Produzir madeira plástica a partir da mistura com fibra de celulose é uma das tecnologias desenvolvidas pelo Centro de Inovação e Tecnologia Ambiental (CITA), inaugurado há três meses pela Cetrel, empresa de proteção ambiental responsável pelo tratamento e monitoramento de resíduos e efluentes do polo industrial de Camaçari, na Bahia.
Concebido com o objetivo de transformar resíduos industriais em produtos sustentáveis, o CITA mantém pesquisas ainda para reaproveitar metálicos e compostos de enxofre, metais preciosos e para a produção de asfalto ecológico.
Em sua unidade piloto, o centro vai fabricar eco produtos em escala semi-industrial. "A premissa é que a sustentabilidade está cada vez mais presente na estratégia de grandes empresas", diz Tomaz Assmar, líder de novos negócios da Cetrel.
A madeira plástica apresenta propriedades semelhantes às da madeira natural e pode ser utilizada para fazer tábuas e ripas, entre outros materiais.
Esse produto é fabricado a partir da reciclagem de plástico processado para obter um material sólido com uso igual ao da madeira.
O CITA produz a madeira plástica em parceria com a Braskem a partir de uma mistura de resíduos sólidos de fibra natural e resinas. Cerca de mil toneladas de resina plástica descartada pela empresa, mensalmente, é reaproveitada pela construção civil.
A expectativa dos técnicos do CITA é produzir madeira plástica com preço mais acessível até do que a feita nos Estados Unidos, um dos grandes produtores desse tipo de material.
O projeto de recuperação de enxofre com grau de pureza até cinco vezes maior do que o produto disponível no mercado, também em curso, confere ao produto um padrão mais alto de qualidade e, em consequência, maior valor agregado.
A planta-piloto para produção deste elemento deve entrar em operação em 2012. O material deverá ser utilizado pela indústria de cosméticos. "Os projetos do CITA vão dar mais competitividade às empresas", diz Assmar.
Foram investidos R$ 15 milhões na construção do centro que conta com laboratórios e equipamentos com tecnologia de ponta onde atua uma equipe de 25 profissionais de diversas áreas, como química e engenharia.
A Cetrel planeja desenvolver tecnologia em parcerias com empresas ou licenciar as tecnologias dos processos para que as indústrias possam produzir em maior escala.