Investimento no setor náutico prevê criação de 20 mil empregos até 2015

28/11/2011


Vanessa Alonso



O futuro é promissor. Com investimentos anunciados de US$85 milhões (cerca de R$ 160 milhões) do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur Nacional) na Baía de Todos-os-Santos, Salvador tem tudo para trazer ainda mais oportunidades para o setor náutico até 2015.


"O impacto dessa verba na economia do turismo baiano vai gerar 20 mil empregos em terra, mar e ar nos próximos quatro anos", calculou o secretário de Turismo, Domingos Leonelli.



"O governo está tomando esse financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvi-mento) com apoio do Ministério do Turismo, e já estamos com investimentos iniciais de R$ 4 milhões assegurados para a reforma do Terminal Náutico e a ampliação da marina em frente ao Mercado Modelo. Depois do Carnaval, já começamos, e o prazo para término é até agosto de 2012", garante Leonelli.



Capacitação - Se, por um lado, a notícia é boa, por outro, faltam profissionais capacitados para trabalhar no mercado náutico.


De acordo com o secretário, a área emprega desde técnicos, como mecânicos de embarcações e costureiros de velas, até funcionários com nível superior, como os administradores das marinas.


Sócio da Marina Boat, Rodrigo Souza admite que é difícil compor o quadro de funcionários. "O setor náutico ainda é muito principiante na Bahia, mas temos uma área rica de oportunidades. Temos muita dificuldade para encontrar pessoas capacitadas", afirma ele, que tem 12 funcionários.


Segundo o empresário, o salário pode chegar a R$ 3 mil para o pessoal de manutenção de embarcações e motores, enquanto vendedores de lanchas e acessórios têm o piso de R$ 800, podendo chegar a R$ 8 mil a depender das comissões.


Já os gerentes podem ganhar até R$ 15 mil. "Nossa lancha mais barata custa R$ 38 mil, e a comissão fica entre 1% e 1,5%, justifica.




Empresários de olho no potencial da Baía de Todos-os-Santos



Se depender da profecia do consultor náutico Walter Garcia, os empresários do setor podem começar a se preparar:


"A Baía de Todos-os-Santos tem grandes chances de se tornar um centro náutico de excelência mundial". Mas ressalva: "É preciso que as políticas públicas anunciadas sejam tomadas".



De olho nas possibilidades de incremento dos lucros e cientes do potencial náutico da capital baiana - dona da maior Baía do Brasil e do Atlântico Sul, recheada de águas com temperatura e ventos ideais para navegação e mergulho, os empresários do setor já estão otimistas.


O empresário Jonas Penteado Filho, por exemplo, revela que a procura dos baianos por barcos tem aumentado nos últimos anos.


"À medida que o pessoal vê os produtos na televisão, na internet, aumenta a curiosidade de experimentar. A procura tem sido tanto de quem nunca teve como de quem está querendo trocar", analisa ele, que está no mercado desde 1987 com a loja Regatta.


Atualmente, ele chega a vender até 100 unidades por ano, com preços a partir de R$ 50 mil, enquanto em 2005 esse número não passava de 80.


"Temos perspectiva de crescimento para daqui a uns três anos, que é o prazo para começarmos a ver os resultados dos investimentos públicos", completa Jonas.



Com o mesmo pensamento de colher frutos a médio prazo, o empresário Rodrigo Souza inaugurou a Marina Boat há dois meses, na Bahia Marina.


"Queremos aproveitar o crescimento da atividade náutica do País. Está acontecendo com os barcos o mesmo que aconteceu com os carros na época de Collor, a abertura de mercado, com inovação e produtos de maior qualidade", avalia ele, que pretende vender pelo menos 10 lanchas até o final deste ano.



Incremento - Para a Secretaria de Turismo da Bahia (Setur), a partir dos investimentos do Prodetur, a meta é aumentar a receita do turismo na Baía de Todos-os-Santos dos atuais US$ 734 milhões (R$ 1,3 bi) para US$ 1 bilhão (R$ 1,8 bi) até 2015.


Já a demanda de turistas nacionais deve aumentar em 397 mil pessoas no mesmo período. Os números também serão possíveis graças aos novos investimentos privados que devem se instalar na capital baia-na.


"A Alfermetal, uma fábrica espanhola de marinas ecológicas já anunciou que vai se instalar na Baía de Aratu. Além disso, duas empresas francesas de bases de charter, a Dream Yacht Charter (DYC) e a Croncean Services já anunciaram a vinda para a Bahia e estão em busca de áreas para instalação", revelou o secretário Domingos Leonelli, que ainda não tem previsão de data para a assinatura do protocolo de intenções.


E por falar em charter náutico (modalidade de aluguel de embarcações), o segmento também é promissor no Estado.


"A procura por esse serviço tem aumentado, está em ascensão, com muito espaço para crescimento. Nossa perspectiva é muito boa para os próximos anos diante desse cenário de investimentos e Copa do Mundo", revela a sócia da Vivence Turismo, Joana Kalid, que oferece serviços com valores a partir de R$ 1,4 mil por dia. "Mas é preciso melhorar a infraestrutura oferecida", pondera.






Turistas náuticos estão entre os que gastam mais nos destinos


Atrair mais turistas é uma das formas de alavancar o mercado náutico, afinal, muito além de alugar um barco para navegar (modalidade charter) na Baía de Todos-os-Santos ou fazer um passeio de escuna, eles se hospedam, se alimentam e ainda compram lembranças.


"Os locais onde sedesenvolve o turismo náutico têm as indústrias náuticas mais fortes. Além disso, o turista náutico está entre os que mais gastam, só perdendo para o turista que busca o golfe", avalia o consultor náutico Walter Garcia, enfatizando que os visitantes costumam gastar em média US$ 500 por dia no destino.



De acordo com o Plano Estratégico do Turismo Náutico da Baía de Todos-os-Santos, elaborado pela Setur, o turismo náutico ainda alavanca outras atividades: restaurantes, animação noturna, atividades esportivas, compras, atividades relacionadas à natureza, visitas culturais e circuitos turísticos diversificados.



No entanto, ainda segundo o documento, as atividades náuticas estão distribuídas de maneira desigual no Brasil, concentrando-se sobretudo no eixo Rio-São Paulo, que detém 63% do valor.


Para o Ministério do Turismo, náutico é "toda atividade de navegação desenvolvida em embarcações sob ou sobre águas paradas ou com correntes, sejam fluviais, lacustres, marítimas ou oceânicas".

Tags
destaque 2