Agregar e proporcionar o diálogo entre todos os agentes da cadeia produtiva do cacau foi o principal objetivo do encontro Bahia Cacau 2035, que aconteceu nesta terça-feira (21/11), no Hotel De Ville, em Salvador. O cultivo do fruto, que durante muito tempo teve sua imagem ligada ao coronelismo, é reinventado e atravessa um novo ciclo histórico de sustentabilidade, inclusão social e turismo.
A Bahia éo maior produtor de cacau do país e o Brasil é o único no mundo que consegue ir do fruto até o produto. O objetivo do governo é utilizar novas metodologias de plantio que melhorem a qualidade do cacau, verticalizando a produção para que o produtor possa ficar cada vez mais com o fruto do seu trabalho, no caso, o chocolate, que agrega muito mais valor que a amêndoa.
O Estado possui condições de clima, de solo, de mão de obra, de força de trabalho e de inteligência que se esforça para garantir uma muda de qualidade, resistente a doenças e pragas, além de um ambiente favorável para o turismo, o que faltava era conseguir um espaço em que todas essas forças, governo, indústrias, empresários, trabalhadores, movimentos sociais pudessem discutir o que se tem em comum na cadeia do cacau.
Segundo Osanar Nascimento, agricultor e membro da Coopfesba (Cooperativa da Agricultura Familiar e Economia Solidária da Bacia do Rio Salgado e Adjacências) de Ibicaraí, a expectativa da cooperativa, que é responsável pela gestão da Bahia Cacau, 1ª fábrica de Chocolate da Agricultura Familiar da Bahia, é fortalecer a cadeia produtiva do cacau com um novo modelo de empreendedorismo na região cacaueira. “Aprendemos a conviver com a praga mas queremos também aprender um novo modelo de trabalho com a lavoura cacaueira. Queremos a transformação não só da amêndoa, mas também dos nibs e do chocolate, agregar valor, aumentar expectativa de lucro do produtor, aquele que realmente faz todo processamento para adquirir uma amêndoa de qualidade “, afirma.
Lançamento da APL
Durante o evento, foi assinado protocolo de intenção para criação do Sistema de Arranjo Produtivo Local (APL) do Cacau e Chocolate
Ineditismo
A cultura do cacau e o destaque na produção de chocolates gourmet, com alto valor agregado, produzido no Brasil (somente a Bahia tem mais de 30 marcas), fez o país ser escolhido para sediar a reunião anual da World Cocoa Foundation- WCF (Fundação Mundial do Cacau), em 2018. O evento definirá ações voltadas às parcerias público-privadas do setor cacaueiro internacional visando a sustentabilidade da cacauicultura em todo o mundo. O encontro, “Partnership Meeting” (Reunião de Parceiros), será realizado em São Paulo, de 23 a 24 de outubro do próximo ano, com a participação dos países produtores e consumidores de cacau, o que renderá ao país convênio com benefício voltado à cadeia produtiva brasileira.