06/01/2012
A transferência dos comerciantes da Feira de São Joaquim para o Galpão Água de Meninos, cedido pela Codeba, começou ontem. Até o fim deste mês, 500 comerciantes estarão ocupando o novo espaço para que a antiga feira seja inteiramente recuperada. A expectativa é de que as obras, com investimento aproximado de R$ 60 milhões, oriundos dos governos federal e estadual, continuem até o final deste ano.
Nos becos e barracas da feira onde trabalham mais de cinco mil pessoas, entre feirantes, balconistas e carregadores, são encontrados ervas para o povo de santo, temperos, carnes, peixes, frutas, legumes, artesanatos e muitos outros produtos.
Comerciante de variedades – do azeite de dendê a copos plásticos –, Erivaldo dos Santos, 49 anos, há 40 trabalha na feira. Ele diz que desde criança acompanha o crescimento desordenado do local e afirma estar contente com a nova organização. "Quando estivermos instalados no lugar definitivo, teremos aprendido a trabalhar com mais higiene e a dar melhor atenção ao cliente."
A aposentada Antônia Nascimento Batista, 76, conta que desde os 12 frequenta a feira. "Eu vinha no bonde para Água de Meninos e subia a Ladeira do Funil com a cesta na cabeça. Cresci, casei, a feira mudou para São Joaquim e continuo vindo. Aqui, todo mundo trata a gente bem e tudo tem qualidade. Agora vai melhorar para os vendedores e para os compradores."
Tânia Maria de Souza também é aposentada e afirma que em São Joaquim compra, com preços mais em conta, feijão, carne de sertão, galinha e outros gêneros. "A reforma vai evitar a sujeira e dar mais segurança para nós."
Organização –Presidente da Associação dos Feirantes de São Joaquim, Nilton Ávila recorda que há 48 anos os trabalhadores locais tentam obter melhorias. Ele comemora pela oportunidade de poder trabalhar numa feira urbanizada, com as práticas de vigilância sanitária em dia."
O presidente do Sindicato dos Feirantes e Ambulantes de Salvador, Marcílio Costa, destaca a melhora da renda dos trabalhadores. "Um pequeno comerciante daqui tem faturamento médio mensal de R$ 1 mil. Com a reforma e a capacitação, queremos aumentar o ganho em até 100%."
Durante o tempo em que estiverem no galpão, os feirantes terão pontos de luz e água, além de internet sem fio, a custo zero. A limpeza dos ambientes também está garantida. Na área externa, a Limpurb fará a limpeza, e na área interna o serviço será feito pela Ebal, que ficará responsável pela administração do espaço.
Novo ponto integrado ao destino Salvador
A transformação da Feira de São Joaquim em ponto turístico integrado ao destino Salvador é outra grande conquista, segundo o secretário do Turismo, Domingos Leonelli. "Temos aqui elementos culturais, da culinária, da religião, principalmente do Recôncavo. Com a recuperação do espaço, a abertura para a Baía de Todos-os-Santos e a construção de um atracadouro, a feira vai ser um novo ponto turístico da Bahia, como a Igreja do Bonfim e o Farol da Barra."
A recuperação da feira envolve as secretarias do Turismo (Setur), de Cultura (Secult), de Desenvolvimento Urbano (Sedur) e da Indústria, Comércio e Mineração (Sicm), por meio da Ebal.
O primeiro projeto de requalificação foi elaborado pela Secult, por meio do Ipac, e depois reelaborado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), em parceria e sob a orientação da Secretaria do Turismo. Para a reelaboração do projeto, reforma do galpão, construção do Pátio dos Grossistas e fiscalização da obra, foram investidos mais de R$ 10 milhões. As obras contam ainda com recursos de R$ 32 milhões oriundos do Ministério do Turismo (R$ 29 milhões) e do Estado (R$ 3 milhões). O galpão tem 221 boxes, incluindo 39 restaurantes e 142 bancas.