Desde a porteira de entrada na fazenda até a saída dos produtos para a casa do consumidor, o setor de agronegócios vive expansão na Bahia e traz consigo uma ótima notícia para quem está em busca de emprego.
Cerca de 3.750 novas vagas estão previstas nos protocolos de intenções assinados pela Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri) com pelo menos 10 agroindústrias que devem se instalar em diversos municípios do Estado até o final do ano.
Os números, juntamente com o bom momento vivido pela economia baiana em 2010, que registrou expansão de 7,5% em relação a 2009, devem elevar os 199,9 mil empregos gerados no setor no ano passado.
"Estamos vivendo um momento único.
O lucro no bolso do produtor estimula a produzir mais ", diz o titular da Secretaria Estadual de Agricultura, Eduardo Salles.
Segundo o secretário, o aumento na demanda por alimentos é um dos motivos para a expansão. "A classe média está comendo melhor e os produtos agrícolas estão com preços remuneradores".
Setor em destaque Com 11,9% do total de admissões com carteira assinada realizadas na Bahia em 2010, a agropecuária é um dos setores mais promissores - com alta de 8,5% no ano passado.
A expansão está relacionada ao bom desempenho das principais culturas cultivadas em solo baiano, como a safra de grãos, que registrou novo recorde de produção, alcançando 6,7 milhões de toneladas.
Os produtores de café, soja milho e algodão do oeste baiano, por exemplo, registraram aumento de 25% da produtividade na safra 2010/2011.
"Este ano, veremos um crescimento considerável na agricultura e isso se reverte em postos de trabalho diretos no campo", comemora o vice-presidente da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pitt.
Na região central do Estado não é diferente. Produtor de café e batata em Mucugê, o administrador da Fazenda Progresso, Fabiano Borré, pretende dobrar sua produção de 30 mil para 60 mil sacas de café até o ano de 2014.
"A cafeicultura está vivendo um bom momento. Isso incentiva novos investimentos e motiva os produtores", avalia Borré, que tem 750 funcionários fixos e pretende contratar entre 150 e 200 pessoas nos próximos dois anos.
Salários dos profissionais no campo chegam a R$ 7 mil
Apesar de a maioria das vagas ser para a área operacional como operadores de máquinas e auxiliares de produção, por exemplo, também há oportunidades para agrônomos, veterinários, engenheiros de alimentos e técnicos agrícolas.
De acordo com profissionais da área, o salário para quem não tem nível superior fica entre R$ 600 e R$ 1,7 mil, enquanto os técnicos recebem remuneração média de R$ 2,5 mil. Já para profissionais graduados como os veterinários, o salário varia entre R$ 5 mil e R$ 7 mil.
O destaque fica por conta dos agrônomos, que, ao atuarem como consultores nas fazendas, podem faturar até R$ 60 mil por ano, com visitas semanais ou quinzenais.
"Cerca de 30% dos empregos gerados na Bahia são no setor de agronegócios. A tendência é mantermos o mesmo crescimento de 2010", calcula o titular da Secretaria de Agricultura do EstadodaBahia (Seagri), Eduardo Salles.
A representatividade se deve à grande quantidade de empresas que se encaixam no conceito do setor, além da atratividade de novas agroindústrias para o Estado. "O agronegócio engloba a cadeia como um todo, desde o adubo que chega na fazenda, até o produto chegar nas mãos do consumidor após a industrialização", explica a assessora técnica da Superintendência de Políticas Agrícolas da Seagri, Ana Paula Alcântara.
Vagas abertas E é justamente aí que estão as oportunidades para quem deseja trabalhar nas indústrias do setor. Só o Complexo Avícola Mauricea Alimentos, implantado em novembro de 2010 no município de Luís Eduardo Magalhães, emprega cerca de 765 funcionários, mas ainda necessita de pelo menos 1,5 mil pessoas para completar o quadro.
"São vagas que vão desde o abatedouro até o pessoal administrativo", explica o gerente Adauri Menger.
Além da demanda operacional, cerca de 3% das vagas são relativas a cargos de nível técnico e superior, como técnicos agropecuários e avícolas, engenheiros de produção e veterinários- preferencialmente com especialização em avicultura ou frango de corte. Os interessados podem enviar currículo para o endereço eletrônico rh.ba@mauricea.com.br.
Empresas baianas Para as empresas já instaladas no Estado, a perspectiva também é de crescimento. A fábrica de alimentos como granola e proteína de soja, Vittacroc, deve aumentar sua produção em 20% este ano.
Para isso, houve a necessidade de contratar 10 funcionários - entre auxiliares de produção, vendedores e gerente comercial, desde dezembro até o momento e, até o final do ano, a perspectiva é de admitir outros 10 vendedores, com salário médio de R$ 1,5 mil, incluindo comissão e benefícios. "O mercado está mais abrangente. Estamos percebendo uma demanda maior por alimentos saudáveis na Bahia", avalia o diretor da empresa, Ismael Mattos.
Por outro lado, as oportunidades não ficam restritas à indústria.
A colheita e beneficiamento dos produtos agrícolas também é um grande vetor de empregabilidade.
Prova disso está na Pinheiro Zuttion Agropecuária, situada no município de São Desidério na região de Barreiras, oeste baiano. Com 3 mil hectares de área plantada com milho, café, soja e algodão, a engenheira agrônoma Zirlene Zuttion prevê 20% de aumento nos postos de trabalho este ano.
"A perspectiva de geração de empregos só aumenta. Como a gente está colhendo mais, precisa de mais gente para beneficiar os produtos", explica ela, que tem 50 funcionários fixos.
De acordo coma Seagri, para cada emprego direto gerado no setor, são cerca de seis oportunidades indiretas.
Cresce demanda por engenheiros de alimentos nas empresas do Estado
Eles são responsáveis por supervisionar a linhadeprodução, fazer controle de qualidade e desenvolver novos produtos na indústria alimentícia - só para citar algumas atribuições dos engenheiros de alimentos. No entanto, na Bahia, apenas duas instituições de ensino oferecem o curso de graduação.
"O mercado de trabalho está crescendo muito. Há novas indústrias chegando no Estado e o curso está ficando mais conhecido", avalia a professora do curso de engenharia de alimentos da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Tais Silva Brandão.
Qualificação Formada há três anos, a engenheira de alimentos Siomara Costa, de 45 anos, atualmente é responsável pelo controle de boas práticas de qualificação e análise de perigos na fábrica de alimentos naturais Vittacroc, em Feira de Santana.
"Nunca fiquei desempregada.
De cinco anos para cá, o mercado se ampliou bastante", comemora a profissional, que, até o final do ano, pretende abrir sua própria consultoria para atender às empresas que não têm condições financeiras para contratar um engenheiro em tempo integral.
O piso salarial é de seis salários mínimos para uma carga horária de 30 horas semanais e oito salários para quem trabalha 40 horas, conforme determinado pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia da Bahia (Crea).
Os profissionais assinam como responsáveis técnicos das indústrias de alimentos, assim comoos engenheiros agrônomos.
Já produtos de origem animal são de responsabilidade dos veterinários.