Bahia e China oficializam instalação de fábrica de beneficiamento de soja

07/06/2011


Um braço da Chongqing Grain Group Corporation, estatal chinesa que tem como uma das atividades a industrialização e comércio de óleo alimentício de origem vegetal, vai instalar uma fábrica de beneficiamento de soja no município de Barreiras, a 848 quilômetros de Salvador. Com a assinatura do memorando de entendimento, ontem, na Governadoria, entre os governadores Jaques Wagner, da Bahia, e Huang Qi Fan, da província Chongqing, foi oficializada a instalação da unidade industrial na região oeste do estado.


A efetivação do investimento é resultado da participação do governador na comitiva brasileira que foi à China, no mês de abril. "Quando há uma cobertura institucional do governo estadual, os investidores estrangeiros que, nesse caso, são os chineses, se sentem mais à vontade. Como foi dito pelo governador chinês, este investimento pode crescer, pois eles pensam em instalar na região uma indústria têxtil, além de demonstrar interesse em trabalhar com a logística do porto. A segunda maior economia do mundo é um porto vantajoso para nossos produtos", disse Wagner.


Pedra fundamental – Em visita à Bahia, a delegação chinesa lançou, no domingo, a pedra fundamental da esmagadora do grão, objeto do protocolo de intenções assinado em Pequim. O grupo investirá inicialmente cerca de US$ 300 milhões para a implantação do projeto e terá como contrapartida da Prefeitura de Barreiras a doação de 100 hectares para instalação da empresa no polo industrial da cidade


O acordo estabelece uma cooperação internacional e compromete o governo a fornecer informações para subsidiar a decisão de investimentos de empresas da província, nos segmentos de agronegócios, infraestrutura/logística e indústrias. Durante o lançamento, os chineses sinalizaram a intenção de implantar uma indústria têxtil também no município.


Algodão – A indicação acontece no momento em que o algodão foi o grande destaque da safra 2010/2011 na região. A área plantada com a cultura aumentou 51% em relação ao ano-safra anterior. Isso fez com que a produção saltasse de 372 mil toneladas de pluma em 2009/10 para 600 mil toneladas de pluma nesta safra, uma variação positiva de 62%.


Atualmente, a Bahia é o segundo maior produtor de algodão do país, com fios semelhantes aos do Egito. Segundo o secretário da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária, Eduardo Salles, o grupo anunciou que pretende ter um porto privado, além de trazer uma indústria têxtil para o oeste baiano. "Os chineses não vêm para comprar commodities, mas sim para agroindustrializar, gerando emprego e renda no interior do estado". Em dois anos, são 16 agroindústrias anunciadas.


Grupo planeja novos negócios para a região


Com capacidade para esmagar 1,5 milhão de toneladas de soja por ano – quase metade da produção anual do estado, que na safra 2010/2011 alcançou a marca de 3,6 milhões de toneladas, a indústria Chongqing Dragonfly Oil, às margens da BR-242, entre Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, irá gerar 300 empregos diretos, número que na fase final do projeto deve chegar à casa de mil. A intenção do governo chinês é expandir o investimento até R$ 4 bilhões no Brasil.


O governador de Chongqing, Huang Qi Fan, disse ainda que o grupo tem interesse de investir em um terminal da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) com a construção de armazéns, tanques de depósitos de óleo alimentar e plataformas de logística. "A Bahia possui ótimas condições, com infraestrutura adequada, com a construção de uma ferrovia que liga o leste ao oeste, portos e aeroportos, além de recursos como o algodão, soja e minérios", afirmou.


Cadeia produtiva – Huang Qi Fan explicou que os investimentos não são apenas para comprar produtos primários, mas objetivam também explorar toda a cadeia de produção têxtil.


"É muito importante para o nosso estado que empreendedores de outros países façam investimentos aqui, mas não a qualquer preço. É parte do nosso papel, acompanhar os entendimentos, analisar as propostas e articular as secretarias para maximizar os esforços de atração de investimentos dentro das diretrizes do governo e de seus interesses", afirmou o secretário de Relações Internacionais e da Agenda Bahia, Fernando Schmidt.

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