O FERRO-VANADIO E UMA LIGA DISPUTADA, DADA A SUA VERSATILIDADE, POIS O VANADIO E UM MINERAL USADO EM AÇOS
Um vírgula quarenta e quatro porcento (1,44%) - é esse o teor de vanádio presente nos depósitos minerais de ferro-vanádio do município de Maracás, situado no centro-oeste da Bahia, com 32 mil habitantes e distante 376 km de Salvador.
Parece pouco, mas é o suficiente para fazer desta, a mina com o maior teor do minério no mundo. Até então, o maior teor já descoberto era de 0,44%, em minas da África do Sul.
O ferro-vanádio é uma liga disputada, dada a sua versatilidade, pois o vanádio é um mineral usado em aços, com o objetivo de aumentar a resistência, reduzindo o peso, podendo ser utilizado tanto na aviação quanto em tubulações de gás e óleo e em ferrovias.
A riqueza do subsolo, ainda inexplorada, chamou a atenção do grupo canadense Largo Resources. Através da empresa Vanádio Maracás, o grupo vai investir entre US$ 120 e US$ 130 milhões no projeto para a exploração do depósito, que será a única mina de ferro-vanádio do País, com estimados 17,3 milhões de toneladas de minério.
A mina conta ainda com a presença de platina e paládio em seus depósitos, que devem incrementar os lucros da empresa. Em 2007, a cotação do quilo de vanádio no mercado internacional era de US$ 36.
Embora os depósitos tenham sido descobertos na década de 50, problemas políticos e de mercado atrasaram a implantação do empreendimento. A expectativa, segundo Rafael Avena Neto, diretor-técnico da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM), é que as explorações tenham início até o final de 2012. "O Projeto Maracás
teve início em 1986. Foi suspenso por uma ação popular, que o inviabilizou durante vinte anos, quando o mundo mais precisava de vanádio. Quando finalmente a ação foi ganha, a empresa da época era a Odebrecht, que não se interessou mais pelo projeto, porque o preço do vanádio caiu e veio a crise mundial. 0 empreendimento só foi retomado quando veio uma nova empresa, a Largo Resources, que resolveu tocar o negócio", explica o diretor-técnico da CBPM.
Benfeitoria
A expectativa da empresa é que sejam gerados 450 empregos diretos e produzidas, anualmente, cinco mil toneladas da liga -destas, 1,2 mil ficam no Brasil. O resto segue para exportação para China, Estados Unidos e países da Europa, via porto de Salvador, com previsão de receita bruta de R$ 324 milhões à empresa. O maior investimento será em uma usina de beneficiamento, por onde passará todo o minério
extraído.
Outra benfeitoria para a cidade será o asfaltamento de uma estrada local, por onde será escoado o minério extraído. O governo do Estado da Bahia, por meio da CBPM, ficará com R$ 29,7 milhões em royalties anuais, além de deter cotas de participação na Vanádio Maracás.