INFRAESTRUTURA Estado já atraiu 34 empreendimentos, com capacidade de geração de aproximadamente 1 mil megawatts
DONALDSON GOMES E JOÃO PEDRO PITOMBO
Ao mesmo tempo em que mantém o interesse na energia nuclear, a Bahia está se preparando para abrigar investimentos em energia renovável, que tema matriz eólica como carro-chefe. Nos dois primeiros leilões realizados no País, o Estado atraiu 34 empreendimentos, com capacidade de geração de 1 milmegawatts, com uma previsão de investimentos de R$ 3,9 bilhões até 2014. Números que devem crescer em julho, quando está previsto um novo leilão de energia, e estão fazendo da Bahia o destino dos gigantes do setor.
No próximo mês,o governo baiano deve concretizar a atração da dinamarquesa Vestas - uma das maiores fabricantes de aerogeradores do mundo. Chegará, frise-se, para disputar mercado coma francesa Alstom, a espanhola Gamesa e e a americana GE Energy. Esta última deve se instalar em Ilhéus.
"Estou indo à Espanha para trazer a Vestas, que pode ser comparada à BMW da energia eólica", afirmou o secretário da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), James Correia, a um grupo de empresários no início da semana.
Segundo ele,a reunião deverá consolidar a vinda da empresa para a Bahia. A atração da empresa também interessa o estado do Ceará.
Com a provável chegada da Vestas, a Bahia deverá se tornar o palco de uma disputa entre gigantes no mercado de equipamentos geradores de energia eólica. As empresas, em diferentes estágios de implantação na região, são reconhecidas como as principais participantes do mercado de fabricação de aerogeradores e peças para construção de turbinas eólicas.
A Gamesa está com o protocolo de intenções já assinado e busca galpões em Camaçari para implantar a fábrica.
A GE Energy está com as tratativas adiantadas para implantar uma unidade em Ilhéus. Segundo o chefe de gabinete da Secretaria de Indústria e Comércio do Estado, Luiz Gonzaga Alves, a previsão é que o protocolo de intenções seja assinado nas próximas semanas.
O vice-presidente da Alstom, Marcos Cardoso, admite que a companhia deverá concorrer diretamente com a Gamesa e a GE Energy, já que a produção das três empresas não são complementares.
"Serão nossas futuras concorrentes, o que considero positivo. Só mostra que a Bahia possui uma política de incremento da matriz eólica no longo prazo", avalia.
Energia limpa A secretária-chefe da Casa Civil, Eva Chiavon, avisa que a prioridade do Estado é o estímulo a todas as formas pesquisadas de energia limpa.
Depois da inauguração da primeira usina termelétrica do Nordeste à base de biogás proveniente do lixo, a próxima novidade será a primeira à base de capim elefante, no município de São Desidério.
"Para crescer, nós precisamos de energia e queremos que essa energia seja limpa", destaca a secretária.
Nos projetos eólicos, a secretária destaca que o Estado pretende estimular o modelo de arrendamento das terras,o que garante uma renda permanente aos proprietários.
A Gamesa está com o protocolo de intenções já assinado e busca galpões em Camaçari
A GE está com as tratativas adiantadas para implantar uma unidade em Ilhéus
R$ 3,9 bi é o volume de investimentos previsto para a implantação de 34 empreendimentos eólicos com capacidade de 1 mil megawatts no Estado até o ano de 2014
R$ 5 mil é o valor médio pago pela instalação de torres eólicas em terrenos arrendados. O governo pretende estimular esse modelo, principalmente na região do semiárido
Energia eólica: Bahia acelera investimentos
25/03/2011