Uma nova tecnologia para produzir etanol com bagaço e palha de cana pode dobrar a produção do combustível no Brasil.
A avaliação é da multinacional dinamarquesa Novozymes, que inaugurou na semana passada um centro de pesquisa e desenvolvimento para o setor de bioenergia em Araucária (região metropolitana de Curitiba).
Atualmente, o etanol é extraído diretamente do caldo da cana-de-açúcar. Cada tonelada de cana rende 45 litros de combustível e 270 quilos de bagaço.
Esse bagaço pode gerar mais 40 litros de etanol, quase dobrando a produção para 85 litros, diz Benjamin Raerup Knudsen, gerente nacional de pesquisa e desenvolvimento da Novozymes.
"Isso eliminaria a necessidade de importarmos etanol. Hoje, o Brasil importa 1 bilhão de litros por ano, que equivale a 4% dos cerca de 26 bilhões de litros que serão produzidos em 2011", diz Fernandes.
Apesar do aumento da produtividade, no entanto, isso não deve reduzir o preço do álcool combustível para o consumidor final.
Os executivos da Novozymes são cautelosos sobre uma possível queda do preço. "Só o tempo dirá", afirma Fernandes. "Não esperamos que o etanol de bagaço de cana vá se tornar mais barato que o etanol obtido a partir do caldo da cana-de-açúcar", diz o vice-presidente executivo mundial da empresa, Per Falholt.
Produção a partir do bagaço - O etanol de segunda geração é produzido a partir do bagaço ou da palha de cana-de-açúcar.
Para isso, são necessárias enzimas que quebram as cadeias de celulose em açúcares fermentáveis, que são a matéria-prima para o combustível.
"Com o novo laboratório, teremos maior capacidade de realizar pesquisas de enzimas para a produção do etanol celulósico, ou de bagaço de cana", afirma Pedro Luiz Fernandes, presidente regional da empresa na América Latina.
"O etanol de bagaço de cana será uma das alternativas para o Brasil assegurar o atendimento da demanda doméstica nos próximos anos. Ele irá permitir que os produtores obtenham mais valor pelo mesmo hectare de cana-de-açúcar. E, hoje, em torno de 65% a 70% do custo do etanol vem dos custos da agricultura", diz.