SÉRGIO TONIEUO
Os números são imponentes e, por si só, mostram a pujança do Polo Industrial de Camaçari, ao completar 33 anos de atividades. Na atualidade, o Polo conta com 90 empresas de primeira geração instaladas e funcionando a plena carga -40 unidades industriais químicas e petroquímicas e 26 parceiras do complexo Ford -além de fabricantes de celulose, produtos têxteis e bebidas e prestadores de serviços, o Polo fatura US$ 5 bilhões por ano, contribui com US$ 2,3 bilhões das exportações brasileiras - 35% do total exportado pela Bahia - e arrecada R$ 1 bilhão em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços para o Estado (25%). No ano passado, do complexo saíram 11,5 milhões de toneladas de produtos químicos e petroquímicos, 250 mil veículos, 9,4 milhões de pneus e 460 mil toneladas de celulose solúvel, além das 220 mil toneladas anuais de cobre eletrolítico.
Na última década, especialmente a partir da instalação da Ford, o complexo tem crescido continuadamente superando alguns temores que surgiram nos anos 90 quanto à sua consolidação e perenidade. "A partir do momento em que deixou de depender dos setores químico e petroquímico passando a atrair indústrias de segmentos diversificados, o Polo ganhou musculatura e consolidou-se de vez", pontua Otto Alencar, vice-governador do Estado e atual secretário de Infraestrutura.
0 superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Mauro Pereira concorda que a implantação do Complexo Automotivo em Camaçari há 10 anos, sob a liderança da Ford, foi um marco decisivo para a diversificação industrial no Polo, até então voltada principalmente para a produção de bens finais localmente, com a utilização de matérias-primas oriundas do segmento petroquímico.
"Há de se considerar que em Camaçari, além da Montadora Ford, operam outras 26 empresas sistemistas, ou seja, empresas parceiras da Ford, que fornecem principalmente componentes para a montagem de automóveis. E seguindo os passos da Ford, mais dois empreendimentos importantes se instalaram no segmento automotivo do Polo: a Continental e a Bridgestone, ambas fabricantes de pneus em Camaçari" pontua o superintendente.
Mas, na opinião de Mauro Pereira, não foi apenas a chegada da Ford que mudou o panorama do Polo. Ele cita os vários "Núcleos Âncoras de Crescimento", que colaboram, sobremodo, para a consolidação do mais ambicioso projeto da Bahia, que mudou definitivamente o perfil econômico do Estado e se constituiu numa significativa contribuição para a desconcentração industrial no Brasil.
"Temos o núcleo petroquímico, ancorado pela Braskem, o núcleo automobilístico, capitaneado pela Ford, o núcleo de metal mecânica, que tem como referência a Parapanema e o núcleo de celulose, ainda em fase inicial de exploração, através da Bahia Specialty Cellulose (BSC), mas temos um diferencial em relação a outros complexos industriais instalados no País, que é o cuidadoso e competente gerenciamento ambiental que fazemos através da Cetrel, que é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência dos seus serviços. E olhe que não é nada fácil gerenciar uma imensa área que concentra expressivo número de empresas de todos os tipos e atividades. Mas somos bem sucedidos, pois ao longo dos anos fomos paulatinamente incorporando o que há de melhor no mundo no que tange a gerenciamento ambiental".
DE VOLTA AOS NÚMEROS -Desde o início de sua operação até hoje, o Polo já recebeu investimentos de R$ 12 bilhões e dezenas de indústrias de todas as partes do mundo fincaram bases de operação
Segundo o secretário da Indústria, Comércio e Mineração (SICM) do Estado, James Correia, a instalação de um novo polo, que deverá agrupar mais de 40 empresas, "irá consolidar o desenvolvimento industrial da cidade, gerando mais emprego e renda para Camaçari, que tem grande área territorial e possui uma vocação natural para implantar grandes empresas de vários setores proporcionando a diversificação das atividades e negócios, o que é salutar para o Estado".
De olho neste nicho de mercado, aumenta dia a dia o número de empresas interessadas em se instalar no Polo. Neste contexto, ganha visibilidade o Complexo Acrílico, que, na opinião de Mauro Pereira "destaca-se por se tratar de um projeto com grande potencial de integração da cadeia produtiva local, desde a primeira geração, através do suprimento de matéria-prima (propeno) pela Braskem, passando pela segunda geração, com desdobramentos importantes também na terceira geração, pois possibilita a fabricação de produtos finais com maior valor agregado".
O trabalho de atração de novas empresas não para por aí. Recentemente, o Cofic, a Federação das Indústrias do estado da Bahia (Fieb) e a Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração lançaram o Cuia de Atração de Investimentos para o Polo, oferecendo 23 novas oportunidades nos segmentos de fertilizantes, celulose, petroquímico, metalúrgico e de autopeças.
"0 leque de oportunidades é vasto e inclui, além da expansão e diversificação industrial, a complementação da cadeia produtiva tanto no segmento petroquímico, por exemplo, quanto no automotivo, onde há espaço para empreendimentos locais na área de autopeças.
A diversificação é importante, principalmente na vertente de atração de empresas transformadoras, que utilizem as matérias-primas fabricadas no Polo para a produção local de bens finais com maior valor agregado", pondera Mauro Pereira.