Na direção do Porto de Salvador, é possível ver ao longe as lanças de gigantescos guindastes que operam em navios atracados no cais. São novos equipamentos de pátio que, desde a semana passada, estão em funcionamento no Terminal de Contêineres da capital baiana.
Vindos diretamente da China, trata-se de três novos portêineres com capacidade Super Post-panamax (responsável pela movimentação dos contêineres entre o cais e o navio) e seis novos RTGs (pontes rolantes sobre rodas utilizados na movimentação dos contêineres no pátio).
Os equipamentos foram apresentados aos baianos em dezembro passado após viagem de navio que durou 40 dias (eles são transportados montados). As máquinas foram fabricadas pela ZPMC (Shangai Zhenhua Heavy Industries Company Limited), atualmente a maior fabricante mundial de equipamentos portuários.
Produtividade - Os Portêineres tem lanças de 60 metros de comprimento, capazes de atender navios com 22 fileiras de contêineres de largura, tamanho dos maiores navios em operação no mundo. Para se ter uma ideia, o maior navio porta contêineres atualmente em operação no mundo tem 400 metros de comprimento, 15 metros de calado e 22 fileiras de contêineres de lado.
As pontes rolantes, RTGs, se juntam às duas já existentes e substituem as Reach-Stackers (empilhadeiras de grande porte). A vantagem do novo equipamento é a otimização da utilização de espaço no terminal, que chega a aumentar em 30%, e maior produtividade.
Outra novidade é que os equipamentos refletem preocupação com a sustentabilidade, eles são os primeiros totalmente elétricos da América Latina. A aquisição elimina por ano a emissão de gases de efeito estufa equivalente a 26 mil árvores da Mata Atlântica.
A compra integra um volume de investimentos privados da ordem de R$ 180 milhões, que incluem as obras de ampliação e dragagem. São R$ 160 milhões no terminal portuário e R$ 20 milhões no depósito de vazios, localizado em Porto Seco Pirajá.
Com as novas aquisições do Terminal de Contêineres de Salvador, e as obras de ampliação em andamento (agora em fase final), será possível um incremento sobre a produtividade do terminal.
A capacidade de movimentação sai dos atuais 37 para 55 movimentos/hora. Isto representa estadias mais curtas, com redução de custos para o armador, aumentando sensivelmente a competitividade/atratividade do Porto de Salvador.
"Nossa expectativa com a expansão é recuperar a capacidade de atender a todos os navios de contêineres da costa brasileira", afirma o diretor executivo do Tecon Salvador, Demir Lourenço Jr.
Ampliação - As obras de ampliação no Tecon Salvador começaram em setembro de 2010, após a autorização para o aditivo do contrato com a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) e Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
O Tecon acrescentou uma área de 44 mil metros quadrados, totalizando 118 mil metros quadrados e o berço de atracação chegou a 377 metros. Posteriormente, foi realizada obra de dragagem ao longo do berço para uma profundidade de 15 metros.
Além das obras físicas, a companhia irá aumentar o número de tomadas frigoríficas no pátio de 500 para 650, para a armazenagem dos contêineres refrigerados que são utilizados para a exportação das frutas.
Ao final da expansão, prevista para junho de 2012, a capacidade de movimentação do terminal sobe de 250 mil TEUS (medida equivalentes a um container de 20 pés) por ano para cerca de 530 mil TEUS/ano - um incremento total de 67%.