Com setor automotivo em destaque, Polo criará 5 mil empregos até 2015

04/04/2011

Responsável por cerca de 60% das vagas de trabalho existentes no Polo Industrial de Camacari, o setor automotivo está em expansão na Bahia e promete novas vagas para os próximos anos. "0 Polo vai gerar 5 mil empregos nos próximos cinco anos e o segmento automotivo vai continuar sendo o maior empregador, mesmo com os esforços do governo e do setor privado para a diversificação industrial", diz o superintendente de comunicação do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Érico Oliveira.

Segundo ele, outros 30% das vagas correspondem ao setor petroquímico, enquanto os 10% restantes estão em outros setores como metalúrgico e celulose. "Isso ocorre porque esses setores têm um nível de automação maior, com investimentos intensivos em tecnologia", completa.

Além do interesse em atrair novas indústrias, sobretudo no setor de autopeças, as expansões das fábricas já respondem também pela oferta de novas vagas. Até 2012, a Ford, única indústria automobilística do Norte-Nordeste, deve aumentar em até 20% sua mão dobra no centro de desenvolvimento de produtos, que hoje tem cerca de mil profissionais em Camaçari.

Até 2015, a estimativa é de gerar mil empregos diretos com a expansão da fábrica, que contará com investimentos de R$ 2,8 milhões para o Nordeste. 0 objetivo é aumentar a produção de 250 mil para 300 mil veículos por ano.


"Teremos um crescimento expressivo no número de engenheiros com formação em engenharia mecânica, mecatrônica e elétrica. Tanto para recém-formados quanto os mais experientes", afirma a gerente de recursos humanos da empresa, Maria Amália Costa, sem revelar os salários.

Outro grande vetor de oportunidades está na irtdústria de pneus automotivos Continental, que pretende dobrar a capacidade produtiva da planta de Camaçari até 2015. Para isso, a empresa irá injetar US$ 210 milhões. "Isso nos permitirá otimizar processos, instalar novos equipamentos e criar mais 400 empregos diretos ", afirma o diretor da fábrica, Pedro Matos.




Alta na venda de veículos impulsiona segmento de serviços automotivos


Banco de couro, película no vidro, som potente, polimento invejável. Quem já comprou um carro, sabe: para além do valor das prestações, uma gama de outros custos envolve o conforto de andar motorizado.

No entanto, se os valores podem soar desanimadores para o bolso do consumidor, os empresários do setor de serviços automotivos só têm a comemorar com o crescimento da venda de veículos no País nos últimos anos.

Para se ter uma ideia, os emplacamentos no setor automotivo cresceram 18% na comparação entre o primeiro bimestre de 2010 e de 2011. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), foram emplacados 692.231 veículos no ano passado contra 817.190 este ano.

No entanto, a expectativa é de que o setor mantenha um crescimento em torno de 5,2% em 2011. "Um crescimento de 18%, como o deste acumulado, não se sustentaria o ano todo. Assim, nossa expectativa continua sendo de crescimento moderado, mas sempre positivo", pondera o presidente da Fenabrave, Sergio Reze.

0 fato é que, se há mais carros nas ruas, mais necessidade de oficinas, lava-jatos e lojas de acessórios, dentre outros. É o que afirma o dono da Dry Up, empresa de lavagem de carros a seco, instalada há um ano no Shopping Paralela, Vitor Costa. "Percebemos que o volume de veículos tem aumentado e Salvador nos últimos três anos por conta da facilidade de compra, com financiamentos em até 60 meses. Isso proporcionou o acesso da classe C, por exemplo", avalia o empresário.

Com a oferta de 10 serviços com o custo entre R$ 25 (lavagem comum) a R$ 250 (espelhamento), ele conseguiu aumentar o volume de sua operação de 400 para 650 veículos por mês, nos últimos quatro meses. "Nossa meta é chegar a mil carros por mês até o final do ano", calcula Vitor.



Mão de obra




Para isso, ele vai precisar incrementar sua mão de obra em quase 50%, com a contratação de mais seis funcionários até dezembro. São cargos para supervisor de loja, lavadores e polidores, com salários que variam de um salário mínimo até R$ 900, mais comissão.

Assim como ele, o empresário Dorival dos Santos também irá ofertar novos postos de trabalho como consequência do bom momento vivido nos negócios. Há 8 anos à frente da Couroshop, na Pituba, ele oferece serviços na linha de couro automotivo e acessórios, e já se prepara para o lançamento de mais duas unidades este ano -- tudo isso sem esquecer da loja implantada em Villas do Atlântico, em 2009.

"Ainda esta semana vamos inaugurar uma loja em Alagoinhas, além da Couroshop Master, que até junho estará funcionando no Caminho das Arvores, em Salvador", comemora o empresário, que conseguiu aumentar seu faturamento em mais de 120% desde o início das operações.

"Os preços estão estabilizados, a inflação está baixa e a redução do IPI facilitou o acesso à compra de carros", justifica.

Na capital baiana, ele se prepara para contratar mais 40 profissionais entre vendedores, costureiros e montadores de bancos, com salários entre R$ 800 e R$ 1,2 mil. Também há vagas para técnicos de áudio, com remuneração de até R$ 3 mil e um engenheiro acústico, com salário na faixa de R$ 5 mil. Os interessados podem entregar currículo pessoalmente ou mandar para o endereço eletrônico couroshop@couroshop.com.br




Franquias




0 crescimento na oferta de vagas no setor de serviços automotivos também ficou evidente na pesquisa feita pela consultoria Rizzo Franchise, com 128 empresas franqueadoras em todo o Brasil.

Segundo o estudo, a estimativa de crescimento no fatura-mento em 2011 é de 6,5%, enquanto a alta na oferta de empregos será de 6,2%. Em 2010, 11 novas redes fortaleceram o setor, que chegou a gerar 26.862 empregos diretos.

De acordo com o sócio da consultoria Marcus Rizzo, o destaque ficou por conta das empresas que oferecem o serviço de inspeção veicular. "Das 11 novas marcas que fortaleceram o setor no ano passado, sete são deste ramo de atuação",.diz.




Indústria




Na Bahia, o número de postos de trabalho com carteira assinada nas empresas sistemistas do complexo Ford e outras fabricantes de peças e acessórios também registrou aumento significativo nos últimos sete anos. Enquanto em 2005, o setor empregava 13,6 pessoas, nos primeiros dois meses deste ano o número registrado é de 16,6 mil, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). Os dados refletem a ascensão da empregabilidade em todo o País. Entre fevereiro do ano passado e este ano, o acréscimo dos postos de trabalho foi de 9,2% passanc. de 126.791, para 138.447 novos empregos.




Demanda por engenheiros é maior do que oferta ce profissionais




Profissionais com maiores demandas pela indústria automotiva, os engenheiros mecânicos, eletricistas, mecatrônicos e de produção estão em falta no mercado, de acordo com as principais empresas do setor na Bahia. "As universidades não atendem à demanda proveniente do crescimento do setor. Profissionais de engenharia estão disputados pelas organizações", revela a gerente de recursos humanos da Continental na Bahia, Ana Cláudia Ramos, acrescentando que está é uma realidade dos últimos dez anos.

Não é à toa que, desde que se formou, em 2003,o engenheiro mecânico Paulo Oliveira nunca teve dificuldades para conseguir emprego. "Praticamente todo mundo que conheço nesta área está empregado, a não ser os que decidiram seguira carreira acadêmica. Quem quer ir para o mercado não tem dificuldades", afirma o profissional, que atualmente é supervisor do centro de desenvolvimento de produtos da Ford.

Para atrair os profissionais, muitas empresas fazem parcerias com universidades, investem na política de benefícios e na capacitação dos próprios profissionais, com programas de trainee. "Os salários costumam ser acima do mínimo exigido pelo Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), assim como nossa política de benefícios é agressiva, condizente com as melhores práticas das empresas do mercado", explica a gerente de recursos humanos da Ford, Maria Amália Costa.

Para os cargos operacionais as maiores demandas são por ferramenteiros, operadores de montagem e soldadores, além de técnicos em elétrica e mecânica.


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