O oeste do estado está, mais uma vez, na mira dos investimentos internacionais. A qualidade e a regularidade da produção de grãos na região resultaram na assinatura, ontem, do memorando de entendimento entre o governador Jaques Wagner e o presidente da empresa estatal sul-coreana Korea Agro-Fisheries Trade Corp, Young Jê Ha, para a comercialização de soja, algodão e milho.
Um dos pontos centrais do acordo é estabelecer a venda direta desses grãos sem a intervenção de traders (empresas que negociam commodities), o que resultará em aumento de lucro para os produtores rurais.
"Queremos firmar um comércio bilateral direto entre produtores e a Coreia do Sul sem intermediadores, para ampliar a renda dos produtores e aumentar nossas exportações", afirmou o secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Eduardo Salles.
Mercado asiático – Além do aumento nos lucros, a entrega regular de grãos de qualidade vai explicitar ao mercado asiático a capacidade de exportação da Bahia. "Diante disso, o governo da Coreia do Sul atuará como um facilitador, incentivando empresas asiáticas a abrirem as portas para os grãos da Bahia, principalmente na China, país com o qual os sul-coreanos mantêm o maior comércio bilateral", explicou o secretário.
Agroindustrialização – Outro objetivo previsto no memorando é o investimento sul-coreano na agroindustrialização da Bahia, sobretudo nas cadeias produtivas da soja, milho e algodão na região oeste. Se, por um lado, o estado é um dos melhores do mundo na produção de grãos e detém a tecnologia de produção dos mesmos, a Coréia do Sul possui a tecnologia da industrialização e um bom mercado consumidor.
"Este é um dos países que têm os alimentos como estratégias centrais, uma vez que não são autossuficientes na produção alimentícia. Por isso, vemos lá um grande mercado consumidor em potencial", enfatizou Salles.
Estado é considerado um porto seguro para produtores de alimentos
Os presidentes da estatal AT Korea Agro-Fisheries Trade Corporation, Young Je Ha, e da Samsung C&T do Brasil, Choong Ki Jung, visitaram fazendas de soja e de milho no município de Luís Eduardo Magalhães e se mostraram muito animados. "Tive ideia da organização dos produtores e deu para conhecer bem melhor as associações", disse Young, que espera ver a parceria da Coreia do Sul com o Brasil fortalecida.
Seu país importa mais de 70% dos produtos alimentícios, chegando a 14 milhões de toneladas por ano só de milho e soja.
O secretário Eduardo Salles disse que a agropecuária baiana vivencia um momento de "extrema importância" porque os investidores do setor alimentício de todo o mundo veem a Bahia como um porto seguro para a produção de alimentos. "Possuímos a tecnologia de produção e eles, a experiência de industrialização e o mercado final. Temos que aproveitar esse momento, dar condições aos empresários que querem investir na Bahia para que os investimentos sejam concretizados, agregando valor aos nossos produtos, gerando empregos e renda no interior do estado."
Produção baiana cresceu 51,4% nos últimos quatro anos
Nos últimos quatro anos, a produção de grãos na Bahia cresceu 51,4%, atingindo a marca de 23,5 milhões de toneladas. Em 2010, o estado alcançou recorde histórico de produção, com 6,73 milhões de toneladas. Hoje, o agronegócio representa 24% do PIB, 30% dos empregos gerados e 37% das exportações.
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O milho também bateu recordes, com a colheita de 1,5 milhão de toneladas nesta safra, 1,4% a mais do que na anterior.
Contexto favorável – Foi este contexto favorável que despertou a atenção internacional asiática, culminando com a assinatura do memorando de intenções após dois dias de viagens empreendidas pelos representantes do governo sul-coreano.
Empresários estiveram na Baía de Aratu
Depois de conhecer a produção de grãos no oeste baiano, os executivos coreanos, acompanhados pelo superintendente de Política do Agronegócio da Secretaria da Agricultura, Jairo Vaz, conheceram ontem pela manhã a estrutura do Terminal Portuário de Cotegipe (foto). "A Coreia do Sul depende da importação de grãos e o Brasil, com destaque para a Bahia, é grande produtor. Essa parceria vai funcionar. Estamos com interesse de participar nesses investimentos e na expansão da infraestrutura", afirmou o presidente da Samsung, Choong Ki Jung.
O vice-presidente do Terminal Portuário de Cotegipe, Sérgio Farias, mostrou à comitiva como funciona o porto por onde escoa grande parte da produção de grãos, considerado o mais moderno da Bahia e o de maior crescimento do estado. "Já visitamos outro estado do Brasil, mas acredito que fecharemos negócios aqui na Bahia", disse Ki Jung.