Cotonicultores vão produzir algodão de fibra longa na Bahia

15/08/2011

OESTE Variedade de fibra longa usada em tecidos mais nobres terá a primeira safra comercialmente viável no Brasil



JOÃO PEDRO PITOMBO



A partir da próxima safra, os cotonicultores do oeste baiano começarão a produzir uma variedade de algodão de fibra longa - produto valorizado pela indústria têxtil e utilizado na fabricação de tecidos mais nobres. O produto 6 resultado do desenvolvimento da cultivar (variedade) BRS 336, feito pela Fundação de Apoio à Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste Baiano (Fundação Bahia), em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com financiamento do Fundeagro.



As sementes para a produção são resultado de um trabalho de melhoramento genético, que além de criar um produto mais valorizado no mercado têxtil, é resistente a doenças e possui uma produtividade maior em relação ao algodão atualmente produzido na Bahia.



A previsão é que na safra 2011/2012, sejam plantados cerca de 1.500 hectares do novo tipo de algodão, o que deve resultar na colheita de 22.500 toneladas do produto. "Será a primeira safra de algodão de fibra longa comercialmente viável no Brasil Nas tentativas anteriores, as plantas eram susceptíveis a doenças e por isso tinham baixa produtividade", atesta o presidente da Fundação Bahia, Amauri Stracci.



A perspectiva é que a produção se expanda com ainda mais força pelo oeste baiano somente a partir de 2012. quando haverá uma maior disponibilidade de sementes do mercado. Para a próxima safra, já foi vendido todo o estoque de sementes produzido: foram mil sacas com 20 quilos de sementes cada.



Com um comprimento de 34 milímetros, em contraste com o comprimento médio de 27 milímetros das variedades tradicionais, a BRS 336 ainda se destaca pela resistência da fibra. "Este padrão inexiste atualmente entre as cultlvares em uso no Brasil. Ê uma inovação, uma novidade que a gente está trazendo para o produtor", destaca Camilo Morello, pesquisador da Embrapa.



Produtividade



Além da cultivar BRS 336, a parceria entre a Embrapa e a Fundação Bahia também resultou na criação da cultivar BRS 335. Específica para cultivo nas áreas de cerrado da Bahia, a nova variedade gera um algodão de fibra média que se destaca pela sua produtividade. "Apesar do tamanho médio e características mais comuns, a BRS 335 possui um potencial maior de produção por hectare, ampliando os ganhos do produtor"'. destaca Morello.



Nova variedade possui valor de mercado 30% mais alto


A procura inicial pela cultivar BRS 335 é justificada pelo potencial de mercado da nova variedade. O algodào de fibra longa possui um valor de mercado 30% mais alto em relação aos tipos tradicionais de algodão. Afirma Amauri S tracei, da Fundação Bahia: "E um produto mais valorizado que cria um mercado fantástico para o produtor".



Atualmente, cerca de 15% da produção têxtil do Brasil tem este tipo de algodão como matéria-prima. Como ainda nãoé produzido no Brasil, o algodão de fibra longa temque ser importado de países como o Egito e Estados Unidos. Um cenário que favorece a produção para abastecer o mercado interno. "Vamos tentar suprir a produção que hoje tem que ser importada, desde que a indústria remunere bem o produtor", destaca Stracci.



Doenças



Além do maior potencial de mercado, as cultivares desenvolvidas pela Embrapa e Fundação Bahia também são mais resistentes a doenças causadas por fungos, vírus e bactérias. A BRS 336, por exemplo, é considerada resistente ã "doença azul" uma das viroses mais típicas que acontecem nos algodoeiros. A espécie também é resistente à chamada "mancha angular", doença causada pela ação de bactérias.



De acordo com o pesquisador da Embrapa, Camilo de Lelis, o melhoramento genético é a maneira mais eficaz de combater doenças como a mancha angular. "Como ela é uma bactéria, o tratamento teria que ser feito com antibióticos, o que não acontece no caso de plantas", orienta. Por outro lado, explica Lélis, as espécies não estão imunes ãs ações das pragas.

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