Alstom terá fábrica de equipamentos eólicos na Bahia

21/12/2009












DAVI LEMOS


Ogoverno do Estado da Bahia assinouna tardede ontem,no Convento do Carmo (Pelourinho), um protocolo de intenções com a multinacional francesa Alstom, que construirá uma fábrica de equipamentos eólicosno PoloIndustrial de Camaçari, com investimentos iniciais de R$ 50 milhões.


As obras de construção da fábrica, a primeira da multinacional na América Latina, serão iniciadas em abril de 2010, e a conclusão está prevista para o início de 2011.


Quando estiver operando a plena carga, a unidade baiana da Alstom irá empregar cerca de 150 pessoas e faturar R$ 1 bilhãocom aprodução deturbinas eólicas.


A nova fábrica vai se dedicar à montagem de turbinas eólicas com capacidade instalada de 300 megawatts por ano. Na avaliação do secretário estadual de Indústria, Comércio e Mineração (SICM), James Correia, o simples fato da instalação da fábrica da Alstom na Bahia permite que a empresa faça operações de vendaa preçosmaiscompetitivos.


“Temos de 10% a 15% de todo o potencial de geração de energia eólica no País, e a competitividade das empresas que investem em energia eólica aumenta significativamente, porque se passa a cotar com preços discutidos localmente, com preços mais baixos”, explicou James Correia.


Leilão O anúncio feitoontem coincidecomo resultadodoprimeiro leilão de energia eólica, realizado no último dia 14, que vai gerar 1,8 gigawatt, sendo que a Bahia conta com 18 dos 71 projetos aprovados, o que representa 390 megawatts.


O governador Jaques Wagner diz que a vinda da multinacional se deu por conta de um trabalho silencioso que contou com duas visitas dele à sede da empresa, na França, nos meses de março e outubro.


“Nós não anunciamos nadaantes, masmuita gentecriticou as viagens realizadas ao exterior. Mas é assim que se traz novos investimentos”, disse o governador.


O presidente da Alstom Brasil, Philippe Delleur, destacou que “a vinda para a Bahia se deve à força econômica e à base industrial e educacional no Estado, que possibilita o desenvolvimento de tecnologias para a produção de energia renovável”.


Multinacional emprega 81 mil pessoas em 70 países



Há 55 anos no Brasil, a Alstom é líder mundial em geração de energia e infraestrutura ferroviária e busca se destacar ainda no desenvolvimento de tecnologia e equipamentos que respeitem o meio ambiente.


Além da construção de trens e metrôs automatizados, a empresa fornece usinas integradas para a geração de energia, trabalhando com hidrelicidade, gás, carvão, energia nuclear e eólica. Atualmente o grupo emprega 81,5 mil pessoas em 70 países e registrou encomendas que somaram 24,6 bilhões de euros entre 2008 e 2009.


A empresa, no ramo da energia eólica, monta e instala uma vasta gama de turbinas eólicas com potência entre 1,67 megawatt e 3 megawatts, sendo responsável por boa parte do desenvolvimento do mercado espanhol de energia eólica, que é o segundo maior da Europa. A Alstom Wind é responsável por 50% das vendas para outros países europeus. Até hoje, foram instalados pela empresa mais de 1.600 turbinas em 94 parques eólicos, correspondendo a 1.800 megawatts, cerca de 2% da base instalada no mundo.


Corrupção Especializada em transportes – trens de alta velocidade, bondes e metrôs – e energia, a multinacional é alvo de investigação judicial na França desde novembro de 2007, por suspeitas de ter pago milhões de dólares em subornos para obter contratos na Ásia e na América Latina, entre 1995 e 2003. Entre as obras estariam as do metrô de São Paulo. De acordo coma procuradoriade Paris, a Alstom teria pago US$ 6,8 milhões para obter contratode US$45 milhõesna capital paulista. Os investigadores apuram ainda pagamentos suspeitos de US$ 200 milhões que a multinacional teria efetuado em projetos no Brasil, Venezuela, Cingapura e Indonésia.



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