31/10/2018
A Bahia é o terceiro maior produtor de gemas e metais preciosos do país, sua produção mineral comercializada foi de R$ 2,6 bilhões, no ano passado, o equivalente a 1,4% do PIB baiano e o setor gera 15 mil empregos diretos. Mas o expoente de mercado não está apenas na mineração, mas também na avaliação, pesquisa, difusão, classificação e valorização das gemas e joias do estado, por meio do Centro Gemológico da Bahia (CGB). O local, ligado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, é um polo fomentador para o setor, por meio de cursos voltados à capacitação em joalheria e lapidação. Cerca de 85% dos profissionais formados atuam na área, seja em fábricas de joias e ourivesarias ou em ateliês próprios.
Mairton Neves é um desses exemplos. Ele foi aluno do curso oferecido pelo Centro, se tornou professor no início deste ano e já formou três turmas ao longo de 2018. Morou por 3 anos na Califórnia e lá abraçou o trabalho de lapidador, onde participava de feiras e eventos. “Precisava trabalhar, comprei ferramentas, material, fiz workshops e comecei a me dar bem. Fiquei envolvido nessa paixão e ao retornar ao Brasil em 2015 comecei a procurar uma lapidaria”, conta. Foi quando conheceu o Centro Gemológico: “É uma satisfação imensa, é mágico, eu era aluno e me tornei professor, me sinto muito honrado em fazer parte de uma instituição reconhecida no país inteiro e ao Centro Gemológico que me indicou como professor, tenho uma profunda gratidão”.
Localizado na Ladeira do Carmo, Centro Histórico de Salvador, o CGB realiza cursos de joalheria básica, intermediária e avançada/cravação, lapidação básica e intermediária. Os cursos têm duração de quatro semanas, com carga horária de 80 horas. As aulas, que acontecem de segunda a sexta, nos turnos vespertino e noturno, são ministrados por professores do Senai, fruto de uma parceria que tem o objetivo de promover formação e aperfeiçoamento profissional para o segmento. Cerca de 250 alunos foram capacitados nos últimos 4 anos, de um total de 22 turmas.
“Desde criança que as pedras preciosas me encantavam. Estava na escola ainda quando fiquei sabendo sobre o Centro Gemológico, tinha 16 anos, fui atrás e me inscrevi. Percebi durante o curso que tinha habilidades que me favoreciam. Tornei-me monitor e em 2008 virei professor do curso. Atualmente não dou mais aulas, tenho meu ateliê, fabrico alianças, anéis de formatura e atendo lojistas”, relata Flaviws Santos da Silva, hoje com 35 anos e profissional do segmento.
A coordenadora do CGB, Mônica Correia, destaca que dos cursos de joalheria do Brasil aqueles ofertados pelo Centro são os mais baratos, porém com grande qualidade técnica e que, por isso, recebem alunos de todo o Brasil e também de países como Colômbia, México, Argentina e Egito. “Um dos nossos orgulhos é contar que alguns dos atuais professores são ex-alunos da casa, que se qualificaram ao ponto de serem selecionados pelo Senai para atuarem como instrutores”, afirma.
O ateliê de Valderez Silva Macedo fica na Ladeira do Carmo e é vizinho à instituição onde a designer estudou em 2014. “Eu já mexia com joias, mas o CGB foi a melhor experiência, foi onde me desenvolvi”, rememora. Além de vender as peças confeccionadas por ela mesma, Valderez dá aula e ajuda outros joalheiros como ela. “As pessoas que saem do Centro e ainda não estão estabelecidas no mercado são indicadas a me procurar e eu dou aula a elas. É como se fosse um reforço”, diz.
Já a designer de moda, Jannina Lima, chegou ao CGB em 2011 em busca de qualidade. Recém formada e com uma marca de acessórios, estava sempre em busca de um melhor acabamento para seus produtos. “O curso de joalheria foi o primeiro passo para minha carreira de designer de joias, ele me proporcionou a possibilidade de criar minhas próprias peças. Mudou minha vida, foi meu primeiro contato com joalheria e me apaixonei”, afirma a dona da marca Nina Lima. Ela possui uma oficina na Pituba, mas também atende a domicílio.
Referência
“O CGB conta com um laboratório gemológico e equipamentos de precisão, para a emissão de laudos, pareceres e certificados de autenticidade de gemas e joias. O laboratório foi criado nos moldes exigidos pelo Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM), visando atender às necessidades de certificação das gemas produzidas na Bahia, bem como para atender todo o Nordeste do país”, explica Luiza Maia, secretária de Desenvolvimento Econômico. Para ela, o Centro é uma referência positiva para os setores de Mineração e Comércio e Serviço.
Karina Sena, presidente da Associação Baiana dos Produtores e Comerciantes de Gemas, Joias, Metais Preciosos Afins (PROGEMAS), afirma que o Centro Gemológico exerce um papel fundamental para aumentar a credibilidade e perpetuação do negócio no estado, já que, a transformação e lapidação da maior parte das gemas ainda são feitas em Minas Gerais e São Paulo e as fábricas são concentradas no Sudeste.
“A Bahia está entre os três principais produtores de gemas, mas infelizmente está muito no início da cadeia, por isso, a importância da parceria do CGB com o Senai. Precisamos sair de meros fornecedores do material bruto e ter mais mão de obra qualificada e profissionais capacitados para agregar valor às gemas no próprio estado”, declara Sena.
Entre 2015 e o primeiro semestre de 2018, foram feitos mais de 60 mil serviços de identificação, classificação e avaliação de gemas naturais, em estado bruto, lapidado ou montado em joias, que foram encaminhadas ao laboratório do Centro Gemológico por consumidores, empresas do setor, comunidade local, além de turistas brasileiros e estrangeiros.