TWB investe em estaleiro

22/12/2010

Adriano Villela





Mirando o fornecimento de embarcações especiais para o pré-sal, o grupo TWB pretende investir em um estaleiro na Bahia. A empresa vai produzir o slidesea, uma embarcação com tecnologia de origem militar que será utilizada no transporte até as plataformas de produção de petróleo em águas profundas, que distarão entre 300 a 400 quilômetros da costa. O projeto consumirá R$ 30 milhões na primeira etapa e R$ 130 milhões no total, contando como parceira a Lockheed Martin, criadora do SEAslice.





Os novos planos da TWB foram apresentados na manhã de ontem pelo presidente da empresa, Reinaldo Santos, e pelo diretor de Marketing, Jaime Rangel, em visita à Tribuna, onde foram recebidos pelo diretor presidente do jornal, Walter Pinheiro. “No que depender de mim, este projeto vem para a Bahia. E se o que eu estou querendo acontecer, transfiro a sede do grupo para a Bahia”, afirmou Reinaldo Santos.


Segundo o executivo, a utilização das embarcações pelo pré-sal está garantida pelo critério notória especialização – a Lockheed já registrou patente deste projeto. “É uma embarcação veloz, mas seu grande diferencial é o conforto. O índice de seackness é de 4 a 5%, quase a de um carro”, explicou o executivo. O SEAslice tem uma tecnologia nova na parte submersa que dá mais estabilidade à tripulação e supera o helicóptero nas explorações em águas profundas porque este não tem autonomia para percorrer 300 a 400 quilômetros.


Reinaldo Santos relatou que os entendimentos com o governo baiano estão adiantados. Confirmada a Bahia como sede do novo estaleiro – a outra possibilidade é São Paulo -, serão gerados no estado mais 300 empregos diretos. O empreendimento seria instalado em Paraguaçu (Maragogipe), Itaparica ou Aratu. Serão produzidas 40 embarcações, a um preço de venda de US$ 40 milhões.


Na visita à TB, os dirigentes da TWB anunciaram ao diretor presidente do jornal o apoio da empresa à luta contra o câncer de mama. Essa bandeira será explicitada numa frase no ferry Ana Nery, que será lançado no próximo dia 30. Reinaldo Santos e Jaime Rangel também fizeram questão de falar dos novos planos para a operação da travessia Salvador-Itaparica, que em janeiro terá o Juracy Magalhães modernizado. Desde 2005, a TWB investiu R$ 118 milhões em melhoria de embarcações e construção e incorporação de novos barcos à frota. “É uma média de R$ 2 milhões de investimentos por mês. Nosso compromisso contratual com o governo do estado era R$ 100 milhões em 25 anos”, destaca Reinaldo Santos.


Novos planos para o Ferry



A meta da TWB é,até fevereiro, aumentar a capacidade operacional da travessia Salvador-Bom Despacho para 2.700 pessoas e 220 carros por hora. Em 2005, quando foi privatizado, o sistema transportava 1600 passageiros e 135 automóveis por hora. Segundo Reinaldo Santos e Jaime Rangel, a ampliação será alcançada com o novo Ana Nery (800 pessoas e 76 automóveis) e a entrada em operação do novo Juracy Magalhães, que passará a comportar 1.100 passageiros (antes eram apenas 600) e 76 carros. Ambos são dotados de motores mais potentes, diminuindo o tempo entre os terminas de Bom Despacho e Água de Meninos.


“De acordo com nossos estudos, todo este investimento não será suficiente para atender a demanda. A carência era muito grande”, explicou Reinaldo Santos. Os dirigentes estão conscientes de que enquanto os projetos não forem maturados, haverá problemas para atender a demanda em alguns momentos, sobretudo em horários de pico. Para o presidente da TWB, é necessário ainda modernizar os barcos mais antigos e as estações de passageiros – cuja intenção é torná-las algo inspirado nas praças de alimentação dos shoppings centers – e melhoria das seis gavetas de atracação, possibilitando o embarque/desembarque de até quatro carros simultaneamente. Com isso, o sistema passaria a transportar por hora 10 mil carros e 650 passageiros.


O investimento necessário para este projeto é de R$ 140 milhões. “Parece paradoxal, mas este investimento viabilizaria a ponte Salvador-Itaparica. Ele criará um reflexo brutal na economia do baixo sul, não tenho dúvidas. Mas para isso não basta apenas a gente querer. É preciso a Bahia querer”, afirmou Reinaldo Santos. “A ponte Rio-Niteroi não inviabilizou a travessia (por barca). Pelo contrário, a travessia cresceu, pois Niterói se desenvolveu.”

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