Entrevista com o Diretor Presidente da Ferbasa

04/05/2011

Diretor Presidente da maior fabricante de ligas de ferro cromo do Brasil,Geraldo Lopesfala com exclusividade ao Bahia Econômica sobre a Ferbasa, seus investimentos, comemoração dos 50 anos da empresa, dentre outros pontos.


Bahia Econômica – A Ferbasa atua no segmento de mineração, metalurgia e carvão vegetal. É isso mesmo?



Geraldo Lopes – A Ferbasa começou no ramo de mineração em 1961. Em 1963 ela entrou na área de metalurgia. Trata-se de uma empresa de mineração e metalurgia que também trabalha com florestas para uso próprio, sem comercializá-las. Temos duas operações de mineração: uma
em Campo Formoso e outra em Andorinha. A companhia é produtora de ferro cromo alto carbono, ferro cromo baixo carbono, ferro silício cromo e ferro silício.





BE – A Ferbasa, atualmente, está entre as dez maiores empresas da Bahia pelo seu faturamento. Como está a situação econômica da empresa?



GL – A Ferbasa está bem em aspectos econômicos, ela está numa situação bem confortável em termos de caixa. Nós fornecemos matérias-primas para as siderúrgicas e estamos verificando um crescimento bastante acentuado da siderurgia, sobretudo, na parte do inox que é o nosso carro-chefe. Este é um produto que cresce com a renda per capita. Como essa renda está crescendo muito no Brasil, então, isso tende a gerar um incremento também o consumo de inox. Nós estamos nos preparando para o aumento de consumo desse produto. Mas, por enquanto, não estamos capitalizando o crescimento do consumo deste item, pois o maior produtor local está diminuindo a exportação por conta do dólar desvalorizado. Vale destacar que a maior parcela das nossas vendas é voltada para mercado interno, mas o nosso preço é baseado no mercado externo.





BE – A desvalorização do dólar está prejudicando a empresa?



GL – Sim, a empresa está sendo prejudicada com a queda do dólar. Os preços dos nossos produtos estão muito aquém dos preços de 2008. Nós estamos sofrendo muito com o declínio da moeda norte-americana, pois os custos estão se elevando e isto é uma prática que já vem ocorrendo a vários anos. Os custos (energia, mão de obra) em real estão subindo, a inflação também e o dólar está caindo. Por outro lado, os preços dos nossos produtos não subiram tanto quanto os das commodities agrícolas.





BE - Com está a política de investimento da Ferbasa?



GL – Este ano foi aprovado pelo conselho um investimento geral de 143 milhões de reais na Bahia. Todo o nosso investimento é destinado ao estado baiano. E tem um detalhe: 50% dos dividendos das ações da Ferbasa ficam aqui na Bahia. Uma parte do investimento está focando uma possível ampliação no futuro. Estamos investindo em pesquisa para aumentar nossa reserva geológica de minério. Estamos comprando terra para plantio de eucalipto.





BE Qual a capacidade de produção atual da empresa e quantos empregos ela gera na Bahia?



GL – Atualmente são 324 toneladas. São 12000 empregos diretos gerados pela Ferbasa. Isto já incluindo os setores de mineração, metalurgia e florestas.





BEA Ferbasa está fazendo 50 anos. Como será feita a comemoração?



GL – A Ferbasa se manteve fechada por muito tempo. Eu tinha colegas em Salvador que, quando eu dizia que trabalhava nesta empresa, eles perguntavam: “O que é isso? Onde fica isso? Que empresa é essa?” Mas isso não era culpa deles. Era culpa nossa que na época não nos abrimos para o mercado. Estamos tentando corrigir agora este erro. No cinquentenário vamos fazer um mega evento. Nós vamos trazer investidores de São Paulo, vamos apresentar os resultados da companhia, vamos realizar seminários com várias autoridades da área mineral e o economista Maílson da Nóbrega estará presente. Estamos reeditando o livro da empresa e organizando um filme institucional. A partir do dia
20 a
Ferbasa não vai ficar mais desconhecida na Bahia.





BEComo você vê a questão da infraestrutura?



GL – Muito complicada. Por exemplo, a energia elétrica está muito cara. Não adianta ter energia se ela gera elevado custo para uma empresa. Outro caso é o gás. Se este item fosse competitivo daria para a nossa empresa usá-lo, mas teria que haver um projeto de longo prazo e investimentos consideráveis. Sobre os portos, a gente exporta por Salvador e importa por Aratu. Há problemas nos dois. Um navio paga 50 mil dólares por dia parado no porto. Já houve vários casos em que navios ficaram 1 mês parados. Então, em termos de infraestrutura a grande obra que eu vi até agora foram os pedágios.





BE - Você vê possibilidade de verticalização no sentido de outras empresas da Bahia usarem o produto da Ferbasa?



GL – Sim. Além da Bahia ter energia, ferro, níquel, cromo, matérias-primas diversas e portos, há no longo prazo a possibilidade de verticalização da cadeia.





BEO que você tem a dizer sobre a política industrial do Estado em relação à empresa?



GL – Tem sido a melhor possível. Conversamos com o governo sobre a possibilidade do plano de expansão da empresa e ele recebeu muito bem essa questão.

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