Exportação para China ajuda a reabilitar produção de fumo no Recôncavo baiano

28/01/2011


Reabilitação da cultura do fumo no Recôncavo baiano e a recuperação de milhares de empregos perdidos com a desativação de diversas fábricas de charuto da região. Esse é objetivo do movimento integrado por representantes do Ministério da Agricultura, da Secretaria da Agricultura da Bahia (Seagri), prefeituras municipais, Universidade Federal do Recôncavo e demais entidades empresariais empenhadas no processo de abertura do mercado mundial para o charuto fabricado na região.


Um dos mercados que estão sendo conquistados é o da China, de onde o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, que se encontra no país em viagem de trabalho, informou sobre o êxito da missão. "A China já efetivou um pedido de US$ 8 milhões para diversas empresas produtoras de fumo e charutos na Bahia. Tão logo seja liberada a exportação, as empresas poderão cumprir o contrato e depois exportar o próprio charuto."


O secretário entregou ao vice-ministro da Agricultura da China, Wei Chuanzhong, os documentos comprobatórios de que a Bahia é Estado livre do Mofo Azul, doença que afeta o fumo e que impediria a exportação.


Visita à Bahia – "Na reunião que tivemos com o vice-ministro chinês e cinco diretores do seu staff, agendamos uma visita das autoridades chinesas à Bahia, no mês de abril, época em que todas as fases da cultura podem ser vistas, para que eles possam comprovar que o estado é livre do Mofo Azul e, a partir daí, possamos exportar os charutos e revitalizar a produção do Recôncavo", disse Salles.


Ele lembrou que, para a Câmara Setorial do Charuto, o maior problema enfrentado pela cultura do fumo é a questão de mercado e que a China seria a solução para reativar a cultura do produto no Recôncavo, garantindo a manutenção dos atuais empregos e a criação de novos postos de trabalho.


"Nosso objetivo como Estado é a recuperação econômica e social do Recôncavo, que vive da cultura do fumo. São 12 mil pequenos produtores e milhares de empregos", disse.


Trabalho em campo previne o Mofo Azul


A Bahia é a primeira unidade da Federação a ser caracterizada como livre do Mofo Azul, praga que afeta a cultura do fumo.


Durante todo o ano passado, a Seagri, por intermédio da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), desenvolveu um intenso trabalho em campo com a delimitação de procedimentos para caracterizá-lo como área livre da praga em mais de 20 municípios produtores, totalizando 1.736 hectares plantados.


Atendendo às exigências do Ministério da Agricultura (Mapa), foram coletadas amostras em 10% das 2.326 propriedades produtoras de tabaco, material que foi enviado a laboratórios no Rio Grande do Sul.


Com o resultado negativo para a presença do fungo Peronospora Tabacina, a Adab encaminhou a proposta de caracterização de área livre do Mofo Azul ao Mapa, que emitiu o parecer favorável.


"Diante de mercados cada vez mais exigentes quanto a padrões sanitários, a Adab tem uma responsabilidade ainda maior em garantir a sanidade dos produtos baianos, notadamente os oriundos da agricultura familiar", destaca o diretor de defesa vegetal da Adab, Armando Sá.


Câmara Setorial do Charuto busca qualidade


Com a instalação da Câmara Setorial do Charuto, em setembro do ano passado, o segmento do tabaco e do fumo da Bahia deu um importante passo para o seu desenvolvimento. A Câmara nasceu com a proposta de elevar a qualidade do charuto baiano e conquistar outros mercados.


"A nova câmara setorial colocou frente a frente todos os elos da cadeia produtiva do tabaco e do fumo, tanto do setor público como privado, especialmente do Recôncavo baiano, uma das principais regiões produtoras do Brasil", destaca o secretário da Agricultura.


A proposta é que a produção local seja acelerada, garantindo a oferta de empregos na região, e exportada para um número maior de países, sobretudo do continente asiático.



Importância econômica


A cultura do fumo é de extrema importância econômica para o Recôncavo baiano. Envolve milhares de trabalhadores, a maioria do sexo feminino, pertencentes à agricultura familiar.


No auge da produção, entre as décadas de 60 e 80, a fábrica da Suerdieck chegava a produzir 100 milhões de charutos por ano, metade da produção baiana, que era de 200 milhões.


"Atualmente, as oito fábricas que sobreviveram conseguem, juntas, produzir apenas 10 milhões de unidades por ano", informa Ricardo Becker, presidente do Sindicato das Indústrias do Tabaco, Sinditabaco.


O prefeito de Cruz das Almas, Orlando Peixoto, lembra que muitas mulheres perderam o ‘ganha-pão’ quando as fábricas fecharam. "Exportávamos para o mundo inteiro", recorda. "A exportação para a China será favorável para a nossa economia. Uma nova realidade está sendo desenhada", completa.



Estado exporta 97% de sua produção de folhas


A Bahia hoje exporta 97% de sua produção de folhas de fumo, principalmente para países da Europa, como Holanda e Alemanha. No ano passado, de acordo com o IBGE, o estado produziu 6.147 toneladas de folhas de fumo, em uma área de 5.879 hectares, ocupando a 5a posição no ranking do país, atrás de Alagoas, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.


O tabaco é a mais importante cultura agrícola não-alimentícia do planeta, e contribui substancialmente para as economias de mais de 150 países. O Brasil, além de ser o segundo maior produtor de tabaco do mundo, é o líder na exportação mundial do produto há 15 anos. Em média, 85% do fumo produzido no Brasil é destinado à exportação.

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