Preço do cimento pode cair até 5% com nova fábrica da Votorantim

07/10/2009

A redução estimada é de até 5%, já que cai o custo de transporte


DONALDSON GOMES


A tradicional marca de cimentos Aratu voltou ao mercado baiano mostrando força. A nova fábrica, reinaugurada oficialmente ontem no Centro Industrial de Aratu (CIA), já está funcionando há aproximadamente três meses e opera com capacidade máxima para a produção de cimento e 40% para argamassas. A empresa informa que os preços não permitem grandes variações e vão permanecer inalterados, mas no mercado existe expectativa de uma redução de até 5%, já que os custos de transportes seriam bem menores.


O retorno da marca Aratu ao mercado permitiu a geração de 200 empregos diretos e indiretos, segundo estimativa do governo do Estado, além de ter resultado um investimento de R$ 50 milhões. Para viabilizar o empreendimento, o governo e a Votorantim Cimentos entraram em acordo a respeito do antigo terreno onde a Aratu funcionou até ser desativada, em Paripe.


“Para mim, tem um gosto especial, porque resolve aquele esqueleto da Aratu”, ressaltou o governador Jaques Wagner na inauguração.


Para a construção civil, a volta do Aratu tem mais do que o efeito simbólico de recuperar uma marca tradicional da Bahia. É mais agilidade e competitividade para o mercado local. “O cimento é o material maisimportante para a construção”, lembra o presidentedo SindicatodaIndústria da Construção Civil do Estado da Bahia (SindusconBA), Vicente Mattos. Segundo estimativa do setor, o material chega a representar entre 3% e 4% dos custos de uma obra.


Segundo Mattos, a maior parte do cimento usado na Bahia vinha de Sergipe. “A garantia do material e da mãodeobra é fundamental neste momentode retomada”.Para ele, as obras de infraestrutura previstas para os próximos anos,o MinhaCasa, MinhaVidae aCopa em2014 vão exigir muito da construção civil.


Expansão A Votorantim já estuda a possibilidade de uma expansão nos próximos anos, mas até o momento não existe nada definido.


Se depender das expectativas do mercado consumidor, a empresa vai ter que acelerar o processo de ampliação.



O consumidor tem investido com ímpeto nos imóveis. “Ainda falta o banheiro”, faz as contas a dona de casa Severina Rita dos Santos.


Há trêsmesesqueela feza reforma que a cozinha “precisava fazia tempo”. Na hora, acabou decidindo trocar portas e janelas também.


Gerente da Mil Pisos, em Valéria, Jamilton Pereira está feliz por poder comprar cimento na Região Metropolitana de Salvador. Ele estava usando um cimento na loja que não erada preferênciadosfregueses porque o pedido, vindo de Sergipe, atrasou. “Vou começar a comprar o daqui da região porque é mais fácil e 5% mais barato buscando na fábrica”.


O comerciante confirma que o mercado está bastanteaquecido.


“Quandochega o fim do ano, todo mundo quer melhorar a casa”.


Para o presidente da Associação do Comércio de Materiais de Construção da Bahia (Acomac), Geraldo Cordeiro, ter uma fábrica de cimentos a 30 quilômetros vai ser muito útil para as revendas. “O cimento é um produto relativamente barato, e grande parte do custo vem do frete”, analisa.


“Existe muita expectativa de uma redução de preços”.


Votorantim teve incentivo para se instalar no Estado


A Votorantim Cimentos recebeu benefícios para se instalar na Bahia e correspondeu às expectativas do governo.



Mas, de acordo com a Secretaria de Indústria, Comércio e Mineração (Sicm), pelo menos 30 empresas que firmaram protocolos de intenções com o Estado perderam o terreno pornão terem feitoo uso das áreas no espaço de tempo de um ano. De acordo com o secretário James Correia, em alguns casos houve transferências do patrimônio público para terceiros.


“É uma situação muito grave que vamos enfrentar com a dureza da lei”, avisa James Correia. Segundo ele, há outros 60ou 70terrenos quepodem ser retomados, principalmente na região metropolitana, por falta de usos. De acordo com o secretário, a Votorantim é um exemplo positivo, pois fez uso deumavantagemconcedida pelo Estado, mas reverteu isso em benefício público. “Vamostomar todos de volta, inclusive aqueles que foram vendidos a terceiros”.


A expectativa da secretaria é a de evitar a assinatura de protocolos que não se concretizem.


“Ano passado, percebemos que a crise era passageira e os investimentos no Brasil seriam duradouros”, lembra o presidente da Votorantim Cimentos, Walter Schalka. A empresa é citada pelo governador Jaques Wagner como exemplo por ter mantido os planos de investimentos.

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