17/01/2018
Um dos principais responsáveis pela redução da inflação em 2017 foi a queda dos preços dos alimentos: a safra chegou a 228 milhões de toneladas. Responsável por 24,71% do índice, a inflação de alimentos e bebidas acumulou queda de 2,32% em 12 meses. O que favoreceu a inflação fechar o ano de 2017 com a taxa de 3,23%, menor que a de 2016, quando a inflação ficou em 6,18%.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alimentação foi o setor que teve a maior alta da taxa, ao passar de uma deflação (queda de preços) de 0,26% em novembro para uma inflação de 0,27% no mês seguinte. Essa deflação tem relação com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, divulgado em novembro pelo IBGE.
Cenário
No levantamento, era estimado que a safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas seria de 241,9 milhões de toneladas em 2017.
Ou seja, uma alta de 30,2% (56,1 milhões de toneladas) em relação aos números obtidos em 2016. De acordo com o Instituto, os eventos climáticos sugerem cenário gradativamente menos benigno para a inflação de alimentos.
Feijão mantem presença firme na composição dos valores finais
“A safra de 2017 contribuiu para a redução dos preços dos alimentos. Esse efeito vem diminuindo, porém, em certos produtos, ainda é sentido. A terceira safra do feijão, conhecida como feijão de inverno, influenciou a queda no preço em novembro”, disse o gerente do IBGE, Fernando Gonçalves.
Seguindo as estimativas do IBGE, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou os números do terceiro Levantamento da Safra de Grãos 2017/2018 (veja, ao lado, Números do Plantio para a nova safra). A safra está estimada em 226,5 milhões de toneladas.
Esse valor representa um recuo de 4,7% em relação à safra passada, que foi de 237,7 milhões de toneladas, considerada um feito excepcional do setor agrícola brasileiro.
A safra atual segue a expectativa de comportamento igual ao de ciclos anteriores.
NÚMEROS DO PLANTIO PARA SOJA E MILHO
1 Soja e milho, os favoritos dos produtores brasileiros, respondem por 89% do total de produção de grãos.
2 A soja deve alcançar 109,2 milhões de toneladas contra 114,1 milhões do ano passado.
3 Já a expectativa para o milho é de 92,2 milhões, contra 97,8 milhões de toneladas distribuídos entre primeira e segunda safras no período 2016/2017.
4 Em relação à área total, favorecida pelo aumento do plantio de algodão e da soja, estima-se um aumento de 0,9%, podendo chegar a 61,5 milhões de hectares
4 A soja deve ter elevação média de 3,1%, podendo alcançar 35 milhões de hectares, conforme as expectativas oficiais.
5 Já a área do milho deve diminuir 9,6%, o que vai refletir na área da cultura, estimada em redução de 528 mil hectares.
6 Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o setor foi responsável por 44,1% das vendas brasileiras para o exterior.
7 Exportações brasileiras do agronegócio cresceram 13% em 2017 para US$ 96,01 bilhões.