Bahia representa nova fronteira da mineração brasileira

13/12/2011


Nivaldo Souza


A bauxita de Jaguaquara promete colocar o centro-sul da Bahia em destaque no mercado global de commodities.


É nessa cidadezinha com cerca de 50 mil habitantes, mais próxima de Vitória do Espírito Santo que de Salvador, onde a anglo-canadense Rio Tinto Alcan coloca R$ 4,5 bilhões para produzir 1,8 milhão de toneladas anuais do mineral usado para fabricar o alumínio.



O aporte, primeiro de peso da empresa no Brasil, é reflexo da alta nos preços das commodities que faz regiões, até então pouco expressivas em mineração, ganhar peso com projetos bilionários - com destaque para o Nordeste.


Não à toa, o Estado também é alvo da Bahia Mineração (Bamin), em projeto estimado em US$ 2,5 bilhões para produzir 20 milhões de toneladas de ferro por ano a partir de 2014. "O nosso projeto é o maior do Estado", diz o presidente da Bamin, José Francisco Viveiros.


O aporte é feito de olho no apetite chinês por matérias-primas, responsável por elevar o preço da tonelada de ferro de cerca US$ 15, em 2001, para algo próximo a US$ 140, em 2011.


Mesmo diante de incertezas sobre a manutenção dos preços nesse patamar, o executivo mantém perspectivas de ganhos largos. "Estamos vendo os preços com muito otimismo, sustentando-se em nível que vai segurar nosso investimento. Ainda há uma questão estrutural de oferta e demanda desequilibrada", avalia Viveiros.


Descoberta por um grupo de geólogos brasileiros e depois comprada pelo grupo Zamin Ferrous, do indiano Pramod Agarwal, a reserva da Bamin em Catité, sudoeste baiano, pertence hoje à cazaque Eurasian Natural Resources Corp. (ENRC), que arrematou o projeto em outubro de 2010 por US$ 304 milhões e, no início deste ano, tirou Viveiros da diretoria de mineração da ArcelorMittal.


O depósito tem um minério com baixo teor de ferro (entre 35% a 40%) e, para elevar o produto aos níveis mais negociados no mercado (66% a 68%), a mineradora pretende adotar o processo de mineração sem uso de água para 50% da produção.


Outras 10 milhões de toneladas serão beneficiadas no modelo tradicional, com água retirada do rio São Francisco. Tanto a produção a seco quanto a úmida serão escoadas pelo porto de Ilhéus, que a Bamin deve acessar pela Ferrovia de Integração Oeste-Leste, em construção pela Valec.


A Bahia tem dez projetos que somam R$ 11,7 bilhões até 2014, segundo a Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração do estado.


O montante inclui investida no recôncavo baiano pela Sul Americana de Metais, joint venture entre a Votorantim e as chinesas Honbridge Holdings e Xinwen Mining Group.


A mineradora pretende instalar uma usina de R$ 2 bilhões na região de Ilhéus para produzir 7 milhões de pelotas de ferro por ano. O produto será resultado do minério que Sul Americana deve extrair em Grão Mogol (MG), no Vale do Jequitinhonha.


Segundo Germano Mendes De Paula, especialista em mineração e professor do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, os investimentos baianos são responsáveis por deslocar o eixo de produção da tradicional zona extrativista do Pará e Minas Gerais.


"A Bahia representa a nova fronteira da mineração brasileira", afirma.


Não por acaso, foram solicitados ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) mais de 4 mil requerimentos de estudos geológicos entre janeiro e outubro, contra 2,7 mil em todo ano de 2010. Já os aportes projetados pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para 2011-2015 contabilizam US$ 4,3 bilhões.


Para Luiz Antônio Ferraz, presidente da processadora de cobre Paranapanema, a logística portuária é o diferencial da Bahia.


"O porto de Salvador atende tanto a exportação como a navegação de cabotagem para outros estados. Após os investimentos previstos no PAC, a zona portuária baiana vai ser ainda mais competitiva", avalia.


A Paranapanema está no Estado há cerca de 30 anos e, agora, investe R$ 329 milhões para ampliar a fabricação de itens de cobre em 46 mil toneladas.


Outros Estados nordestinos também se preparam para receber a mineração. Caso do Rio Grande do Norte, para onde o Ibram projeta US$ 840 milhões.


Com destaque para a Susa Mineração, que prevê US$ 440 milhões em projeto de ferro em Cruzeta, mineroduto e terminal portuário em Natal para 5 milhões de toneladas de ferro.


Já no Alagoas, de um total de US$ 250 milhões, a Mineração Vale Verde deve aplicar US$ 125 milhões em Arapiraca, no sertão alagoano, para produzir ferro.


Enquanto no Ceará, a Galvani coloca US$ 170 milhões para retirar fosfato associado a urânio em Santa Quitéria, em parceria com a Indústrias Nucleares do Brasil (INB).


O Estado recebe US$ 250 milhões até 2015. Sergipe se especializa em fosfato, usado pela indústria de fertilizantes.


É lá que a Águia Mineração, do grupo canadense Forbes&Manhattan, pretende produzir anuais 1 milhão de toneladas em Rosário do Catete, com US$ 850 milhões.



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