Edmon Lopes Lucas
Secretário de Desenvolvimento e Integração Regional do Estado da Bahia
edmon.lucas@sedir.ba.gov.br
A cultura do cacau tem passado por uma crise nas últimas décadas, quando houve um abandono das fazendas por parte dos produtores, em função do elevado endividamento e da escassez de recurso para cuidar da lavoura. Apesar disso, nos últimos anos, impulsionado pela agricultura familiar, a região cacaueira vem tomando novos contornos. As grandes propriedades rurais vêm dando espaço para as pequenas e médias fazendas, muitas vezes tocadas por famílias, que dali retiram seu sustento.
O cacau já foi uma das maiores fontes de riqueza do Estado e, recentemente, houve uma redução de sua importância, embora, com o reforço da produção de origem da agricultura familiar e dos assentamentos, a região do cacau vem se sustentando.
Na região cacaueira, o Estado e a União vêm promovendo a implantação de obras estruturantes para o seu desenvolvimento, como a Ferrovia Oeste-Leste, o porto e o aeroporto de Ilhéus, a implantação do trecho da BA-001 Camamu-Itacaré, a duplicação da BR-415 no trecho Ilhéus-Itabuna, o gasoduto e outras obras vinculadas aos programas Luz para Todos e Água para Todos.
No sentido de colaborar na recuperação dessa lavoura, o governo do Estado decidiu ampliar o apoio a essa região e aos pequenos produtores de cacau, como objetivo de agregar valor à produção, aumentando a renda familiar dos mesmos.
Com efeito, por determinação do governador Jaques Wagner, foi implantada no município de Ibicaraí a 1ª fábrica de chocolate brasileira vinculada à agricultura familiar, com abrangência regional e atendimento, também, aos pequenos produtores dos municípios vizinhos de Almadina, Barro Preto, Coaraci, Floresta Azul e Itajuípe.
Essa fábrica ora implantada é uma moderna unidade fabril, com capacidade de processamento, por turno, de 14.600 arrobas/ ano e especificidade para produção de chocolate fino, contando com a participação de famílias cooperadas de agricultores familiares, com propriedades de um a 80 hectares de terra, com produção de até 200 arrobas de cacau/ano. É um marco estratégico para a região, e seu êxito significará importante contribuição para a revitalização da cacauicultura baiana.
Trata-se de uma unidade industrial em um modelo de verticalização da empresa rural, de gestão coletiva, através de associações de pequenos produtores. Sua implantação resulta em efetiva contribuição para a mudança do perfil econômico e cultural dos pequenos produtores de cacau, hoje basicamente agrícola, passando para um perfil agroindustrial moderno, e na vertente do empreendorismo. O modelo gera para o pequeno produtor um maior lucro, advindo não apenas das amêndoas secas, mas também dos derivados de cacau. Com a fábrica de chocolate, toda a cadeia produtiva do cacau ficará fortalecida, pois haverá um incremento na renda sobre o produto “in natura” convencional, garantindo a sustentabilidade econômica e social das famílias e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida de todos os envolvidos.
A aplicação dessa estratégia promoverá o surgimento de novos negócios, delineando cadeias produtivas para a agricultura familiar regional, com forte viés na diversificação e na produtividade.
O empreendimento será gerenciado de forma cooperativista e participativa, visando também à capacitação dos envolvidos e objetivando a elaboração e o planejamento dos seus próprios negócios agropecuários de um modo ambientalmente sustentável.
Aliado à implantação da fábrica, tem sido estratégico o suporte técnico, com uma assistência efetiva e continuada, que venha trazer para o campo os conhecimentos científicos que, aliados aos conhecimentos empíricos inerentes aos produtores, venham contribuir para o aumento da produtividade e da renda da propriedade rural.
Esse trabalho de base vai garantir a sustentabilidade do empreendimento no tocante ao fornecimento de matéria-prima de qualidade para a indústria.
Sem dúvida alguma, essa fábrica de chocolate irá mudar a história e os lamentos recentes da cacauicultura baiana e promover o fortalecimento da agricultura familiar da região.
As grandes propriedades rurais vêm dando espaço às pequenas e médias fazendas, muitas vezes tocadas por famílias