05/06/2017
Uma praia em pleno cerrado. Com direito a areia ao redor e água salgada. Shopping, que pretende transformar o entorno em um bairro, e até fábrica de cachaça para agregar valor a produção de pequenos lambiqueiros da região. Esses são apenas alguns empreendimentos que devem diversificar a cadeia econômica no Oeste do estado, tradicionalmente conhecido pelo alto desempenho na produção de soja, milho e algodão. Somando os três empreendimentos, os investimentos ultrapassam os R$ 220 milhões.
A principal fronteira agrícola da Bahia responde por 7% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, o que corresponde a R$ 15,168 bilhões. Quando se leva em conta apenas a participação no PIB da agropecuária, a participação do Oeste baiano é de R$ 4,023 bilhões. Isso representa 26% de tudo o que é produzido nos campos do estado. O enorme potencial agrícola atrai fornecedores de insumos e máquinas para turbinar a produção, mas não apenas isso. O Oeste é atrativo para indústrias e o setor de comércio e serviços.
“A agropecuária acaba sendo o principal indutor por essa demanda maior por serviços. Vários vendedores de máquinas e equipamentos estão se instalando aqui para ficar mais próximos dos produtores, fazendo investimentos e ampliação. Tudo isso constrói um ciclo virtuoso para a região do agronegócio”, pontuou Luiz Gonzaga, chefe de gabinete da Secretaria de Desenvolvimento da Bahia (SDE), durante a Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães. “Existem projetos para geração de álcool, energia a partir do eucalipto e uma possibilidade muito grande também de trazer uma fábrica de tecelagem”, diz.
EXPANSÃO
Entre os empreendimentos que chegam ao Oeste está o complexo de lazer Aldeia Parque que promete transformar o cerrado em mar, com a instalação de uma praia artificial com água salgada, ondas e areia também. Esta é só mais uma das outras 40 atrações do parque, que iniciou as obras há 90 dias, em Rosário, distrito do município de Correntina (BA). Essa é a segunda unidade da Aldeia Parque no país. A outra fica em Barra do Pirai, no Rio de Janeiro.
Com orçamento na ordem de R$ 160 milhões e previsão de inauguração da primeira etapa para o Verão de 2019, a expectativa é que o parque transforme a região oeste em um destino turístico. “Nós vamos gerar aí mais de 400 empregos diretos e mais de mil indiretos. Como o oeste é uma região muito pujante, nós vamos unir o útil ao agradável. Vamos trazer para uma região do agronegócio um destino turístico para o oeste da Bahia”, afirma o proprietário do empreendimento, Walter Gama Terra Júnior.
PRIMEIRO SHOPPING
O alto potencial de consumo e a riqueza da região também são os principais fatores que atraíram empreendimentos como o Shopping Parque Oeste, o primeiro a ser construído em Luís Eduardo Magalhães. Próximo ao centro da cidade, o equipamento vai contar ainda com condomínio residencial, lotes comerciais, hotéis e um hipermercado. “A cidade vem crescendo, o que só aumenta a viabilidade do equipamento, visto que, na cidade, falta opção de entretenimento e lazer” , diz. Na primeira etapa do projeto foi investido em torno de R$ 60 milhões. O shopping está previsto para ser inaugurado em 2021.
NOVOS NEGÓCIOS
Ainda na aposta em diversificar os negócios, a Cachaçaria Vó Nenzinha é mais um projeto que vem tomando corpo na região. Criada há seis meses, a empresa começou com a representação de bebidas de várias regiões. O próximo passo é produzir a cachaça com o rótulo próprio, explica o empresário Thássio Reis.
Ainda de acordo com ele, a previsão é que a cachaça genuína do Oeste deve começar a ser comercializada no final de 2018. “É uma bebida que ganhou uma valorização no mercado com um conceito diferente no rótulo, na embalagem e é isso que queremos trazer para o produto e ganhar tanto o mercado interno quanto o externo”. A empresa investiu R$ 100 mil desde o começo do ano.
RETOMADA NO CAMPO
Se os investidores estão começando a investir na diversificação da produção para outras áreas no Oeste, o agronegócio, realidade há muito tempo, não fica para trás. Após cinco anos consecutivos de estiagem, o produtor do Oeste baiano deve voltar a investir. Segundo dados da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a expectativa é que a produção de algodão, colhido a partir de junho, seja 270% maior em comparação com a última safra do ano passado. A soja também teve um bom desempenho, com produtivi-dade54% maior em comparação ao mesmo período.
“Quando nós conseguimos uma safra boa, damos um suspiro longo e criamos coragem para a próxima jornada. No momento que nós produzimos 54 sacas de soja, em média, por hectare, só duas abaixo no nosso recorde, isso aí é excelente e gera muito otimismo. Agricultura é feita disso”, destaca o presidente da Aiba e da Bahia Farm Show, Celestino Zanella. Os números da atual edição ainda estão sendo fechados, mas na última edição da feira, mesmo em crise, o volume de negócios ultrapassou R$ 1 bilhão.
Na safra atual, a região plantou 1,580 milhão de hectares de soja, 190 mil de algodão e 180 mil de milho. A média de expansão de área chega a 3%. Segundo o assessor de agronegócio da Aiba, Luis Stalke, o Oeste começa a se recuperar. “O produtor começa a fazer algumas coisas que ele deixou parado por conta dessas perdas consecutivas”, ressalta.