo, um dos di­retores da cachaçaria, a ajuda do CIN foi fundamental para conquistar os mercados. “O centro foi importante não só para conhecer a perspectiva de negócios, mas para prepa­rar o produto, melhoramento de marca, design, criar uma identidade mais baiana”, diz.


PROCESSO


Patrícia Orrico destaca que antes de levar a marca para outros países, as empresas precisam saber em qual nível estão e quais são as estratégias necessárias para obter sucesso. De­pois disso, um trabalho de consultoria é prestado e inclui ainda a participação em en­contros, palestras, rodadas de negócios e prospecção de par­ceiros no mercado. “O que a gente pode fazer é abrir o mercado, rede de negócios, trazer compradores e ajudar a em­presa a galgar novos merca­dos”, afirma ela.


“Se a gente perceber que é importante para a empresa melhorar produtos e competi­tividade, a gente sugere a tec­nologia para determinado as­pecto, etapa que não está de acordo”, diz. “Nesse caso, a gente pode apoiar a empresa na identificação da tecnologia para que ela consiga imple­mentar as mudanças para esse produto”, conta.


Este mês, pelo menos dois eventos do centro já estão marcados. Destinada aos setores da indústria dos cosmé­ticos (perfumaria, maquia­gem, salões de beleza, estética & SPA), a Cosmoprof será rea­lizada entre os dias 16 e 21 de março. Já entre os dias 20 e 24, uma missão vai ser formada por 30 diplomatas brasileiros que conhecerão os aspectos econômicos e industriais do nosso estado.


“Temos uma agenda para essas questões, assim como os potenciais setores. Nós leva­mos delegações de cônsules para visitar áreas do estado, como Ilhéus, durante o Festi­val do Chocolate, para conhe­cer o cacau, a região do fumo, para conhecer o processo de produção e excelência, além de visita à produção de grãos de Barreiras. Nosso papel é atender a Bahia”, finaliza Pa­trícia, destacando a impor­tância de interação com novos mercados.


Para empresários, burocracia dificulta o crescimento


Atuar no mercado interna­cional parece um bicho de se­te cabeças para grande parte dos empresários, mas quem leva a marca para fora do Bra­sil garante que em muitos as­pectos é mais fácil manter o negócio no exterior. Diretor da Próton Sistemas, empresa que vende software de gestão empresarial, Adolfino Neto afirma que não teve dificul­dades para iniciar o seu tra­balho na Costa Rica. Ele aponta a complexidade fiscal brasileira como principal problema para quem quer criar um negócio por aqui. “Existe um problema gravís­simo no ambiente de negócio brasileiro que é a complexi­dade fiscal do país. Ele gera uma série de barreiras para as empresas atuarem fora da re­gião em que elas estão”, afir­ma ele. “No Panamá, na cida­de de Colón, que é uma área de livre fronteira, você abre uma empresa em dois dias, no terceiro já está vendendo produtos”, continua.


Para Adolfino, apesar de contar com bons produtos, a Bahia e o Brasil ainda têm muito a aprender com os ou­tros países. “Temos bons pro­dutos, mas temos mais a aprender justamente pela bu­rocracia e complexidade fis­cal. Esse para mim é o pro­blema. Se você tem um pro­duto pronto, atendendo às necessidades, para colocar lá fora é muito mais fácil do que o monstro que a gente pen­sa”, afirma o empresário, an­tes de concluir: “Aqui no Bra­sil tem a base de cálculo, ou­tras obrigações para entregar ao governo, uma guerra fis­cal. O Brasil é extremamente caro por conta da legislação fiscal que existe no país. É complexo atender às exigên­cias de cada estado”.


A reclamação dele é a mes­ma de Raimundo Primo Ma­cedo. Produtor da Cachaça Limoeiro, com atuação em países como Bélgica e Alema­nha, Raimundo afirma que a burocracia brasileira ainda dificulta para os empresários. “O Brasil é muita taxa, muito imposto. Na Europa, a taxa é sobre o teor de álcool, isso nos dá condições de negociar melhor”, afirma ele. “Aqui a condição para os pequenos é a mesma das grandes produ­toras de cachaça, estão ten­tando mudar, mas temos di­ficuldades”, aponta.


Para Raimundo Macedo, porém, a alegria dos baianos é um ponto positivo dos nos­sos produtos e faz diferença no mercado externo. “Temos essa questão da alegria, ener­gia, que a Bahia tem como di­ferencial”, diz ele, comple­mentando: “Além de levar a chachaça, estamos produzin­do um produto de primeira qualidade, mostrando que temos requinte e tecnologia. Hoje, nós temos alambiques na Bahia com tecnologia de ponta, mostrando que a chachaça baiana está no mesmo nível de qualquer outra cachaça brasileira”.


Responsável pelo projeto de levar a Acqua Aroma para o exterior, Lua Serafim apon­ta que muitos países são favo­ráveis ao empreendedorismo, o que facilita a entrada. Ela lembra, no entanto, que é importante ter suporte antes e consultoria para entender a legislação vigente em alguns países e os hábitos dos con­sumidores de fora do Brasil.


“Começamos da mesma forma no Brasil, tornando nossos produtos presentes em lojas multimarcas e conheci­dos pelos consumidores. Os 12 anos de mercado antes de aderir ao franchising foram fundamentais para conhecer melhor o consumidor, forta­lecer nossos diferenciais e preparar nossa estrutura em­presarial. Agora, podemos afirmar que estamos pronto


Empresas da Bahia podem e devem interagir com o mundo


Gerente do Centro de Inter­nacionalização de Negócios da Fieb, Patrícia Orrico expli­cou a atuação do órgão que já ajudou 73 empresas baianas a levar suas marcas para fora do Brasil. Segundo ela, é impor­tante pesquisar e montar uma estratégia antes de atacar no­vos mercados.


Como é o programa no Centro de Internacionalização de Negó­cios?


Na realidade, o programa faz parte de uma rede formada e conduzida pelo Centro de In­ternacionalização de Negócios e cada estado tem sua atuação e forma política de conduzir o processo. Quando a gente me­lhora a competitividade da empresa, ela é capaz de vencer em qualquer estado, seja in­ternacional, ou mesmo no nosso.


Oqueas empresas precisam fa­zer para participar do CIN?


As empresas interessadas em participar do Centro de Inter­nacionalização de Negócios da Fieb precisam apenas realizar um cadastro e participar das atividades desenvolvidas.


Existe um perfil de empresa buscado pelo CIN?


A gente não exclui uma em­presa do processo. É um pro­cesso próprio do grupo que vai poder acompanhar no ritmo que ele atua. Tem empresa no estágio preliminar, inicial, que a gente dá o apoio para a melhoria da gestão, do prote­gido. Existem outras empresas que já absorvem mais rápido a situação de atuação e só precisam de algumas intervenções e apoios para colocar a marca no exterior.


Quais são os serviços ofereci­dos pelo centro?


As competências do centro são questões ligadas à melhoria das empresas no mercado in­ternacional e competitividade para enfrentar o mercado lo­cal. Além da parte estruturante, temos um setor de inteligência para identificar merca­dos e conhecer suas regras, como o mercado se movimenta para o produto, adequação e as formas, já que cada merca­do tem a sua dinâmica.


Qual o retorno esperado pela Fieb nesse processo?


Nosso retorno principal é atender as empresas baianas para que sejam competitivas, interajam com o mundo, além de abrir novos mercados.
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