Indústria naval vive boom com estaleiros de Norte a Sul do País

17/01/2011




RAMONA ORDOÑEZ E BRUNO ROSA Agência O Globo, Rio de Janeiro



Depois de duas décadas de fortes tempestades que levarama pique a indústria naval brasileira nas décadas de 80 e 90, o setor está vivendo um boom propulsionado pelos investimentos da Petrobras no desenvolvimento da produção de petróleo, incluindo os campos do pré-sal, cujas encomendas chegarão a US$ 150 bilhões até 2020.Alistada estatal, que inclui 97 plataformas e 510 barcos de apoio às plataformas, traduz-se na construção de 17 novos estaleiros, que estão demandando recursos de R$ 12 bilhões.



Os dados fazem parte de mapeamento feito pela Associação Brasileira de Construção Naval e Offshore(Abnav)e pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval) a pedido do Globo.



Atraídos pela demanda crescente no setor de petróleo e gás, surgem polos no País, comestaleiros de Norte a Sul.



Ganham destaque as novatas do setor, como as construtoras Odebrecht e OAS, além da empresa de engenharia industrial UTC.



Estrangeiros Os estrangeiros também apostam no Brasil. Um dos principais responsáveis pela reativação é a Transpetro, subsidiária da Petrobras, com a criação em 2004 do seu Programa de Modernização e Expansão da Frota, o Promef I, quando houve a encomenda de 49 navios. Nos anos 80 e 90, o setor entrou em crise por falta de encomendas e problemas de gestão. Hoje, além da demanda existente, renasce apostando em ser competitivo também internacionalmente.



Com isso, o presidente da Abnav, Augusto Mendonça, destaca que o setor naval será o dobro da indústria aeroespacial e da de eletrodomésticos nos próximos dez anos.



Segundo ele, a geração de vagas vai saltar dos atuais 50 mil para 100 mil empregos até 2016. Para Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval, há demanda para 50 anos: ?O momento é único. É por isso que só em 2010 mais de 15 comitivas estrangeiras vieram ao País. Elas estão querendo se associar a empresas nacionais?.



Dessa forma, as companhias do setor se movimentam.



A PJMR ? acionista dos estaleiros Atlântico Sul e Promar Suape, STX Europe, Quip e Noroil Navegação ? revela que a Quip pode formar com o Atlântico Sul um consórcio para construir sonda sem um possível novo estaleiro. A STX vai investir US$ 120 milhões para construir um estaleiro em Suape (PE). Segundo Miro Fernandes, presidente da companhia, o primeiro navio começa a ser construído em 2012. ?Vamos investir ainda US$ 90 milhões em um estaleiro em Quissamã. Tudo é reflexo do renascimento da indústria naval?.



Na Bahia Em nova fase, o setor recebe marinheiros de primeira viagem.



É o caso de Odebrecht, UTC e OAS, que se juntaram para investir R$ 1,7 bilhão na construção do Estaleiro Enseada do Paraguaçu, na Baía de Todos-os-Santos (BA). ?A Odebrecht sempre executou serviços, mas é o primeiro comoinvestidora?, disse Nelson Aun, diretor do estaleiro.



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R$ 9,6 bi foi o valor aprovado pelo BNDES, por meio do Fundo da Marinha Mercante, em projetos para o setor em 2010. A instituição desembolsou mais R$ 2,31 bilhões, um valor recorde





Setor promete dobrar postos de trabalho emcinco anos






Dos boias-frias dos canaviais em Pernambuco aos dekasseguis, passando pelos plantadores de cebola no Sul do País. Uma boa quantidade desses trabalhadores está deixando a terra firme para navegar em mares promissores na oferta de empregos da indústria naval. O recrutamento inclui ainda jovens das favelas.



Afinal, esse setor, que há dez anos tinha dois mil empregados, chegou ao fim de 2010 com 50 mil empregos diretos. Para o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav), Augusto Mendonça, somente este ano serão criados cerca de mil empregos, número que chegará a 100 mil em 2016: ?Será um dos setores de peso na economia, com número de empregados equivalente ao da indústria de carros.Coma crise dos anos 80 e 90, os profissionais demitidos foram para outros setores. Agora, voltam?.



É o caso de Ivanir Vicentede Paula, encanador de 57 anos que viveu tempos áureos do setor e sofreu com a crise de 1989.Após 20 anos trabalhando em outras profissões, como bombeiro hidráulico, voltou para o setor e está há três anos como encanador no Estaleiro Eisa (RJ). ?Tive que procurar outro emprego. Vi muitos colegas desesperados, mas sempre tive esperanças de voltar a trabalhar na área naval?, destacou.



Jovens Com investimentos de US$ 77 milhões na ampliação do seu Estaleiro Aliança e na construção de uma fábrica em São Gonçalo, o Grupo Fischer criou o Projeto Pescar. Segundo LuizMaurício Portela, presidente da companhia, o projeto procura jovens nas comunidades da região, oferecendo treinando e um futuro: ?Estamos formando várias turmas. Essa é a solução?.



Para contornar a falta de profissionais, Ariovaldo Rocha, presidente do Sindicato Nacional da Indústria Naval (Sinaval), lembra que mais de 200 dekasseguis foram repatriados em 2010. ?A mão-de-obra foi o maior custo para retomar a indústria naval. Há falta de engenheiros navais, em um cenário que vai se normalizar apenas em 2013 e 2012?, relata.






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