Fiol será acelerada e Porto Sul deve ter licença concedida em breve

14/05/2012

Foto: Aristeu Chagas



Em entrevista ao Bahia Econômica, o Secretário da Indústria Comércio e Mineração , James Correia, anunciou que será firmado no próximo dia 23 de maio um acordo com a Valec para acelerar o ritmo das desapropriações da Ferrovia Oeste- Leste.



Correia disse, no entanto, que a Valec precisa melhorar, e muito, a gestão da Fiol e que não acredita que os primeiros trechos da ferrovia estejam prontos em 2014.



Mas mostrou-se mais otimista em relação ao Porto Sul: Nossa expectativa é de que a licença ambiental seja concedida até setembro. Veja a entrevista na íntegra.



BAHIA ECONÔMICA - O senhor tem declarado que a obra da ferrovia Oeste-leste está atrasada por falta de maior ação por parte da diretoria da empresa Valec. Que medidas o governo está tomando para agilizar as obras?



JAMES CORREIA - Depois da visita do governador Jaques Wagner e dos ministros Paulo Sérgio Passos (Transportes) e Miriam Belchior (Planejamento) ao canteiro de obras da Fiol, em Jequié, no mês passado, o ritmo das desapropriações foi acelerado. Um acordo firmado, em Brasília, entre o secretário da Casa Civil do governo da Bahia, Rui Costa, e o presidente da Valec, Eduardo Castello Branco, prevê mais celeridade nos processos. O documento será assinado no próximo dia 23 de maio, em Ilhéus. Mesmo assim, acredito que a Valec precisa melhorar, e muito, a gestão da Fiol.





BE - O senhor acredita que os primeiros trechos da ferrovia estarão prontos em 2014?



JC - Não, não acredito, mas é muito complicado falar de prazos no momento. A preocupação maior agora é acelerar os processos.





BE - E com relação aos projetos executivos do 2º trecho da ferrovia que não estão prontos, o que o senhor tem a dizer?



JC - Acredito que um melhor gerenciamento dos processos por parte da Valec, pode solucionar as pendências com o Tribunal de Contas da União e o Ibama, para assim, serem finalizados os projetos executivos.





BE - E o Porto Sul, quando será dada a ordem de serviços? A concessão do porto privado na área do Porto Sul já está definida?



JC - O governo da Bahia realizará novas audiências públicas para apresentação do Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) do Porto Sul e do projeto do empreendimento. As audiências vão acontecer entre os dias 28 deste mês e 2 de junho, em Itacaré, Uruçuca, Itabuna, Itajuípe, Coaraci e Barro Preto, municípios na área de abrangência do Porto Sul. Nossa expectativa é de que a licença seja concedida até setembro.





BE - No que diz respeito ao polo naval e aos estaleiros, quais as novidades? Vai haver investimentos do setor por parte da Multitec Engenharia e de outras empresas?




JC - Na semana retrasada, a gigante japonesa Kawasaki se associou à Odebrecht, OAS e UTC, na construção e operação do Estaleiro Enseada do Paraguaçu. A empresa japonesa passa a ser dona de 30% do estaleiro e vai transferir tecnologia e capacitar os trabalhadores locais para atuar na construção de navios, plataformas de exploração e unidades de perfuração de poços de petróleo. O Estaleiro também já recebeu sua primeira encomenda. A empresa Sete Brasil assinou carta de compromisso para a compra de seis sondas de perfuração, que vão atender a um contrato entre ela a Petrobras. Outras encomendas devem ser feitas e a previsão dos sócios é de um faturamento anual de R$ 600 milhões. É um investimento de R$ 2 bilhões que vai gerar 4 mil empregos. Junto com o Estaleiro de São Roque, da Petrobras, e os canteiros de módulos de Aratu, teremos na Bahia o segundo maior pólo naval do país.





BE - A Bahia está se tornando uma grande potência mineral. Quais os novos investimentos anunciados?



JC - Para os próximos anos há diversos empreendimentos em fase de pesquisa mineral no estado, com entrada em produção programada desde 2012 até 2015. Conforme a avaliação dos empreendimentos que buscam apoio desta Secretaria, estes investimentos chegam a R$ 18,8 bilhões. São empreendimentos em fase de pesquisa para a produção de ferro, bauxita, vanádio, ouro, gipsita, manganês e tálio, além de mais de 15 mil requerimentos de pesquisa solicitados ao DNPM, o que coloca a Bahia na liderança em áreas pesquisadas e sinaliza a possibilidade de novas descobertas.





BE - No geral, que outros investimentos o senhor destaca para 2012?



JC - Temos uma carteira de investimentos privados previstos até 2015 de cerca de R$ 70 bilhões, sendo mais de R$ 30 bilhões em projetos de energia eólica e de mineração. Temos o investimento da JAC Motors, que abre a real possibilidade de termos uma grande cadeia de indústrias de autopeças. Temos o polo naval, com o Estaleiro Enseada do Paraguaçu; o polo acrílico, com o anúncio da implantação da planta de ácido acrílico da Basf; temos um crescimento extraordinário da indústria de bebidas, notadamente em Alagoinhas; a indústria do calçado, com novas ampliações pelo interior do Estado, e a expansão crescente do agronegócio.





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