Litoral Norte ganhará uma fábrica de fibra de coco

Publicado: 10/10/2011 Última atualização: 06/10/2026 às 09:00

ALANA FRAGA



Falta de tecnologia e dificuldade de acesso ao crédito estão entre os principais fatores para a baixa produtividade de coco no Estado, que, ainda assim, é o maior produtor do fruto no País e lidera o ranking de área plantada.


Mas a chegada de uma grande fábrica de fibras de coco no principal município produtor do Estado, Conde, no Litoral Norte, traz novas expectativas de mudanças.



Com um investimento inicial de R$ 120 milhões, a previsão é que a fábrica do Grupo Auratianca, da Holanda, gere cerca de 500 empregos diretos e três mil indiretos na região.


A primeira fase do complexo industrial que está sendo construído deverá entrar em funcionamento no próximo ano, processando 25 milhões de coco/ano para fabricação de fibra.



Oportunidade



Num segundo estágio, a indústria vai produzir óleo e leite de coco e, na terceira fase, vai industrializar água de coco. Toda a matéria-prima será adquirida pelos produtores da região.


Segundo o presidente da Associação dos Lavradores de Altamira II, Antônio Inácio da Silva, o acordo de garantia de venda da produção com a indústria facilitará o acesso a financiamentos para Investir na melhoria da produtividade.


"Vamos ter mais oportunidade para financiamento, porque hoje praticamente a gente não tem, e investir em mudas, remédios, adubo. Estamos ainda pensando em fazer poços para a Irrigação durante o verão". planeja.



Com a fábrica, os produtores também terão um preço médio a ser estabelecido entre as partes pelo cento do coco, que hoje varia entre R$ 30 e R$ 120, a depender da estação.



"De maneira geral, está havendo um aumento do consumo e da demanda, enquanto que o coco seco está com uma oferta menor, em decorrência da decadência do coqueiral, falta de aplicação dos tratos culturais, manejo adequado, em função de oscilação de preço, pragas, doenças e até a especulação imobiliária à beira-mar. Enquanto Isso, muitas empresas estão Investindo na compra de água de coco para envasamento". explica o pesquisador Humberto Rollemberg, da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju).



Ele diz que há pouco incentivo governamental ao plantio e os produtores têm dificuldade crédito adequado à cultura.


"Essa cultura é relegada a segundo plano, embora tenha um grande valor. Inclusive socialmente, porque a maioria das áreas cultivadas é de pequenos produtores, com menos de 10 hectares", destaca.





Mercado em ascensão para um produto ecologicamente correto



A casca do coco também tem bastante potencial parabene-ficlamento, além de agregar valor ao que seria descartado pelos produtores e consumidores. A Saturno Fibras, uma das principais fábricas de fibras de coco do Estado, instalada no Conde, produz subprodutos da casca do coco.



Para produzir fibras de coco, substrato (o pó, que serve para adubo), biomanta vegetal e fibra retentor, usada na contenção de encostas, a Saturno consome cerca de 20 toneladas de cascas de coco diariamente, que são compradas dos produtores locais por cerca de R§ 70 (cinco toneladas). Com isso, é possível produzir seis mil toneladas por mês só de fibras.



"Hoje, o mercado é bem fechado e o investimento disso ainda é alto, mas vale a pena. O mercado está em ascensão, e cada vez mais a tendência das industrias é para esse lado natural", diz o proprietário da indústria, Marlon Côrtes.



Segundo ele, mesmo com a fábrica trabalhando quase 24 horas por dia, nem sempre é possível atender à demanda dos clientes para os quais distribui em todo o País.


Utilidades - As fibras da casca do coco são aproveitadas, principalmente, pelas empresas automobilísticas na confecção do estofado dos bancos, dentre outras utilidades.


O técnico da EBDA, Fernando Florence, reforça que,além do valor econômico, da geração de emprego e renda, o beneficiamento das cascas contribui para a redução dos aterros. "Uma casca demora até 10 anos para se decompor por completo", destaca Florence.



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