A Bahia ganhou assento permanente na Câmara Nacional de Citricultura (CNC), passando a integrar os fóruns de discussão do setor. Na primeira participação do Grupo de Trabalho Frutas de Mesa, neste mês, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura (Seagri), apresentou o panorama da citricultura, que tem os maiores polos produtores na Chapada Diamantina e na região oeste.
Dados da Adab indicam que aproximadamente 70% da laranja produzida é transformada em suco concentrado. Segundo lugar na produção de citros do país, a Bahia gera renda para 260 mil pessoas em monocultivos ou de forma consorciada com fruteiras, em grandes ou pequenas propriedades, sob complexos modelos de irrigação ou áreas de sequeiro.
"Ao integrar a CNC, a Bahia e os produtores demonstram a força desse segmento e o compromisso de todos os elos dessa cadeia para a melhoria da atividade", afirma o secretário estadual Eduardo Salles. De acordo com o diretor-geral da Adab, Paulo Emílio Torres, a citricultura é uma atividade de importância social. "Por isso, todos os esforços são voltados para garantir a fitossanidade da fruta, a modernização do setor e as condições para comercialização da produção."
Modernização – A comercialização de frutas frescas também integrou a pauta do encontro. Diante do volume de negócios gerados e da importância social da cultura, os participantes da reunião avaliaram as possibilidades para investimentos e modernização de packing houses, inserção da cadeia na fase de pós-colheita como estratégia de competitividade e melhoria da qualidade da mão de obra.
"O segmento de exportação de frutas de mesa produzidas na Bahia poderá ser muito importante para a agricultura familiar, tendo em vista que 80% da área cultivada fica em módulos rurais de tamanho inferior a dez hectares, e a produção, ainda que em pequena escala, poderia atrair preços competitivos, o que compensaria o volume produzido", diz o diretor de defesa vegetal da Adab, Armando Sá.
Durante os debates também foram analisadas a necessidade de inventariar a produção de frutas de mesa em todas as unidades federativas produtoras de citros, estabelecer padronização para os frutos, contemplando tamanho, qualidade cosmética, tipo de embalagem, tratamentos pós-colheita, além de atrair investimentos em qualificação e modernização de máquinas para seleção.
"Como o grupo de trabalho está em fase inicial, admite-se a participação de outras entidades do setor produtivo, a exemplo do segmento de produção de mudas e da Embrapa/CNPMF [Centro Nacional de Pesquisa de Mandioca e Fruticultura], pela valiosa contribuição científica que vem prestando com o lançamento de novas variedades de copas e portas-enxertos", explica a coordenadora do Programa de Citros da Bahia, Suely Brito.