AGÊNCIAS FOLHAPRESS, ESTADO E O GLOBO
São Paulo e Brasília
O presidente da JAC Motors no Brasil, Sérgio Habib, disse ontem que o decreto que aumentou o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para veículos importados inviabiliza a construção da fábrica da montadora chinesa no país. O Investimento previsto pela JAC nesta fábrica é de US$ 600 milhões. A Bahia é um dos estados que tentam atrair a planta industrial, que terá capacidade para produzir cerca de 100 mil veículos por ano e deverá gerar 3,5 mil novos empregos diretos.
"A previsão da JAC Motors é que a fábrica fique pronta em 2014. Ou seja, só atingiríamos o índice de nacionalizaçào em 2017, o que nos daria direito ao IPI reduzido. Isso é inviável" disse. "Mas tenho certeza que vamos acertar Isso com o governo e alguma coisa vai mudar", acrescentou.
Ele garantiu que, por enquanto, a JAC tem estoque superior a 30 dias, e que até lá a empresa não irá aumentar o preço dos carros. "Não vamos repassar isso Integralmente. Por enquanto nossos preços continuam os mesmos". Habib afirmou ainda que pretende não repassar totalmente o aumento do IPI para o consumidor. Segundo ele, a JAC pretende cortar custos em propaganda e margem de lucro das concessionárias.
O alvo do governo de aumentar o IPI para os carros Importados por empresas que não usarem 65% de peças fabricadas no Mercosul são as marcas chinesas e coreanas, que não têm fábrica no País e que responderam por quase 25% das Importações de veículos de janeiro a agosto. Na análise da especialista do setor automotivo do insper, Letícia Costa, o segmento mais afetado será do Importado popular porque o consumidor que compra esse veículo é mais sensível a aumento de preço. Com a nova tributação, o IPI sobre os carros 1.0 salta de 7% para 37%.
Corrida - O dia seguinte ao anúncio do IPI maior para importados foi de corrida dos consumidores as concessionárias. Sob o alerta de aumento nos preços dos veículos em até 30%, a direção da importadora Euroblke (BMW), em São Paulo, recomendou a todas as concessionárias que ligassem para os clientes com negócios pendentes pedindo que fossem as lojas fechar a compra.
A estratégia provocou um corre-corre ãs concessionárias. Numa delas, em Alphaville, dois veículos foram vendidos em menos de seis horas. Os carros em estoque foram vendidos a preço de tabela, enquanto os novos terão o valor reajustado.
Na concessionária Mavi Motors, que revende carros da coreana Kia, a expectativa é que a forte procura faça com que o atual estoque se esgote na metade do tempo normalmente previsto.
Antes do anúncio da alta do IPI, a expectativa era que os carros ã disposição na loja se esgotassem somente em 20 dias. "Está uma loucura hoje (ontem), o telefone não para de tocar. O movimento promete neste fim de semana", diz o gerente da loja, Francisco Braga.
Em média, ali são vendidos cinco veículos por dia. Esse número Já tinha sido atingido no início da tarde de ontem. Um dos compradores era o advogado Maurício Albuquerque, que adquiriu um modelo Picanto.
Ele correu para a concessionária assim que soube da medida anunciada pelo governo. "Já pretendia comprar esse carro, mas o aumento do IPI foi a senha para que eu me adiantasse" afirmou.
Na JAC Motors, a perspectiva não era diferente. Embora proibidos de falar pela empresa, funcionários de uma concessionária relataram que clientes não param de procurar a loja atrás de informações sobre os preços.
A orientação da empresa é que a atual tabela de preços seja mantida, até, pelo menos, que os estoques sejam esgotados. "Vendi um carro de manhã, e a procura está sendo acima do normal", relatou uma vendedora. Na loja da Hyundai/Caoa de Perdizes, o corre-corre de clientes também foi intenso o dia todo.